terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

BorgWarner fecha acordo para fornecer turbina VTG a para híbridos Stellantis

A BorgWarner firmou um novo acordo com um fabricante europeu de equipamentos originais (OEM) para o fornecimento de seu turbocompressor de geometria variável (VTG) destinado a uma plataforma de veículos híbridos (HEV). O contrato marca a entrada da empresa na base global de fornecedores que equipará uma das primeiras ofertas híbridas Stellantis no mercado norteamericano.

A tecnologia VTG da BorgWarner permite controle preciso do funcionamento do motor ao longo de uma ampla faixa de rotações, contribuindo para ganhos de eficiência, melhor economia de combustível e redução de emissões. O sistema utiliza aletas de geometria variável acionadas eletricamente, que regulam a pressão da turbina em baixos regimes e garantem resposta rápida, além de manter a entrega de potência em altas rotações.

Desenvolvido sob medida para atender às limitações de espaço da plataforma do OEM, o turbocompressor incorpora uma carcaça de turbina atualizada, projetada para se adaptar ao pacote disponível e melhorar o desempenho transiente do conjunto. Segundo a BorgWarner, a solução também permite a integração de estratégias avançadas de combustão, alinhadas às exigências de eletrificação parcial dos sistemas híbridos.

“O fornecimento da tecnologia VTG para esta plataforma HEV reforça uma parceria de longa data baseada em qualidade e confiabilidade”, afirmou Dr. Volker Weng, vice-presidente da BorgWarner Inc. e presidente da divisão de Turbos and Thermal Technologies. De acordo com o executivo, a experiência acumulada em aplicações semelhantes na Europa foi determinante para a ampliação do relacionamento comercial na América do Norte.

O turbocompressor ainda se destaca por soluções voltadas à durabilidade e ao conforto acústico. O rotor do compressor passa por tratamento de shot-peening, processo que aumenta a resistência mecânica e a vida útil do componente, atendendo aos requisitos de desempenho sustentável. Já a saída do compressor conta com um silenciador integrado, desenvolvido para reduzir os níveis de ruído percebidos no interior do veículo.

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Substituição da bandeja de suspensão do Volkswagen Fox

As verificações a cada 10 mil km podem evitar desgastes acelerados dos componentes de suspensão. Confira detalhes de diagnóstico e boas práticas de manutenção 

texto Vitor Lima   fotos Diego Cesilio  

A análise criteriosa do sistema de suspensão é uma das etapas mais importantes da manutenção automotiva, sobretudo quando o objetivo é preservar a segurança, o conforto e a durabilidade dos demais componentes do veículo. De acordo com o consultor de assistência técnica da Nakata, Eduardo Guimarães, no Volkswagen Fox 2010, modelo amplamente presente nas oficinas brasileiras, a suspensão dianteira segue um conceito relativamente simples, porém altamente sensível à falta de manutenção preventiva. A negligência nesse sistema pode resultar não apenas em desgastes acelerados, mas também em falhas graves de dirigibilidade. 

Do ponto de vista técnico, a suspensão pode ser entendida como um conjunto dinâmico responsável por unir o monobloco às rodas, mantendo os pneus em contato permanente com o solo e absorvendo as irregularidades da via. É esse sistema que garante estabilidade em curvas, conforto em pisos irregulares e controle direcional em frenagens e acelerações. 

 

Arquitetura e funcionamento do sistema de suspensão 

O sistema de suspensão é composto por diferentes componentes que trabalham de forma integrada. As molas são responsáveis por suportar o peso do veículo e absorver a energia dos impactos. Os amortecedores controlam o movimento das molas, impedindo oscilações excessivas após a passagem por irregularidades. Os pivôs permitem o movimento rotacional e angular da roda, enquanto as buchas de borracha atuam como elementos elásticos de ligação, reduzindo vibrações e ruídos metálicos. Complementando o conjunto, a barra estabilizadora limita a rolagem da carroceria em curvas, sendo conectada à suspensão por meio das bieletas.

Dentro desse conjunto, a bandeja de suspensão, também conhecida como braço oscilante, exerce papel estrutural fundamental. 

A bandeja pode ser comparada ao “joelho” da suspensão dianteira. Fabricada em aço estampado ou forjado, geralmente com formato triangular, ela conecta o conjunto da roda ao chassi por meio de buchas de borracha e, na extremidade oposta, à manga de eixo através do pivô. Essa configuração permite o movimento vertical controlado da roda, sem que haja deslocamentos longitudinais ou laterais indesejados. 

Na prática, a bandeja é responsável por manter estáveis os ângulos de caster e camber durante a condução. Ao transpor um buraco ou valeta, ela oscila para cima e para baixo, absorvendo parte do impacto e preservando o alinhamento da suspensão. Quando essa peça apresenta empenamento, fadiga estrutural ou buchas rompidas, ocorre perda de precisão geométrica, resultando em desgaste irregular de pneus e sensação de instabilidade, frequentemente descrita pelo cliente como “carro solto”. 

 

Integração com o terminal de direção 

Embora pertença ao sistema de direção, o terminal trabalha diretamente acoplado à suspensão. Trata-se de uma articulação esférica de alta precisão, responsável por transmitir às rodas o movimento gerado no volante. Ao girar o volante, a força percorre a caixa de direção, a barra axial e chega ao terminal, que converte o movimento linear em rotação da roda. 

O pino esférico interno do terminal permite que esse movimento seja mantido mesmo quando a roda sobe e desce constantemente em função da suspensão. Em situações reais de uso, como ao fazer uma curva sobre um piso irregular, o terminal mantém o ângulo de esterçamento enquanto a bandeja absorve o impacto vertical, demonstrando a interdependência desses componentes. 

 

Diagnóstico e identificação de desgastes 

O diagnóstico começa sempre pela escuta atenta do relato do cliente, seguida de inspeção visual e testes práticos. No Volkswagen Fox, é comum a ocorrência de falhas com baixa quilometragem, especialmente em condições severas de rodagem. A durabilidade dos componentes não é fixa e depende de fatores como estado das vias, carga transportada, manutenção da geometria e integridade das coifas protetoras. 

A ruptura das coifas é um dos principais gatilhos para falhas em pivôs e terminais. Com a entrada de água e sujeira, ocorre a contaminação ou perda da graxa, acelerando o desgaste do pino esférico. Além disso, a fadiga natural do aço estampado da bandeja pode gerar trincas ou deformações ao longo do tempo. 

Outro ponto crítico é a interdependência do sistema. Uma bucha rompida gera movimentações anômalas que sobrecarregam amortecedores, pneus e demais articulações. A ausência de inspeções periódicas transforma falhas simples em problemas complexos e perigosos. 

Entre os sinais mais comuns de alerta estão o desgaste irregular dos pneus, especialmente nas bordas internas, indicando alteração de cambagem ou convergência; instabilidade direcional, com o veículo puxando para um dos lados; ruídos metálicos ao transpor irregularidades; e variação perceptível de caster durante acelerações e frenagens. “A bucha traseira da bandeja, se estiver rompida, permite essa variação de caster, deixando o carro totalmente impreciso”, destaca o consultor. 

Durante a inspeção, devem ser avaliadas a integridade das buchas da bandeja, a presença de folga e o estado da coifa do pivô, a folga axial do terminal de direção e axial e as condições das bieletas e buchas da barra estabilizadora. Em condições normais, pivôs e terminais costumam durar entre 60 e 70 mil quilômetros, mas esse intervalo pode ser drasticamente reduzido quando há falhas de vedação ou uso severo. 

A folga no pino esférico do terminal compromete diretamente a precisão da direção e pode causar o fenômeno conhecido como shimmy, caracterizado por vibrações sentidas no volante. Esse sintoma é frequentemente confundido com desbalanceamento de rodas, quando na realidade tem origem no sistema de direção. 

 

Procedimento de desmontagem 

 

1) Antes de iniciar o serviço, o veículo deve estar corretamente apoiado e as ferramentas adequadas separadas. Comece retirando as rodas do veículo.  

 

2) Na bandeja de suspensão, inicia-se pela soltura do pivô, liberando-o da manga de eixo.  

3) Em seguida, remove-se o parafuso principal de fixação da bandeja ao agregado, permitindo a retirada completa da peça.  

 

4) No caso do terminal de direção, recomenda-se marcar a posição original ou contar o número de voltas da rosca antes da remoção, garantindo um pré-alinhamento na montagem. Utilize uma chave 22 mm para afrouxar a contraporca da barra axial.  

 

5) A porca autotravante do pino esférico deve ser solta com auxílio de uma chave Allen para travar o pino e uma chave estriada 19 mm para soltar a porca.  

 

6) O uso de um extrator é indispensável para desencaixar o terminal sem danificar o montante. Porém, neste caso, o pino esférico saiu com pouca interferência, assim, demonstrando que o componente já não apresentava boas condições de uso.  

 

Análise dos componentes e comparativo entre peças novas e usadas 

 

7) Ao analisar o terminal removido, foi encontrando a coifa totalmente rompida e ausência de graxa, resultando em folga excessiva.  

8) Já a peça nova apresenta pré-carga perceptível, garantindo precisão no funcionamento. Os sistemas modernos utilizam porcas autotravantes do tipo Parlock, eliminando a necessidade de cupilhas. Verifique se o novo componente está correto para aplicação, pois, qualquer alteração de ângulo que o terminal possa ter, compromete o trabalho do conjunto.  

9) Verifique as bandejas de suspensão. No caso da bandeja aplicada pela Nakata, o componente já vem com o novo pivô de suspensão instalado.  

Montagem 

 

10) A montagem deve seguir a ordem inversa da desmontagem, com atenção rigorosa aos detalhes. Instale o novo terminal de direção e aperte a porca que prende o pino esférico a manga de eixo.  

11) No terminal de direção, o rosqueamento deve respeitar a marcação original, seguido do aperto da porca autotravante e da contraporca da barra axial.  

12) É fundamental identificar corretamente o lado da bandeja. Com a bucha traseira da bandeja de suspensão instalada, passe uma fina camada de vaselina neutra para facilitar o encaixe e evita ressecamento precoce.  

13) O pivô deve ser encaixado cuidadosamente na manga de eixo, preservando a integridade da coifa. Aperte a porca que prende o pivô à manga de eixo.  

Obs.: O torque final dos parafusos das buchas de suspensão deve ser aplicado somente com o veículo apoiado no solo ou em rampa de alinhamento. Esse procedimento evita que a bucha trabalhe torcida, o que levaria à falha prematura. De o torque especificado pelo fabricante na porca que prende o pivô a manga de eixo. 

 

Alinhamento e orientação ao cliente 

Após qualquer intervenção na suspensão ou direção, o alinhamento é obrigatório. A substituição da bandeja e do terminal altera diretamente os ângulos de convergência, divergência e caster. “O pneu é caro, a bandeja é barata”, informa Eduardo Guimarães. Orientar o cliente sobre manutenção preventiva é uma medida que preserva a segurança, reduz custos e valoriza o serviço técnico realizado na oficina. 

 

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Fras-le amplia portfólio e reforça cobertura dos modelos mais vendidos do Brasil

A Fras-le acelera o lançamento de novas aplicações para garantir ampla cobertura da frota dos veículos mais vendidos do País. A fabricante já soma mais de 20 aplicações de pastilhas de freio dianteiras e traseiras nas linhas Advanced e Ceramaxx, com foco nos líderes de emplacamento.

Cobertura para os principais modelos

Entre os destaques da Fiat, a Fras-le atende Argo, Fastback, Pulse, Toro e o líder de vendas em 2025, Strada, com aplicações nas linhas Advanced e Ceramaxx.

Para a Chevrolet, há pastilhas para Onix e Tracker. Já na Volkswagen, a cobertura contempla Nivus, Polo, T-Cross e Tera.

O portfólio também inclui aplicações para modelos da Caoa Chery (Tiggo), Honda (HR-V), Hyundai (Creta e HB20), Jeep (Compass), Nissan (Kicks) e Toyota (Corolla Cross).

Foco também nos eletrificados

Atenta ao crescimento dos eletrificados no Brasil, a Fras-le também oferece pastilhas para o BYD Dolphin Mini e para modelos da GWM, como o Haval, ampliando a cobertura em segmentos que ganham cada vez mais participação na frota nacional.

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Randon vence Prêmio Lótus Campeão de Vendas pelo segundo ano consecutivo

Foto: Fernanda Freixosa

A Randon conquistou, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Lótus Campeão de Vendas como líder em vendas no mercado brasileiro de implementos rodoviários. Em 2025, a companhia recebeu oito certificações, incluindo o principal reconhecimento como Marca de Implemento Rebocado, pela liderança geral no país.

O levantamento considera o volume de implementos licenciados no Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), com dados divulgados pela Fenabrave.

Além da liderança geral, a fabricante também ficou em primeiro lugar em sete famílias de produtos:

  • Basculante
  • Graneleiro/Carga Seca
  • Dolly
  • Tanque de Produtos Perigosos
  • Baú Frigorífico
  • Silo
  • Tanque de Aço Carbono

Segundo o diretor-superintendente Eduardo Dalla Nora, o reconhecimento reforça o compromisso da empresa com qualidade, segurança, eficiência operacional e rentabilidade para clientes e parceiros.

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LEAPMOTOR C10: Quais são os desafios de manutenção do “Ultra Híbrido” da Stellantis?

Aspectos de manutenção do híbrido de alcance estendido da Stellantis 

texto Vitor Lima   fotos Diego Cesilio  / Stellantis Divulgação 

Leapmotor C10 marca uma nova fase da eletrificação no mercado brasileiro. Sob o guarda-chuva do grupo Stellantis, o modelo chega com uma proposta técnica pouco comum no país: trata-se de um veículo elétrico de alcance estendido, conhecido internacionalmente como EREV (Range Extended Electric Vehicle). Embora seja classificado comercialmente como híbrido, sua arquitetura mecânica e elétrica se distancia completamente dos híbridos tradicionais já conhecidos pelo reparador nacional. 

Nesse conceito, o veículo é sempre tracionado por um motor elétrico. O motor a combustão não possui ligação mecânica com as rodas, não existe câmbio convencional, embreagem ou conversor de torque. Toda a função do motor térmico é gerar energia elétrica para recarregar o pack de baterias de alta tensão. 

Segundo o especialista em manutenção automotiva Mário Bandeira, proprietário da Escuderia Car Service, localizada em São Paulo/SP, o conceito é simples, porém extremamente eficiente. “Temos aqui um motor que trabalha exclusivamente como gerador. Ele não traciona o carro em nenhum momento. Toda a movimentação é feita pelo motor elétrico”. 

Essa mudança de filosofia impacta diretamente a forma como o mecânico deve enxergar o veículo, principalmente no diagnóstico e na manutenção preventiva. 

 

Arquitetura geral do sistema híbrido 

O Leapmotor C10 é composto por quatro conjuntos principais que trabalham de forma integrada. O primeiro deles é o motor elétrico traseiro, responsável por toda a tração do veículo. Associado a ele está o conjunto redutor de marcha única, responsável por transmitir o torque às rodas traseiras. 

O segundo grande conjunto é o pack de baterias de alta tensão, instalado sob o assoalho do veículo. Esse conjunto armazena a energia responsável pela propulsão e também recebe carga tanto pela tomada externa quanto pelo motor a combustão. 

O terceiro sistema é justamente o motor térmico 1.5 aspirado, que atua exclusivamente como gerador. Por fim, o quarto conjunto é o sistema eletrônico de gerenciamento, responsável por controlar fluxo de energia, temperaturas, modos de condução e estratégias de carregamento. 

O resultado prático é que o condutor tem a sensação de dirigir um veículo totalmente elétrico, com torque imediato, aceleração linear e ausência total de trocas de marcha. 

 

Motor a combustão: construção e características 

O motor térmico do Leapmotor C10 é o H15R, um quatro cilindros 1.5 aspirado com injeção direta de 88 cv de potência e 12,7 kgfm de torque, que trabalha em ciclo Atkinson. Esse tipo de ciclo prioriza eficiência térmica, reduz consumo e é especialmente indicado para aplicações estacionárias. 

Por não atuar na tração, o motor não sofre picos de carga, variações bruscas de rotação ou esforço mecânico elevado. Sua operação é controlada eletronicamente conforme a necessidade de geração de energia.  Mário Bandeira destaca que, apesar do nível tecnológico do veículo, o coração mecânico permanece extremamente conhecido. “A manutenção desse motor é muito tranquila. Não tem nada de bicho de sete cabeças. É um motor convencional”.  O comando de válvulas utiliza corrente, eliminando a necessidade de substituições periódicas de correia dentada, o que reforça o foco em durabilidade. 

Capô aberto 

Do ponto de vista do mecânico, o motor apresenta acesso simples aos principais componentes. As quatro bobinas individuais (1) estão posicionadas na parte superior do cabeçote, assim como as velas de ignição, permitindo substituição rápida e sem desmontagens complexas. 

A central eletrônica do sistema de injeção também se encontra em posição acessível no cofre do motor (2), facilitando testes elétricos, medições e diagnóstico via scanner. 

Para realizar leituras de parâmetros ou testes ativos, é necessário habilitar o funcionamento do motor gerador por meio do menu de manutenção disponível na central multimídia do veículo. 

Mesmo não sendo responsável pela tração, o motor térmico do C10 atende integralmente às normas ambientais. O sistema conta com válvula EGR (3), trocador de calor dedicado, catalisador e duas sondas lambda, uma antes e outra após o catalisador (4). “O sistema EGR é bem projetado, bem dimensionado e de fácil manutenção”, comenta o mecânico. 

O posicionamento dos componentes permite inspeção e substituição sem grandes intervenções estruturais, algo positivo para a rotina de oficina. 

Um dos pontos técnicos mais relevantes do Leapmotor C10 é sua arquitetura tripla de arrefecimento. Diferentemente de veículos convencionais, o modelo possui três circuitos completamente independentes. 

O primeiro circuito é responsável pela refrigeração do motor de tração e gerador (5). O segundo circuito é dedicado ao motor e sistema de ar-condicionado (6) 

Já o terceiro circuito (7) é dedicado ao pack de baterias de alta tensão. Nesse sistema, o fluido refrigerante percorre todos os módulos internos da bateria, dissipando o calor gerado pelas reações químicas e retornando ao reservatório em um ciclo contínuo. 

Cada reservatório possui identificação própria, o que facilita o diagnóstico e evita erros durante manutenções. Porém, o líquido do sistema de arrefecimento deve ser substituído a cada 40 mil km ou 4 anos, o que ocorrer primeiro. O produto homologado é o OAT-25°C/ OAT-40°C e, para cada sistema, são diferentes capacidades volumétricas. 

Para o sistema de arrefecimento do motor a combustão e ar-condicionado são 8,4L com variação para mais ou menos de 0,4 litros. Já o sistema de arrefecimento do motor elétrico e do gerador são 7,9L com variação para mais ou menos de 0,4 litros. Por fim, o sistema de arrefecimento da bateria tem capacidade de 3L com variação para mais ou menos de 0,3 litros. 

Um dos aspectos que mais chamaram a atenção do profissional foi a escolha do fluido refrigerante. Apesar de ser um veículo eletrificado, o Leapmotor C10 utiliza o gás R134a, amplamente conhecido pelo mecânico brasileiro. “Enquanto uma carga de gás em híbridos modernos pode chegar a três mil reais, aqui estamos falando de um gás barato e fácil de encontrar”, destaca Mário Bandeira. 

O compressor do sistema, porém, é elétrico e alimentado por alta tensão. Ele é identificado pelos cabos laranja e exige procedimentos específicos de segurança. Qualquer intervenção nesse sistema requer a desativação do circuito de alta tensão por meio da chave de serviço, também conhecida como interlock. 

O Leapmotor C10 não utiliza servo-freio convencional a vácuo. No lugar da tradicional “panelona”, o sistema conta com um módulo eletro-hidráulico composto por motor elétrico e atuador hidráulico (8). 

Esse conjunto é responsável por gerar a pressão necessária para o sistema de freios, independentemente do funcionamento do motor térmico. 

O fluido utilizado é DOT 4, amplamente conhecido, e o reservatório possui grande capacidade (9). A substituição deve ocorrer a cada 40 mil km ou 2 anos, o que ocorrer primeiro. Porém, em caso de utilização severa do veículo, deve-se reduzir os períodos de troca pela metade. As pinças dianteiras contam com dois pistões e sistema flutuante, sem qualquer complexidade adicional para manutenção. 

 

Undercar 

Como citado acima, os itens do sistema de frenagem não trazem dificuldades ao mecânico e, para as pastilhas de freio, deve-se verificar a espessura do material de fricção. Caso seja inferior a 2 mm, é recomendável a substituição. Já o disco de freio, deve apresentar espessura superior a 26 mm para o conjunto dianteiro e 16 mm para o traseiro. Caso apresentem espessura inferior, devem ser substituídos. 

Na dianteira, o C10 utiliza suspensão McPherson, com bandejas triangulares, barra estabilizadora e manga de eixo em liga de alumínio (10). Na traseira, a suspensão é independente do tipo multi-link (11), com braços oscilantes, facão estrutural e bieletas. 

Para substituição do filtro de óleo do motor (12) e escoamento por meio do bujão no cárter, o mecânico não encontra nenhum tipo de dificuldade. Em manual, a Leapmotor informa que o óleo homologado atende as especificações 5W-30 API SN. 

A direção é elétrica, fornecida pela Bosch (13), e opera em baixa tensão, não oferecendo riscos adicionais ao mecânico. 

Todo o conjunto segue padrões amplamente conhecidos, permitindo alinhamento, substituição de componentes e reparos estruturais sem particularidades complexas. 

Na parte inferior do veículo encontram-se o pack de baterias de íons de lítio de alta tensão, com capacidade de total de armazenamento de 28,4 kWh, os dutos de arrefecimento e os cabos laranja protegidos por carenagens estruturais (14). 

Na traseira está instalado o motor elétrico de tração TZ220XY009, capaz de atingir 215 cv de potência e 32,6 kgfm de torque, responsável por mover aproximadamente duas toneladas de veículo (15). Acoplado a ele encontra-se o redutor de marcha única (16). 

Assim como ocorre nos modelos da Tesla, esse conjunto possui sistema próprio de lubrificação e filtro de óleo dedicado, o que exige manutenção periódica (17). É utilizado o lubrificante Idemitsu LP EDF-01, são 2 litros de capacidade para o sistema, que devem ser substituídos a cada 60 mil km, junto com o filtro. 

A bateria convencional de 12 volts não está localizada no cofre do motor. Seguindo tendência adotada por marcas como Volvo e BMW, ela fica posicionada sob o assoalho do porta-malas (18). Trata-se de uma bateria AGM, cuja substituição exige a remoção dos acabamentos internos traseiros. 

Considerações finais 

O Leapmotor C10 representa uma nova interpretação da eletrificação automotiva. Apesar do alto nível tecnológico, sua manutenção mecânica permanece acessível e extremamente próxima da realidade das oficinas independentes. “Você mecânico está deixando dinheiro na mesa se não trabalhar com esse carro. A mecânica básica continua sendo a mesma”, alerta Mário.

O modelo combina o melhor dos dois mundos: a dirigibilidade de um elétrico com a segurança operacional de um motor a combustão atuando como gerador. Para o mecânico, isso significa oportunidade de negócio, desde que haja capacitação, leitura técnica correta e respeito aos procedimentos de segurança. Diferente do que muitos imaginam, o futuro da mobilidade automotiva continua passando pela oficina mecânica. 

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