quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Confira a análise técnica da linha 2022 do SUV, que estreia motor turboflex de 170 cv e câmbio CVT com simulação de 8 marchas

 

Regras mais rígidas para emissões e a própria demanda dos consumidores por motores mais econômicos tem feito as fabricantes apostarem em novos motores turbo, especialmente no segmento dos SUVs. O mais novo integrante deste time é o Renault Captur 2022, que passa a vir com o inédito motor 1.3 TCe turboflex em todas as versões.

Este 1.3 turbo foi desenvolvido em parceria com a Daimler e é utilizado em modelos como Mercedes-Benz Classe A Sedan, GLA e GLB, em ajuste de 163 cv. Para o Brasil, a Renault desenvolveu sistema de injeção flex, fazendo o 1.3 alcançar 170 /162 cv de potência (E/G) entre 5.500 e 6.000 rpm. O torque máximo de 27,5 kgfm aparece entre 1.600 e 3.750 rpm com qualquer um dos combustíveis.

Importado da Espanha, este 4-cilindros possui bloco em alumínio, duplo comando de válvulas variável com atuadores elétricos, sistema de injeção direta e turbocompressor com válvula wastegate de acionamento eletrônico. O turbo trabalha com pressão máxima de 1,4 bar. Este motor possui ainda tratamentos especiais de superfícies para a redução de atrito em componentes móveis do cabeçote, anéis e pinos dos pistões, além do virabrequim e dos mancais.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Para trabalhar em conjunto com este novo motor, que possui torque bem mais expressivo do que os 16,2 kgfm gerados pelo antigo 1.6 SCe flex, a Renault substituiu a transmissão por uma caixa automática do tipo CVT com simulação de 8 marchas – antes, o antigo câmbio tinha simulação de 6 marchas. O novo CVT Xtronic tem bomba de óleo de dimensões reduzidas, cárter de menor volume, válvula de controle hidráulico com maior precisão e corrente de menor largura do que o anterior.

O Captur 1.3 2022 é vendido em três versões (Zen, Intense e Iconic), com preços entre R$ 126.690 e R$ 139.690. O modelo aqui avaliado é uma unidade da versão topo de linha, que traz os exclusivos faróis full LED, sensores de pontos cegos, partida do motor à distância e sistema Multiview com 4 câmeras ao redor do carro.

Para a análise técnica das condições de manutenção e reparabilidade do novo Renault Captur Intense 2022, contamos com o auxílio dos mecânicos Camilo de Lelis Matos e Matheus de Moura Matos, pai e filho, que trabalham juntos na oficina Garagem 85, em Guarulhos/SP.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Camilo de Lelis Matos e Matheus de Moura Matos, pai e filho, que trabalham juntos na oficina Garagem 85, em Guarulhos/SP

 

ACESSO FÁCIL

Os mecânicos iniciam a avaliação técnica pelo cofre do motor, que mostra espaço adequado ao trabalho. “A disposição dos injetores (1), bem na parte superior do cabeçote, indica facilidade na manutenção do sistema de injeção.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

A bomba de alta pressão (2) também fica posicionada em local de fácil acesso”, observa Camilo.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Na análise dos mecânicos da Garagem 85, o sistema de injeção direta exige cuidado maior com a origem do combustível. “Todo carro com injeção direta é mais sensível a combustível adulterado ou de má qualidade, que pode causar falhas e alta no consumo. Os donos devem sempre buscar abastecer com combustível de qualidade”, adverte.

De acordo com a Renault, o desenvolvimento deste motor envolveu mais de 40 mil horas de testes e 300 mil km de validação com rodagem em condições extremas. Nesta versão flex, a fabricante adotou injetores de 250 bar de pressão com design desenvolvido para o etanol (incluindo a vazão, a direção e o tamanho de jato), com seis furos por injetor.

Na visão de Camilo, entretanto, é preciso tomar cuidado com a carbonização. “Como a injeção é direto na câmara de combustão, pode acabar contaminando a admissão e carbonizando bastante. Minha recomendação é evitar abastecer o tanque somente com etanol com muita frequência”, explica.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Para o profissional, o desenho e a estrutura do cabeçote, em forma de delta, aumenta o espaço no cofre para a manutenção. “Se fosse um cabeçote comum, ocuparia todo a área livre. Neste novo Captur, é possível ter acesso a vários componentes com pouca ou nenhuma desmontagem”, afirma Camilo. Além do tamanho compacto, o formato do cabeçote ajuda na redução do centro de gravidade, de acordo com a Renault.

No sistema de ignição, a troca das velas é recomendada pelo manual a cada 40 mil quilômetros ou 3 anos, o que ocorrer primeiro. “Em alguns carros, as velas possuem um tratamento especial na rosca. Com uso excessivo de etanol, pode haver oxidação da rosca. Por isso, é recomendado remover a vela periodicamente para inspeção visual”, salienta Matheus.

O sincronismo deste motor é feito por corrente, livre de manutenção periódica. Já a correia de acessórios e os rolamentos têm substituição prevista em manual a cada 80 mil quilômetros ou 4 anos. O módulo do ABS fica próximo à parede corta-fogo, escondido atrás de um defletor metálico (3). “Nessa posição, ele acaba ficando protegido contra pequenas colisões e umidade”, nota Matheus.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Os mecânicos notam que o Captur tem a opção de retirada fácil da grelha (conhecida popularmente como churrasqueira) para manutenção do corpo de borboleta e outros elementos na parte traseira do motor, como a sonda lambda (4) e o turbocompressor (5). “O filtro de ar tem fácil acesso, mas exige uma ferramenta para soltar a trava (6), que é bem rígida”, nota. De acordo com o manual, a troca do filtro de ar do motor deve ser feita a cada 10 mil km ou 1 ano.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

O mesmo prazo é válido para a substituição do filtro de cabine. “Ele fica localizado abaixo do porta-luvas, próximo à parede corta-fogo, na região dos pés do passageiro dianteiro. Para removê-lo, basta soltar dois parafusos da tampa de proteção (7)”, explica Matheus.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

A manutenção da bateria (8) também merece atenção pois o Captur 1.3 mantém o sistema stop-start, que desliga e religa o motor automaticamente em breves paradas. A bateria é do tipo EFB, de 60 Ah e CCA de 510 ampères (SAE). “Nesses carros com stop-start indicamos a troca preventiva da bateria. Se esperar perder totalmente a carga, pode acabar prejudicando outros sistemas”, alerta Matheus.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

O fluido de freio (9) possui especificação DOT4+ e possui indicação de substituição no manual apenas a cada 80 mil quilômetros ou 4 anos. O mesmo prazo é considerando para o fluido de arrefecimento (10), cuja produto homologado é o Glaceol RX Type D (do tipo pronto para uso e de cor amarela). Para a troca, são necessários 5,45 litros.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

 

UNDERCAR

Com o carro no elevador, a dupla de mecânicos começa observando a região inferior do motor. “É possível notar que houve o cuidado, por parte da fábrica, de acrescentar uma proteção isolante (11) abaixo do cárter”, nota Camilo.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

A troca de óleo e filtro de óleo (12), que é do tipo ecológico, deve ser feita a cada 10 mil km ou 1 ano. O manual recomenda óleo de motor Castrol que atenda à classificação ACEA A3/B4, mudando a viscosidade apenas na especificação de baixas temperaturas (W). No plano de manutenção, estão previstos os graus de viscosidade 15W40 (para temperaturas de até -15ºC ou superior), 10W40 (-20ºC), 5W40 (-25ºC) e 0W40 (-30ºC). A capacidade do cárter, incluída a troca do filtro, é de 4,8 litros.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Ainda em relação a fluidos, o manual do fabricante indica que não há necessidade de inspeção de nível e troca do óleo do câmbio CVT (13). A capacidade total do sistema é de 8,6 litros, sendo o valor de enchimento após a drenagem especificado em 3,9 litros. O fluido homologado é o CVT Gearbox Oil NS3.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Para o mecânico, mesmo sem a previsão de troca, a manutenção preventiva do câmbio é essencial para evitar problemas no futuro. “Sempre bom alertar que, na nossa visão, é importante sim a substituição de óleo do câmbio e filtro. Como ele trabalha em uma faixa de temperatura elevada, a degradação do fluido é muito rápida. Para clientes da nossa oficina, recomendamos a troca do óleo de câmbio CVT a cada 40 mil quilômetros”, ressalta Camilo.

Os mecânicos fazem uma ressalva em relação ao coxim inferior (14) de motor e câmbio. “O restritor de torque é basicamente o mesmo dos modelos 1.6 e parece um tanto limitado para um carro turbo com tanto torque”, analisa.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Com a atualização da plataforma B0 para B0+ (a mesma do novo Duster), o Captur 2022 finalmente ganhou assistência elétrica da direção – antes, era do tipo eletro-hidráulica. “A caixa de direção tem fácil acesso e traz um cuidado adicional na montagem, com a instalação de um defletor (15) que impede que o calor do escapamento chegue à caixa”, nota Matheus.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Nos conjuntos de suspensão e freios dianteiros (16), Camilo não observa mudanças e dificuldade para a manutenção. “O amortecedor tem fixação simples, de fácil remoção”, observa Camilo.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

A barra estabilizadora, que interliga os elementos da suspensão dianteira, fica alojada na parte frontal. “Isso acaba facilitando o acesso às buchas (17) da barra”, complementa.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Na traseira, o Captur possui suspensão por eixo de torção e freios a tambor (18), também com manutenção simples. “O eixo possui uma curiosa proteção plástica (19), possivelmente com algum efeito aerodinâmico.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

O acesso à fixação superior do amortecedor é interno, pelo porta-malas”, observa Matheus. O filtro de combustível (20) fica alojado próximo à roda traseira direita e tem substituição prevista a cada 10 mil km ou 1 ano.

Raio X: Renault Captur 1.3 TCE Turbo

Após a análise do Captur na oficina, os mecânicos aprovaram as condições dos principais pontos de manutenção do SUV. “Gostaríamos que todos os carros, ou pelo menos a maioria, tivesse a manutenção fácil como a do novo Captur”, conta Camilo. Para Matheus, a facilidade de acesso aos componentes ajuda na produtividade dentro da oficina. “Perder menos tempo na desmontagem é um ponto positivo para o mecânico e também para o cliente, que pode ter o veículo pronto em menos tempo”, exemplifica.

Ficha técnica Captur 1.3

Texto & fotos Gustavo de Sá

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Nakata recomenda trocar kit junto com amortecedor

kit amortecedor Nakata

O kit amortecedor é composto por coxim, coifa e batente, fazendo o encaixe do amortecedor com a carroceria do veículo

 

Os amortecedores são essenciais para o veículo, atuando na segurança, conforto e estabilidade. Sua função é controlar os movimentos de abertura e fechamento das molas ao passar por depressões, lombadas ou vias irregulares, mantendo assim o contato dos pneus no solo. Mas a Nakata reforça também a importância do kit amortecedor na manutenção do sistema de suspensão.

“Os amortecedores são considerados itens de segurança, merecendo total atenção na hora da manutenção. Mas, é preciso ficar atento também às condições do kit amortecedor, pois se comprometido, o papel dos amortecedores ficam prejudicados”, afirma Jair Silva, gerente de qualidade e serviços da Nakata.

Ele alerta ainda para a importância do kit amortecedor, um conjunto de peças composto por coxim, coifa e batente. Esse kit realiza o encaixe do amortecedor com a carroceria do carro, visando absorver o impacto das trepidações naturais do uso do veículo.

O coxim, especificamente, dissipa a energia cinética dos impactos na suspensão, sustentando o amortecedor na carroceria. Já a coifa atua como tampa para a haste do amortecedor, evitando a entrada de resíduos, enquanto o batente, por sua vez, suaviza os impactos do final do percurso.

Segundo a Nakata, a recomendação é substituir o kit amortecedor juntamente com os amortecedores, pois peças desgastadas podem ocasionar ruídos e prejudicar o desempenho da suspensão.

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YPF Brasil investe R$ 48 milhões para aumentar produção

fábrica YPF

Melhorias tecnológicas permitem otimizar processos e aumentar a capacidade de produção, que já quadruplicou nos últimos cinco anos, diz YPF

 

A YPF Brasil anuncia o projeto “Planta do Futuro”, em que irá investir cerca de R$ 48 milhões para otimizar processos e tornar a produção mais tecnológica em sua fábrica.

O projeto, na verdade, teve início há cinco anos e já permitiu quadruplicar a capacidade de produção, indo de 1 milhão de litros de lubrificante automotivo por mês para essa mesma quantidade em apenas uma semana. A previsão é que, até 2023, a empresa chegue à marca de 10 mil metros cúbicos por mês.

“Com a expectativa de termos uma fábrica cada vez mais inteligente e produtiva, a chegada de pessoas das áreas de estatística, programação e engenharia de processos se torna uma necessidade essencial para alcançarmos esses objetivos”, afirma Fábio Lopes, gerente de operação industrial da YPF Brasil.

De acordo com a YPF Brasil, as melhorias tecnológicas permitiram, além do aumento da capacidade de produção, a diminuição de erros ocasionados pela ação humana ao incluir máquinas e robôs no processo. A primeira linha produtiva inteligente, resultado das melhorias do projeto “Planta do Futuro”, tem previsão de lançamento em dezembro de 2021.

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Abílio Responde: Pode usar pó de grafite nas borrachas?

Abílio Responde

Pó de grafite melhora o rangido das buchas de suspensão?

Seigi Sasaki
Via YouTube O Mecâniconline

 

O grafite é um lubrificante. A indicação dele é para lubrificação mecânica de partes em movimento. Logo deve estancar o rangido. Mas não sabemos o que provocará na borracha.

 


A cada edição da Revista O Mecânico, respondemos dúvidas dos leitores sobre manutenção automotiva e cuidados com o veículo na seção Abílio Responde. Mande sua mensagem para: redacao@omecanico.com.br

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terça-feira, 26 de outubro de 2021

FILTRO DE COMBUSTÍVEL NO ARREFECIMENTO? NÃO! | O Mecânico Responde

Neste programa respondemos:

– Posso usar só o aditivo no arrefecimento ou tem que ter água desmineralizada?
– Pode lavar o sistema de arrefecimento com água corrente?
– Qual sua avaliação sobre utilizar filtro de combustível no sistema de arrefecimento?
– Água fosfatada para arrefecimento, do que se trata?

 

 

 

O MECÂNICO RESPONDE é o quadro em que respondemos as dúvidas que chegam à redação da REVISTA O MECÂNICO. Nós enviamos as perguntas de vocês para as fabricantes de autopeças, montadoras e nossos consultores técnicos e estas são algumas das respostas que chegaram para nós.

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Híbridos e elétricos já são realidade nas oficinas

HÍBRIDOS E ELÉTRICOS

Veículos com propulsão eletrificada chegam às mãos dos mecânicos independentes; veja como os profissionais estão se preparando para recebê-los

 

Dados divulgados pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) estimam que, até o final desta década, apenas 8% da frota mundial (1,8 bilhão de veículos) terá algum tipo de motor elétrico, ligado a um motor a combustão ou não. Parece pouco, mas não quer dizer que veículos híbridos e elétricos são uma moda passageira. Muito pelo contrário: a necessidade da restrição máxima de emissões do transporte individual, rodoviário e de cargas torna a eletrificação um caminho sem volta.

A adoção lenta, mas progressiva, de trens de força híbridos e elétricos apenas mostra que diversas modalidades de propulsão vão coexistir por muitos anos. E isso inclui, sim, o Brasil.

Hoje, em nosso país, automóveis eletrificados compõem um nicho premium, com etiquetas de preço em seis dígitos. Porém, suas vendas estão aumentando em grandes saltos. Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), em 2019, foram 11.858 híbridos e elétricos vendidos. Em 2020, esse número cresceu em mais de 60%: 19.475 unidades comercializadas.

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E somente nos primeiros 9 meses de 2021, mais de 24 mil automóveis foram vendidos no mercado nacional com algum tipo de eletrificação em seu trem de força, mesmo com a crise de peças e logística que está afetando a produção mundial. A projeção da ABVE é que o ano se encerre com mais de 30 mil emplacamentos de híbridos e elétricos – ou 52% sobre 2020.

Segundo a entidade, hoje são mais de 66 mil veículos eletrificados circulando no Brasil. E, considerando os planos das fabricantes de automóveis para futuros lançamentos de híbridos e elétricos, a tendência de crescimento seguirá exponencial.

O que isso significa para o mecânico independente? Significa que está se iniciando um longo processo de mudança no trabalho das oficinas como o conhecemos.

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Se por um lado, os conhecimentos em motores a combustão não ficarão defasados tão cedo (o etanol terá papel fundamental na mitigação de emissões em nossa frota), por outro, é hora do profissional de manutenção automotiva começar a se atualizar para o que já é realidade nas ruas dos grandes centros urbanos do Brasil.

A demanda ainda é muito pequena, mas se um híbrido ou elétrico pintar na sua oficina, você precisa estar preparado. Carros eletrificados precisam de treinamentos e ferramentais específicos para serem manipulados no momento do serviço. Algumas características de reparo são bem diferentes e, hoje, dependem diretamente da assistência das respectivas marcas em peças, literaturas e às vezes, até equipamentos de diagnóstico.

Consultamos seis oficinas – quatro na Grande São Paulo, uma em Curitiba/PR e outra em Brasília/DF – com visões e modelos de negócio diferentes. Através delas, foi possível atestar que, em gran des centros urbanos, já existem híbridos e elétricos saindo da garantia e chegando nas mãos dos mecânicos independentes. A formação de um mercado específico para esses veículos é iminente e muitos profissionais já se capacitaram para atender à futura demanda.

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“OFICINA MECÂNICA VAI SE TORNAR UMA OFICINA ELÉTRICA”

Proprietário da AConcept Car Service, em Curitiba/PR, Christian Souza começou a carreira em 2001 como instrutor de uma montadora de veículos comerciais na capital paranaense. Neste período, foi o responsável por treinamentos de ônibus híbridos para a América Latina. “A transição para esse mercado é algo que não tem mais volta, já que todos os carros serão híbridos ou elétricos”, declarou.

Desde que montou sua própria oficina, Souza recebeu há cerca de 2 anos o primeiro cliente com um híbrido. “Foi um Ford Fusion ainda da primeira geração. Atualmente, atendo entre 12 e 15 híbridos por ano”, revelou.

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Christian Souza, proprietário da AConcept Car Service em Curitiba/PR | Foto: Arquivo Pessoal

Segundo o profissional, para trabalhar com este tipo de veículo foi preciso investir em treinamento e ferramental. Christian, que possui formação em Engenharia Mecânica, buscou cursos específicos e realiza anualmente o treinamento da NR-10, que estabelece os procedimentos para trabalhos com eletricidade. Já para a adequação da oficina em si, o mecânico afirma ter investido na compra de multímetros mais precisos, ferramentas isoladas para a troca de células de bateria e EPIs específicos.

“A manutenção dos híbridos normalmente é simples. O sistema elétrico ainda dá pouca manutenção, com eletrônica bastante robusta. O que necessita de reparo é o motor a combustão em si, como em qualquer carro. Mas os mecânicos habilitados precisam se atentar para a segurança, tomando cuidado com o descomissionamento do sistema elétrico antes de iniciar a manutenção”, explicou Souza.

Na visão do profissional, a eletrificação deixou de ser uma tendência para tornar-se realidade. “Eu vejo que a oficina mecânica vai se tornar uma oficina elétrica. Para o futuro, os principais desafios serão os problemas de comunicação entre os módulos dos carros e também com a nuvem”, aposta.

 

“O MECÂNICO PRECISA DE CONHECIMENTO AMPLO DA PARTE ELETRÔNICA”

Há cerca de três anos, o mecânico Sandro dos Santos, sócio-proprietário da oficina Doctor American Car (especializada em Jeep, Dodge e Chrysler em São Paulo/SP), fundou uma nova empresa de reparação com seu sócio Sílvio Ricardo Cândido e o engenheiro eletrônico Rafael Torrejon: a Thunder Advanced Services, especializada na manutenção de veículos 100% elétricos. Atualmente, os principais clientes são frotistas com automóveis da BYD e scooters e triciclos da marca E-Moov. De ambas as fabricantes, a Thunder é assistência técnica autorizada.

Para trabalhar com segurança em veículos eletrificados, mais do que os EPIs e ferramentais adequados, é necessário adquirir conceitos básicos e estudar eletroeletrônica a fundo, afirmou Sandro. Ele contou que, quando surgiu a oportunidade de criar este novo negócio, a primeira medida foi “procurar capacitação técnica para entender os perigos e complexidades do sistema de alta tensão”.

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Sandro dos Santos, sócio-proprietário da Thunder Advanced Services em São Paulo/SP | Foto: Arquivo Pessoal

Na opinião de Sandro, o principal cuidado na manutenção de um carro elétrico, ou eletrificado, é entender que existe uma chave geral que precisa ser desligada antes de qualquer intervenção. “Sabe a chave da caixa de luz da sua casa, que você desliga para trocar um chuveiro? É exatamente igual”, comparou.

É possível fazer o diagnóstico do trem de força elétrico com scanner convencional, mas, para oferecer o serviço, é preciso ter o conhecimento necessário e entender das leituras dos parâmetros, explicou o sócio-proprietário da Thunder Advanced Services. “Se uma célula dentro do pack da bateria estiver danificada, vai dar um comportamento diferente para o carro e apresentar luzes no painel. Nessa situação, às vezes, o mecânico vai querer mexer em uma caixa de fusível, mexer em um controlador e o problema não tem nada a ver com aquele componente. Em vez de arrumar, ele vai piorar a situação. Então, o mecânico tem que ter um conhecimento amplo da parte eletrônica e saber ler os gráficos”, disse.

Sandro ressalta que os sistemas de suspensão e freio são semelhantes a veículos convencionais movidos a combustão, mas itens como compressor de ar-condicionado e bomba de vácuo do servo-freio possuem acionamento elétrico. Sem contar componentes simples, mas específicos e que requerem treinamento prévio, como a bomba d’água do arrefecimento do trem de força. “Depois que o carro está desenergizado, a manutenção se torna quase a de um carro normal. Único diferencial são os componentes eletrônicos, que requerem muito conhecimento para se fazer a manutenção. Ou seja, não adianta ir com a curiosidade de abrir para mexer. Tem que ser capacitado”, afirmou Sandro.

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“A TENDÊNCIA É QUE O MERCADO CRESÇA NOS PRÓXIMOS 10 ANOS”

Agilidade na atualização sobre novas tecnologias é uma das apostas do mecânico Fernando Romão, sócio-proprietário da oficina Veyron, em São Paulo/SP. “Eu nasci dentro da oficina, que começou com meu pai, em 1971. A gente investiu em treinamento para todas as novidades que surgiram, como a injeção eletrônica e o câmbio automático. Quatro anos atrás notei que os híbridos começaram a chegar e comecei a realizar cursos no Brasil e no exterior. Já trabalho com esses modelos há 2 anos e a tendência é que o mercado cresça nos próximos 10 anos”, afirma.

De acordo com Romão, a bateria concentra a maior parte das falhas relacionadas ao sistema híbrido. “A bateria de tração, na verdade, é formada por um pack de baterias. O que acontece é que as células ficam desequilibradas, com uma um pouco mais descarregada que a outra. Com isso, a duração da bateria vai reduzindo até chegar a um ponto onde o carro não utiliza mais o sistema elétrico, mantendo apenas o motor a combustão ativo ”, detalha.

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Fernando Romão, sócio-proprietário da oficina Veyron, em São Paulo/SP | Foto: Arquivo Pessoal

Para solucionar esse problema, geralmente é necessária a equalização da bateria. “Desmontamos o pack de baterias, separamos todas as células e conectamos ao equipamento importado que faz o equilíbrio das células, mantendo todas com o mesmo nível de carga”, afirma. Como é necessário equilibrar célula a célula, é um processo demorado, que pode levar entre 35 e 40 dias, de acordo com a quantidade de packs.

Além do equalizador de carga, Fernando diz ter investido em capacitação da norma NR-10 e a adequação da oficina, com mudanças no espaço físico e compra de EPIs. “Hoje, eu não posso dizer que é um serviço rentável pois a demanda é baixa e as baterias ainda estão na garantia”, conta o mecânico.

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Pack de baterias: não mexa sem treinamento ou ferramental específico

 

“OS DESAFIOS SERÃO CUSTOS E DESCARTE DE BATERIAS”

A Volvo definiu 2030 como data-limite para que todos os automóveis da marca no mundo sejam totalmente elétricos. No Brasil, a fabricante passou a vender somente modelos híbridos do tipo plug-in no início de 2020 e lançou recentemente o XC40 Recharge Pure Electric, seu primeiro carro elétrico. Para uma oficina especializada em carros da marca sueca, como a Swedish Auto Tech, de São Paulo/SP, nada mais natural do que se preparar para essas mudanças.

Os sócios-proprietários Jonatas Heller e Marcos Alves investiram em capacitação e infraestrutura para reparar esse tipo de veículo. “Fizemos treinamentos da Bosch para manutenção de híbridos. Hoje, o ferramental para atendê-los é mais voltado a softwares de diagnóstico que consigam se comunicar com esses carros”, explicou Heller.

Na visão de Jonatas, entretanto, os modelos eletrificados deverão seguir como um nicho no Brasil pelos próximos 10 anos. Atualmente, a oficina tem recebido eletrificados apenas para revisões convencionais. “Os híbridos têm sistemas muito confiáveis. Como as baterias desses modelos ainda estão na garantia, temos atendido clientes desses modelos para manutenção de itens como suspensão e freios”, disse.

Para o futuro, Heller não crê que o aumento no volume de modelos eletrificados irá necessariamente reduzir os custos de compra e manutenção. “Eu acho que o desafio vai ser relacionado a custos de baterias e o descarte delas. Podemos pegar o iPhone como exemplo. Hoje se compra mais iPhone do que quando ele foi lançado, mas os aparelhos e a manutenção não estão mais baratos. Não é uma verdade que o mercado vai se regular e baixar os preços. Vai demorar muito para popularizar”, opinou.

 

“TEMOS QUE DESMISTIFICAR ESSE MERCADO”

Derrubar mitos sobre a manutenção de híbridos e elétricos é um dos passos para que o mercado cresça, na visão do mecânico Nilson Patrone, proprietário da oficina PowerClass, em São Bernardo do Campo/SP. “A manutenção de híbridos já é normal e está desmistificada nos Estados Unidos. Por aqui, ainda há muito medo em relação a tomar choque e morrer. Temos que difundir informação de qualidade no mercado para que haja mais profissionais aptos a mexer nesses carros. Mas é claro que temos que agir com cuidado e seguir as normas de segurança”, contou.

Para se preparar em relação à reparabilidade desse tipo de modelo, Patrone afirma ter realizado cursos específicos de reparo de híbridos. “No treinamento, aprendemos a realizar a manutenção da bateria e a abrir as células. O maior problema dos híbridos e elétricos atualmente é a equalização da bateria, onde todas as células devem estar equalizadas com a carga”, explicou.

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Nilson Patrone (centro), dono da oficina PowerClass em São Bernardo do Campo/SP | Foto: Arquivo Pessoal

A demanda por este tipo de serviço, no entanto, ainda é baixa. “Tudo é muito novo, pois os carros ainda estão na garantia. Temos feito a manutenção básica de híbridos na oficina, como freios e trocas de óleo, por exemplo. Quanto a isso, não há mudanças em relação a carros somente a combustão”, contou Patrone.

Ainda que seja um segmento de nicho, Nilson aposta em crescimento da manutenção de híbridos para os próximos anos. “Vai ser um outro mercado no futuro. E a gente vai continuar a ter mecânica para arrumar no carro, não só a parte elétrica. Creio que há mais pânico no mercado do que informação boa. As pessoas dizem que somente se encostar no carro, pode morrer. Se fosse assim, esses modelos não teriam a abertura do capô, onde o próprio dono do carro pode ter acesso. Temos que tomar cuidado e nos capacitar para desmistificar esse mercado”, revelou.

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“POTENCIAL É ENORME PARA QUEM SE ANTECIPAR À DEMANDA”

Os irmãos Rodrigo e Ricardo Vieira Martinez, proprietários e gestores da oficina JM Auto Centro em Brasília/DF, estão se preparando desde 2017 para o mercado de reparação de veículos híbridos e elétricos.

“O primeiro suporte que tivemos foi da Bosch, Sebrae e um fornecedor, a Eletropar, onde na época conseguimos trazer para Brasília um seminário sobre híbridos e elétricos para as oficinas da região em geral e um treinamento específico sobre o mesmo tema para a oficinas da Rede Bosch Service da região”, contam. “A partir daí começamos a adquirir as ferramentas especificas necessárias, como o megômetro FSA 050 Bosch, ferramental com isolamento para alta tensão, equipamento de segurança para o técnico, entre outras”.

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Rodrigo e Ricardo Vieira Martinez, proprietários e gestores da oficina JM Auto Centro em Brasília/DF | Foto: Arquivo Pessoal

Ente os eletrificados que já atenderam, citam o Toyota Prius e unidades de Mercedes-Benz e Porsche. Por enquanto, os sistemas de eletrificação dos trens de força ainda não apresentam defeitos significativos a serem reparados. Quando há, o problema está na bateria de alta tensão. “Mas, de qualquer forma, nos veículos híbridos existe toda a questão de revisão do motor a combustão. Nos veículos com os dois sistemas, continuamos a ter sistemas de suspensão, freios e outros, que devem ser reparados de forma corretiva ou preventiva”, observam.

Segundo os gestores da JM Auto Centro, a grande maioria desses veículos ainda está ligada a concessionária, mas as garantias já começam a expirar. “A frequência atualmente ainda é baixa, mas vem aumentado, por isso acredito que o potencial seja enorme para quem estiver preparado e se antecipar a demanda”. Eles opinam que o mercado de veículos híbridos e elétricos ainda está se moldando e se mostram otimistas quanto ao futuro desse nicho.

HÍBRIDOS E ELÉTRICOS

“Temos muito a aprender, novas tecnologias, conceitos e materiais surgirão. Mas acredito no potencial desse mercado, principalmente nas regiões onde o poder aquisitivo da população seja mais elevado”, declararam. “A tendência é que os preços caiam, os governos deem incentivos e popularização desses veículos comece a ocorrer de forma gradativa se tornando parte do atendimento do dia a dia nas oficinas”.

Porém, eles deixam um alerta às oficinas que ainda não estudaram como receber veículos eletrificados: “não se aventurem a fazer manutenção nesses veículos sem os devidos itens de segurança, ferramental e conhecimento técnico necessário. O risco de um acidente com pessoa que está fazendo o reparo é muito grande e pode trazer sérias consequências”.

 



 

HÍBRIDOS E ELÉTRICOS

CINCO DICAS BÁSICAS PARA QUE SUA OFICINA POSSA RECEBER VEÍCULOS ELÉTRICOS OU HÍBRIDOS:

1) Formação técnica: O mecânico precisa de formação técnica para o atendimento de veículos elétricos e híbridos em sua oficina. Uma dica importante para esse atendimento, mesmo depois de realizar cursos específicos para esse tipo de intervenção, é sempre seguir a indicações do fabricante. Por serem veículos novos na frota, as fabricantes que desenvolveram o veículo são a melhor fonte para resolução de qualquer dúvida.

2) Sinalização de área: É necessário isolar e sinalizar corretamente o local onde o veículo eletrificado está parado. A primeira recomendação é a sinalização da área de trabalho com placas de alerta sobre o trabalho com alta tensão, além de uso de cordão e/ ou fita de isolamento do perímetro.

3) EPIs adequados: Na hora do diagnóstico, medições e manuseio do veículo com o circuito energizado (chave geral ligada), é imprescindível o uso de luvas isolantes de classe zero até 1.000 V, além dos óculos de proteção e sapatos isolantes. Se o veículo já estiver desenergizado, os EPIs de alta tensão não são necessários. São exigidos apenas luva comum e óculos.

4) Ferramental: Pelo menos um kit básico de ferramentas com isolamento adequado (1.000 V) para manutenção corretiva de veículos elétricos.

5) Megômetro: Este é um instrumento de medição de isolamento de circuitos elétricos que gera e aplica uma tensão, que pode variar de 500 até 15 mil V, em um equipamento para realizar a leitura da corrente elétrica.



 

 

Por Fernando Lalli & Gustavo de Sá

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Cobreq lança linha de kit de transmissão para motos

Linha Cobreq para motos

Kit de transmissão para motos é composto por por corrente, coroa e pinhão e atende modelos entre 100 e 250 cilindradas

 

A Cobreq amplia seu portfólio com o lançamento da linha de kit de transmissão para motos, atendendo modelos entre 100 e 250 cilindradas, ou seja, cerca de 90% da frota nacional. Os kits são compostos por corrente, coroa e pinhão.

O produto traz a marca gravada em relevo na corrente, além de a coroa receber um tratamento especial de zinco, o que evita a oxidação. A novidade de junta ao catálogo já oferecido para o segmento de duas rodas, que inclui pastilhas e patins de freio, discos de freio, kit e disco de embreagem, fluidos, cubo de roda, espelho, flange e cabos.

A Cobreq reforça ainda que todos os seus produtos são desenvolvidos com tecnologia para oferecer o máximo de segurança e desempenho, sendo extensivamente testados e seguindo os mais rigorosos padrões de qualidade.

“Com este lançamento, passamos a atuar em mais uma prateleira. É mais uma ação que consolida nosso objetivo de oferecer produtos que atendam a necessidades do motociclista com qualidade e por isso resolvemos ampliar a linha para outros componentes que envolvem conforto, segurança e durabilidade”, afirma Everton Mello, gestor comercial do segmento de motocicletas da TMD Friction do Brasil.

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