quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Vietnã vai proibir motos a combustão de circular na capital a partir de julho

A partir de julho dois distritos mais populosos da capital Hanói, Hoan Kiem e Ba Dinh, irão iniciar proibição de circulação de motos com motor a gasolina. A medida foi divulgada ainda em agosto de 2025 pelo Primeiro Ministro Pham Minh Chinh mas é vista com desconfiança pela população e associações setoriais.

Grupos ligados à produção e comércio de peças, mecânicos e profissionais do setor que movimentam uma frota de 72 milhões de motocicletas no país de 100 milhões de habitantes, afirmam que a medida drástica pode resultar em demissões e crise econômica. A imprensa local fala na demissão de 200 a 300 mil pessoas com essa medida.

O governo vietnamita espera que até o final da década 25% das vendas de motos se concentrem apenas em modelos elétricos mas por enquanto esse segmento não chega a 13% do total. Marcas como Yadea, VinFast, Pega, Selex e Nuen atuam no país junto com marcas indianas, chinesas e japonesas como Honda, Yamaha, Bajaj, Lifan entre outras.

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GWM e Governo do ES confirmam 2ª fábrica no Brasil para produzir 200.000 veículos por ano

A Great Wall Motor (GWM) apresentou, em conjunto com o Governo do Espírito Santo, um projeto industrial para a implantação de uma nova unidade fabril em Aracruz. O plano divulgado pelo governo estadual capixaba prevê capacidade instalada de até 200 mil veículos por ano, com ocupação de 1,7 milhão de m², direcionada à produção de SUVs de menor porte em relação ao portfólio atual da marca no Brasil. A GWM no entanto, disse que irá falar sobre o projeto mais adiante.

O anúncio ocorre no contexto do programa de investimentos de R$ 10 bilhões da GWM no país e complementa a operação iniciada em Iracemápolis, onde a empresa inaugurou, em agosto de 2025, a planta que anteriormente pertenceu à Mercedes-Benz. A apresentação institucional reuniu executivos regionais da GWM e autoridades estaduais e municipais, sinalizando alinhamento entre política industrial e expansão produtiva.

Detalhes divulgados sobre a nova fábrica

A futura planta capixaba foi concebida para ampliar o grau de verticalização da operação local. A GWM está focando em novos produtos compactos já que hoje sua planta que atua há nove meses no interior paulista está focada em produtos de maior porte.

Estão previstas linhas de soldagem e pintura, etapas-chave para a armação de carrocerias, indicando um avanço além de modelos baseados em kits importados. A proximidade com portos, aeroportos e a BR-101, além da distância de cerca de 83 km da capital Vitória, compõe a lógica logística do projeto, com potencial para abastecimento do mercado interno e exportações regionais.

Até 10.000 postos de trabalho

Em termos de emprego, a estimativa inicial varia entre 1,5 mil e 3,5 mil postos diretos, com possibilidade de alcançar até 10 mil vagas ao considerar a cadeia de fornecedores e serviços associados.

Portfólio da GWM terá “reforços”

A GWM indicou que a nova unidade deverá produzir modelos abaixo do porte dos SUVs hoje montados no Brasil, como o Haval H4, ampliando a cobertura em segmentos de maior volume. Atualmente, a fábrica de Iracemápolis realiza a montagem do Haval H6 (híbrido), do Haval H9 e da picape Poer P30, com processos ainda parciais.

Segundo a empresa, o índice de localização deve atingir 35% até o fim deste ano, com meta de 60% em 2028, o que envolve nacionalização progressiva de componentes e desenvolvimento de fornecedores locais. Até o momento, a operação brasileira já importou cerca de 45 mil veículos pelos portos nacionais.

Brasil como polo regional

Fora da China, a GWM mantém fábricas apenas em Rússia e Tailândia, o que reforça o papel estratégico do Brasil como hub regional de produção e exportação. A abordagem guarda paralelos com a estratégia da BYD na Bahia, onde a empresa também planeja linhas completas de soldagem e pintura para avançar além de CKD/SKD.

A GWM não divulgou cronograma de conclusão da planta de Aracruz. A empresa informou que novos detalhes técnicos e industriais serão apresentados em etapa posterior, à medida que o projeto avançar para as fases de licenciamento e implantação.

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Rampage 2.2 Diesel: veja como testar a estanqueidade da bomba de alta pressão

Procedimento com uso do EPS100 ajuda a identificar queda de pressão no rail em casos de partida longa ou motor que não entra em funcionamento

A Ram Rampage, fabricada a partir de 2023, equipada com motor 2.2 Diesel Euro 6 pode apresentar dificuldade na partida ou não funcionar quando há pressão baixa no rail. Nesses casos, o teste de estanqueidade da bomba de alta pressão CP4.1 é indicado para verificar desgaste interno e perda de vedação.

O motor 2.2 Diesel entrega 200 cv a 3.500 rpm e 450 Nm (45,9 kgfm) a 1.500 rpm. Utiliza diesel S10, transmissão automática de nove marchas e sistema de admissão com turbocompressor de geometria variável (TGV), intercooler ar-água e wastegate elétrica. O sistema de injeção trabalha com bomba de alta pressão CP4.1, responsável por alimentar o rail em níveis elevados de pressão.

Teste de estanqueidade

O teste é recomendado quando há suspeita de falha de estanqueidade na bomba, geralmente provocada por desgaste na válvula de alta pressão ou no assento do cabeçote da bomba. O sintoma mais comum é partida longa ou ausência de funcionamento por pressão insuficiente no rail.

Para o procedimento, é necessário utilizar o aparelho de teste de bicos injetores EPS100. Conectar a porca do tubo do equipamento à saída de alta pressão da bomba para o rail, com adaptador. Com o tubo solto e o registro fechado, acionar a alavanca até eliminar o ar do sistema e, em seguida, fechar as conexões. Abrir o registro 1/4 de volta antes de iniciar os testes de pressão.

No primeiro passo, acionar a alavanca até atingir 100 bar. Após é fundamental aguardar 30 segundos para estabilização e, após 60 segundos, a pressão deve permanecer acima de 90 bar. No segundo passo, elevar a pressão a 250 bar; após estabilização, o valor deve se manter acima de 240 bar. No terceiro passo, atingir 400 bar; depois do período de estabilização, a pressão não pode ficar abaixo de 390 bar.

Se os valores ficarem abaixo do especificado ao final dos 60 segundos, a bomba deve ser substituída ou encaminhada a um serviço autorizado Bosch para reparo e teste em bancada. Outros componentes internos da bomba também podem provocar o mesmo sintoma, exigindo diagnóstico complementar. As informações técnicas foram divulgadas pelo Mecânico Pro, ferramenta de suporte às oficinas e de capacitação da Revista O Mecânico.

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Taos vs Boreal: qual SUV tem manutenção mais fácil? Veja comparativo

Raio X tradicional da Revista O Mecânico compara motor, câmbio e suspensão dos dois SUVs turbo sob a ótica da manutenção

No novo episódio do Raio X, tradicional quadro do YouTube da Revista O Mecânico, o comparativo coloca frente a frente o Volkswagen Taos 1.4 TSI e o Renault Boreal 1.3 turbo, com foco no que interessa ao mecânico, por exemplo, acesso a componentes, intervenções mais comuns, pontos crônicos e facilidade no dia a dia da oficina. Ao lado da equipe da Revista, Carlos Eduardo Vieira, o China, analisa os dois SUVs médios no cofre do motor e no elevador, destacando diferenças práticas entre os conjuntos. Veja o vídeo completo.

No motor, o Boreal se sobressai em acessibilidade. Injetores, bobinas e bomba de alta têm acesso mais direto. “Algumas coisas são menos trabalhosas do que no EA211 do Taos. Aqui eu tenho facilidade para remover os injetores, enquanto no Taos é preciso tirar o coletor”, afirma China. Já o modelo da Volkswagen traz um conjunto conhecido do mercado, mas com histórico de ocorrências como folga axial no comando de admissão, além de registros de falhas em bomba de vácuo e no módulo da bomba d’água.

No conjunto inferior, o Taos responde com suspensão traseira multilink, enquanto o Boreal adota eixo de torção. “A suspensão do Taos é melhor. No Boreal é mais simples”, resume o especialista. Em contrapartida, o SUV da Renault facilita em alguns serviços, como a troca do amortecedor dianteiro, enquanto o Volkswagen leva vantagem na fixação do pivô por parafusos.

O novo Volkswagen Taos tem motor 1.4 TSI Turbo Flex de até 150 cv de potência e 25,5 kgfm de torque. A transmissão é de oito velocidades, substituindo a anterior que era de seis marchas. Já o Renault Boreal tem motor 1.3 TCe de até 163 cv com torque de 27,5 kgfm. A transmissão é automática de dupla embreagem de seis posições banhada a óleo.

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Biodiesel pode aumentar falhas em sistemas de injeção e acelera desgaste de motores, alerta especialista

Elevação do teor de biodiesel favorece oxidação do combustível, contaminação do sistema e falhas em bicos, bombas, DPF e componentes internos do motor 

texto Felipe Salomão   fotos Diego Cesilio  

aumento do percentual de biodiesel no diesel comercializado no Brasil tem provocado impactos técnicos relevantes nos motores diesel que circulam no país. Lembrando, no ano passado o percentual chegou na casa dos 15% e para este ano há planos para avançar em 16%.  

De volta ao dia a dia dos mecânicos, as oficinas especializadas relatam crescimento nos casos de contaminação do sistema de combustível, falhas em bicos injetores, bombas de alta pressão, saturação precoce do DPF e danos internos ao motor, exigindo manutenção preventiva mais rigorosa e elevando os custos de reparo.  

De acordo com Camila Bezerra, especialista em manutenção automotiva da Force MotorSport, a principal mudança percebida nas oficinas está relacionada à estabilidade do combustível ao longo do tempo. “O biodiesel passa por um processo de oxidação muito rápido. A partir de cerca de 30 dias, ele já começa a perder propriedades, absorver água e sedimentar dentro do tanque”, explicou. 

Segundo a especialista, o cenário brasileiro ainda apresenta limitações tecnológicas em relação à evolução do biocombustível. “Aqui no Brasil, apesar das campanhas, ainda trabalhamos com uma primeira geração de biodiesel. Em outros países, a tecnologia já avançou para a terceira geração, com composição diferente e maior estabilidade”, afirmou. Esse fator contribui para a formação de resíduos e para o crescimento microbiológico no sistema de combustível. 

“O biodiesel favorece a proliferação de bactérias. Bio é vida. Essas bactérias se desenvolvem dentro do tanque e formam uma massa contaminante que segue por todo o sistema”, disse Camila Bezerra. Esse material avança do tanque para o filtro, alcança sensores, bomba de alta pressão, flauta e bicos injetores, comprometendo o funcionamento do motor. “Quando o cliente percebe dificuldade na partida ou perda de desempenho, muitas vezes o sistema já está seriamente danificado”, alertou. 

 

Problemas mais comuns 

Entre os problemas mais frequentes observados na oficina estão o travamento de bicos injetores, falhas de lubrificação e aumento da carbonização interna. “Já acompanhamos casos em que um bico travou fechado, houve falta de lubrificação e os anéis e pistões começaram a riscar a camisa do bloco. O resultado foi a necessidade de desmontagem completa do motor”, relatou Camila Bezerra. Em situações como essa, o custo total do reparo pode se aproximar de R$ 50 mil, considerando peças, mão de obra, serviços de usinagem e substituição de componentes do sistema de injeção. 

A contaminação também afeta diretamente os sistemas de pós-tratamento de gases. “Essa carbonização não fica só no motor. Ela aparece no sistema de EGR, no DPF, na tampa de válvulas e em toda a linha de escape”, explicou Camila. Segundo ela, sem manutenção preventiva adequada, a crosta formada pode reduzir a eficiência do sistema, provocar falhas eletrônicas e acelerar o desgaste de componentes. 

 

Manutenção preventiva 

Diante desse cenário, a especialista destaca que a manutenção preventiva deixou de ser opcional. “Não dá para mudar como o diesel chega até o posto, mas é possível controlar o que acontece a partir do momento em que ele entra no sistema do veículo”, afirmou. Entre as práticas recomendadas estão o uso regular de bactericidas, instalação de pré-filtro de combustível, abastecimento em postos com alta rotatividade e inspeções periódicas do sistema de injeção. 

“A cada dois ou três tanques, é importante encher o reservatório, aplicar o bactericida e deixar o produto agir. O tanque cheio reduz a presença de ar, o que melhora a eficácia no combate às bactérias”, explicou. A instalação de pré-filtro também ajuda a reter água e impurezas antes que o combustível chegue aos bicos. “É um componente já comum em caminhões e que passou a fazer sentido também em SUVs e picapes diesel”, disse. 

Outro ponto destacado é o diagnóstico técnico. “Hoje, diagnóstico é leitura, não achismo. Aqui na oficina, todo veículo passa pelo scanner logo na entrada. Isso gera documentação e parâmetros claros sobre o funcionamento do sistema”, afirmou Camila Bezerra. Segundo a especialista em manutenção automotiva, esse procedimento protege tanto a oficina quanto o cliente, evitando dúvidas sobre falhas pré-existentes após intervenções mecânicas. 

A mecânica especialista também faz um alerta sobre reparos parciais em motores diesel. “Se abriu o motor, o correto é substituir todos os componentes críticos. Economizar em peças pode gerar retrabalho, falhas futuras e comprometer a garantia do serviço”, disse. Para Camila, o avanço das tecnologias embarcadas no diesel exige mudança de postura do mercado. “O diesel ficou mais complexo. Quem trabalha com ele precisa estudar, documentar processos e orientar o cliente. Não existe mais espaço para improviso”, concluiu. 

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

BorgWarner fecha acordo para fornecer turbina VTG a para híbridos Stellantis

A BorgWarner firmou um novo acordo com um fabricante europeu de equipamentos originais (OEM) para o fornecimento de seu turbocompressor de geometria variável (VTG) destinado a uma plataforma de veículos híbridos (HEV). O contrato marca a entrada da empresa na base global de fornecedores que equipará uma das primeiras ofertas híbridas Stellantis no mercado norteamericano.

A tecnologia VTG da BorgWarner permite controle preciso do funcionamento do motor ao longo de uma ampla faixa de rotações, contribuindo para ganhos de eficiência, melhor economia de combustível e redução de emissões. O sistema utiliza aletas de geometria variável acionadas eletricamente, que regulam a pressão da turbina em baixos regimes e garantem resposta rápida, além de manter a entrega de potência em altas rotações.

Desenvolvido sob medida para atender às limitações de espaço da plataforma do OEM, o turbocompressor incorpora uma carcaça de turbina atualizada, projetada para se adaptar ao pacote disponível e melhorar o desempenho transiente do conjunto. Segundo a BorgWarner, a solução também permite a integração de estratégias avançadas de combustão, alinhadas às exigências de eletrificação parcial dos sistemas híbridos.

“O fornecimento da tecnologia VTG para esta plataforma HEV reforça uma parceria de longa data baseada em qualidade e confiabilidade”, afirmou Dr. Volker Weng, vice-presidente da BorgWarner Inc. e presidente da divisão de Turbos and Thermal Technologies. De acordo com o executivo, a experiência acumulada em aplicações semelhantes na Europa foi determinante para a ampliação do relacionamento comercial na América do Norte.

O turbocompressor ainda se destaca por soluções voltadas à durabilidade e ao conforto acústico. O rotor do compressor passa por tratamento de shot-peening, processo que aumenta a resistência mecânica e a vida útil do componente, atendendo aos requisitos de desempenho sustentável. Já a saída do compressor conta com um silenciador integrado, desenvolvido para reduzir os níveis de ruído percebidos no interior do veículo.

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Substituição da bandeja de suspensão do Volkswagen Fox

As verificações a cada 10 mil km podem evitar desgastes acelerados dos componentes de suspensão. Confira detalhes de diagnóstico e boas práticas de manutenção 

texto Vitor Lima   fotos Diego Cesilio  

A análise criteriosa do sistema de suspensão é uma das etapas mais importantes da manutenção automotiva, sobretudo quando o objetivo é preservar a segurança, o conforto e a durabilidade dos demais componentes do veículo. De acordo com o consultor de assistência técnica da Nakata, Eduardo Guimarães, no Volkswagen Fox 2010, modelo amplamente presente nas oficinas brasileiras, a suspensão dianteira segue um conceito relativamente simples, porém altamente sensível à falta de manutenção preventiva. A negligência nesse sistema pode resultar não apenas em desgastes acelerados, mas também em falhas graves de dirigibilidade. 

Do ponto de vista técnico, a suspensão pode ser entendida como um conjunto dinâmico responsável por unir o monobloco às rodas, mantendo os pneus em contato permanente com o solo e absorvendo as irregularidades da via. É esse sistema que garante estabilidade em curvas, conforto em pisos irregulares e controle direcional em frenagens e acelerações. 

 

Arquitetura e funcionamento do sistema de suspensão 

O sistema de suspensão é composto por diferentes componentes que trabalham de forma integrada. As molas são responsáveis por suportar o peso do veículo e absorver a energia dos impactos. Os amortecedores controlam o movimento das molas, impedindo oscilações excessivas após a passagem por irregularidades. Os pivôs permitem o movimento rotacional e angular da roda, enquanto as buchas de borracha atuam como elementos elásticos de ligação, reduzindo vibrações e ruídos metálicos. Complementando o conjunto, a barra estabilizadora limita a rolagem da carroceria em curvas, sendo conectada à suspensão por meio das bieletas.

Dentro desse conjunto, a bandeja de suspensão, também conhecida como braço oscilante, exerce papel estrutural fundamental. 

A bandeja pode ser comparada ao “joelho” da suspensão dianteira. Fabricada em aço estampado ou forjado, geralmente com formato triangular, ela conecta o conjunto da roda ao chassi por meio de buchas de borracha e, na extremidade oposta, à manga de eixo através do pivô. Essa configuração permite o movimento vertical controlado da roda, sem que haja deslocamentos longitudinais ou laterais indesejados. 

Na prática, a bandeja é responsável por manter estáveis os ângulos de caster e camber durante a condução. Ao transpor um buraco ou valeta, ela oscila para cima e para baixo, absorvendo parte do impacto e preservando o alinhamento da suspensão. Quando essa peça apresenta empenamento, fadiga estrutural ou buchas rompidas, ocorre perda de precisão geométrica, resultando em desgaste irregular de pneus e sensação de instabilidade, frequentemente descrita pelo cliente como “carro solto”. 

 

Integração com o terminal de direção 

Embora pertença ao sistema de direção, o terminal trabalha diretamente acoplado à suspensão. Trata-se de uma articulação esférica de alta precisão, responsável por transmitir às rodas o movimento gerado no volante. Ao girar o volante, a força percorre a caixa de direção, a barra axial e chega ao terminal, que converte o movimento linear em rotação da roda. 

O pino esférico interno do terminal permite que esse movimento seja mantido mesmo quando a roda sobe e desce constantemente em função da suspensão. Em situações reais de uso, como ao fazer uma curva sobre um piso irregular, o terminal mantém o ângulo de esterçamento enquanto a bandeja absorve o impacto vertical, demonstrando a interdependência desses componentes. 

 

Diagnóstico e identificação de desgastes 

O diagnóstico começa sempre pela escuta atenta do relato do cliente, seguida de inspeção visual e testes práticos. No Volkswagen Fox, é comum a ocorrência de falhas com baixa quilometragem, especialmente em condições severas de rodagem. A durabilidade dos componentes não é fixa e depende de fatores como estado das vias, carga transportada, manutenção da geometria e integridade das coifas protetoras. 

A ruptura das coifas é um dos principais gatilhos para falhas em pivôs e terminais. Com a entrada de água e sujeira, ocorre a contaminação ou perda da graxa, acelerando o desgaste do pino esférico. Além disso, a fadiga natural do aço estampado da bandeja pode gerar trincas ou deformações ao longo do tempo. 

Outro ponto crítico é a interdependência do sistema. Uma bucha rompida gera movimentações anômalas que sobrecarregam amortecedores, pneus e demais articulações. A ausência de inspeções periódicas transforma falhas simples em problemas complexos e perigosos. 

Entre os sinais mais comuns de alerta estão o desgaste irregular dos pneus, especialmente nas bordas internas, indicando alteração de cambagem ou convergência; instabilidade direcional, com o veículo puxando para um dos lados; ruídos metálicos ao transpor irregularidades; e variação perceptível de caster durante acelerações e frenagens. “A bucha traseira da bandeja, se estiver rompida, permite essa variação de caster, deixando o carro totalmente impreciso”, destaca o consultor. 

Durante a inspeção, devem ser avaliadas a integridade das buchas da bandeja, a presença de folga e o estado da coifa do pivô, a folga axial do terminal de direção e axial e as condições das bieletas e buchas da barra estabilizadora. Em condições normais, pivôs e terminais costumam durar entre 60 e 70 mil quilômetros, mas esse intervalo pode ser drasticamente reduzido quando há falhas de vedação ou uso severo. 

A folga no pino esférico do terminal compromete diretamente a precisão da direção e pode causar o fenômeno conhecido como shimmy, caracterizado por vibrações sentidas no volante. Esse sintoma é frequentemente confundido com desbalanceamento de rodas, quando na realidade tem origem no sistema de direção. 

 

Procedimento de desmontagem 

 

1) Antes de iniciar o serviço, o veículo deve estar corretamente apoiado e as ferramentas adequadas separadas. Comece retirando as rodas do veículo.  

 

2) Na bandeja de suspensão, inicia-se pela soltura do pivô, liberando-o da manga de eixo.  

3) Em seguida, remove-se o parafuso principal de fixação da bandeja ao agregado, permitindo a retirada completa da peça.  

 

4) No caso do terminal de direção, recomenda-se marcar a posição original ou contar o número de voltas da rosca antes da remoção, garantindo um pré-alinhamento na montagem. Utilize uma chave 22 mm para afrouxar a contraporca da barra axial.  

 

5) A porca autotravante do pino esférico deve ser solta com auxílio de uma chave Allen para travar o pino e uma chave estriada 19 mm para soltar a porca.  

 

6) O uso de um extrator é indispensável para desencaixar o terminal sem danificar o montante. Porém, neste caso, o pino esférico saiu com pouca interferência, assim, demonstrando que o componente já não apresentava boas condições de uso.  

 

Análise dos componentes e comparativo entre peças novas e usadas 

 

7) Ao analisar o terminal removido, foi encontrando a coifa totalmente rompida e ausência de graxa, resultando em folga excessiva.  

8) Já a peça nova apresenta pré-carga perceptível, garantindo precisão no funcionamento. Os sistemas modernos utilizam porcas autotravantes do tipo Parlock, eliminando a necessidade de cupilhas. Verifique se o novo componente está correto para aplicação, pois, qualquer alteração de ângulo que o terminal possa ter, compromete o trabalho do conjunto.  

9) Verifique as bandejas de suspensão. No caso da bandeja aplicada pela Nakata, o componente já vem com o novo pivô de suspensão instalado.  

Montagem 

 

10) A montagem deve seguir a ordem inversa da desmontagem, com atenção rigorosa aos detalhes. Instale o novo terminal de direção e aperte a porca que prende o pino esférico a manga de eixo.  

11) No terminal de direção, o rosqueamento deve respeitar a marcação original, seguido do aperto da porca autotravante e da contraporca da barra axial.  

12) É fundamental identificar corretamente o lado da bandeja. Com a bucha traseira da bandeja de suspensão instalada, passe uma fina camada de vaselina neutra para facilitar o encaixe e evita ressecamento precoce.  

13) O pivô deve ser encaixado cuidadosamente na manga de eixo, preservando a integridade da coifa. Aperte a porca que prende o pivô à manga de eixo.  

Obs.: O torque final dos parafusos das buchas de suspensão deve ser aplicado somente com o veículo apoiado no solo ou em rampa de alinhamento. Esse procedimento evita que a bucha trabalhe torcida, o que levaria à falha prematura. De o torque especificado pelo fabricante na porca que prende o pivô a manga de eixo. 

 

Alinhamento e orientação ao cliente 

Após qualquer intervenção na suspensão ou direção, o alinhamento é obrigatório. A substituição da bandeja e do terminal altera diretamente os ângulos de convergência, divergência e caster. “O pneu é caro, a bandeja é barata”, informa Eduardo Guimarães. Orientar o cliente sobre manutenção preventiva é uma medida que preserva a segurança, reduz custos e valoriza o serviço técnico realizado na oficina. 

 

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