segunda-feira, 23 de agosto de 2021

O MECÂNICO AO VIVO: Kits de distribuição INA e dicas de aplicação

Confira nesta apresentação técnica as recomendações da INA, marca da Schaeffler, para a substituição de correias, tensionadores e rolamentos, incluindo dicas de montagem na VW Amarok e exemplos de falhas de campo.

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Forma correta de aplicar junta líquida no motor

junta líquida

Veja se você está usando da maneira certa os selantes automotivos à base de silicone nas uniões metálicas indicadas. Tanto o excesso quanto a escassez podem trazer problemas não só para a região aplicada como para todo o motor

 

Os selantes automotivos (ou juntas líquidas) podem ser encontrados em diversas cores, versões, embalagens e marcas. Mas, para fazer uso correto desse produto, o mecânico precisa saber distinguir quais são os tipos, as finalidades adequadas para cada variação e, também, como propriamente usar a junta líquida.

Não basta só “passar a cola” na peça. Pelo contrário: há um método certo de aplicação. Excesso ou escassez podem trazer problemas que vão afetar a qualidade geral do reparo.

Para entender por que o tipo do produto e a aplicação na quantidade correta são tão importantes, é necessário ter em mente que a junta líquida não tem como objetivo principal a função de ser um adesivo, mas sim, um selante¹.

São duas definições diferentes. Um adesivo seria o material responsável pela fixação entre as peças. Já o selante, apesar de aderir às faces das peças em que é aplicado, não substitui as fixações entre elas (porcas e parafusos) e tem a função de preencher um determinado espaço entre essas peças para permitir a regularidade do contato e promover a estanqueidade dessa união¹ – ou seja, é exatamente a função de uma junta.

junta líquida

Silicones oxímicos podem ser aplicados em cárter de motor

Logo, a alcunha “junta líquida” usada para denominar genericamente esses silicones automotivos, faz todo o sentido. Não é errado chamar a junta líquida de adesivo, mas, com essa diferenciação de finalidades em mente, já é possível compreender que se um selante tiver maior resistência (ou seja, “colar mais”) não quer dizer que ele seja o melhor ou o mais adequado.

Existem fatores além da resistência mecânica que também influenciam para determinada função, tais como resistência à temperatura, flexibilidade, tipo de fluido com que terá contato, tempo de cura, entre outros¹.

Se qualquer selante (ou adesivo) servisse para qualquer aplicação, as fabricantes de automóveis e motores não determinariam produtos diferentes para pontos diferentes do mesmo motor ou sistema. E, além do mais, o mecânico que já pegou pela frente uma bomba d’água ou uma carcaça de válvula termostática “colada” com junta líquida sabe o tamanho do problema quando há uso indiscriminado de um produto de alta aderência onde ele não deveria ser aplicado. A aplicação correta, portanto, influencia diretamente na qualidade do reparo.

junta líquida

SELANTES OXÍMICOS, ANAERÓBICOS E ACÉTICOS

Basicamente, existem basicamente três tipos de selantes automotivos, bem diferentes entre si. As juntas líquidas com base de silicone e cura oxímica são as mais comuns no mercado. “Esse produto permite uma vedação sem corrosão e com baixo odor, que não vai ter contração e aparecimento de fissuras no cordão com o excesso de temperatura”, explica o engenheiro de Desenvolvimento de Novos Produtos da Sika, Victor Santos. A Sika tem dois silicones oxímicos em sua linha automotiva: cinza (Sika Grey, até 230°C) e preto (Sika Black, até 260°C).

“Ambos são da mesma família e possuem ótima propriedade de resistência química contra os efeitos dos fluidos do motor”, complementa. Os selantes desse tipo são indicados para união de duas peças forjadas ou de uma peça usinada com outra peça forjada. “Podemos indicar estes produtos, cinza e preto, para caixa de câmbio, cubo de roda, tampa de transmissão e vedação do cárter do motor, que é a aplicação mais conhecida”, afirma Victor.

Porém, eles não são indicados para vedações de dois flanges metálicos usinados, como, por exemplo, bloco e sub-bloco no motor. “Quando você junta duas peças usinadas que formam uma união 100% plana, praticamente não sobra folga para o adesivo permanecer ali.

Se o silicone de alta temperatura (preto) for aplicado nessa condição, ele vai ser praticamente expulso durante o aperto e não haverá uma estanqueidade correta. Isso sem falar na temperatura muito elevada nessa região. Por isso, o indicado para esse tipo de aplicação é usar um produto de tecnologia anaeróbica”, observa o especialista.

Embora fabricantes de automóveis utilizem selantes oxímicos no motor em faces flangeadas nas linhas de montagem, a aplicação é muito controlada, utilizando robôs que garantem a precisão da forma do cordão, quantidade de material e posição, algo muito difícil de reproduzir na oficina.

junta líquida

Uma aplicação manual em local semelhante seria muito difícil de fazer sem criar sobras que possam secar e ir em direção aos dutos de lubrificação, causando entupimento. Os selantes anaeróbicos, indicados nesse caso, também criam um “filme” de vedação na área de contato, que acaba gerando alguma sobra.

Mas, como o produto seca no metal pela ausência de oxigênio, o excesso se dissolve no óleo sem maiores consequências desde que, claro, o selante anaeróbico seja aplicado na forma e quantidade corretas.

Por fim, os selantes de cura acética são menos usados na indústria automotiva, pois, podem provocar corrosão em ferro e são recomendados apenas para algumas aplicações específicas que não são suscetíveis a corrosão. O silicone da Sika com essas características é da cor vermelha e pode suportar temperaturas de até 300°C. Ele se caracteriza durante a cura pelo odor semelhante a vinagre.

APLICAÇÃO CORRETA E INCORRETA

Para demonstrar como fazer a aplicação da maneira mais indicada a evitar problemas de sobra de material ou vazamento, Victor Santos usou como exemplo uma aplicação de cárter de óleo na superfície flangeada de um sub-bloco – o motor utilizado foi um Fiat 1.4 Fire, utilizado para demonstração e estudo. O engenheiro também demonstrou duas formas incorretas de aplicação para ilustrar quais são as consequências do excesso e da falta de material.

1) Antes da aplicação, a limpeza das duas faces é essencial. Existem produtos no mercado específicos para remoção de selante à base de silicone. Após a aplicação, utilize ferramentas que não danifiquem as faces de contato. No cárter, é possível tirar os excessos com movimentos cuidadosos usando uma espátula fina (1a), mas na face flangeada do sub-bloco, utilize uma ferramenta plástica macia, que não afete a usinagem (1b).

junta líquida

junta líquida

Obs: Após abrir o tubo da junta líquida, rosqueie bem o bico aplicador para que não haja vazamento de silicone durante a aplicação nem permita a entrada de ar e umidade, que pode curar o material antes da hora. Para aplicações automotivas, corte a ponta do bico sempre no diâmetro menor. “Com isso, há mais controle da quantidade de produto na aplicação”, ressalta o engenheiro da Sika.

2) Esta é a aplicação da forma recomendada pela fabricante do silicone (2a). Victor destaca que o cordão deve ser contínuo, passando por trás dos furos. Não é recomendado usar ferramentas para “espalhar” o material sobre a superfície: o que promove a vedação correta é a continuidade do cordão e a quantidade adequada de junta líquida. Ao fechar o cordão, complete a volta do silicone ao redor dos furos. Isso é importante para garantir a estanqueidade (2b).

junta líquida

junta líquida

3) No mesmo cárter, o engenheiro da Sika fez duas aplicações erradas em áreas diferentes da peça para comparação. Esta é a aplicação de junta líquida em excesso.

junta líquida

4) E esta é a aplicação com falta de material.

junta líquida

5) Victor recomenda sempre instalar a peça imediatamente após a aplicação da junta líquida. Conforme o material tem contato com a umidade do ar, ele começa a curar. “Se você esperar para aplicar a peça, o silicone vai formar uma película em sua superfície e pode não mais ter adesão à outra face da união. Ele deixa de ser um selante químico para ser apenas um selante mecânico”, explica o especialista. O tempo de cura ao ar livre pode ser de poucos minutos.

junta líquida

6) Para deixar o exemplo tão realista quanto possível, Victor instalou o cárter com todos os parafusos e porcas e aplicou o torque recomendado em cada um (10 Nm) de dentro para fora em ordem cruzada (6a).

junta líquida

Note que a aplicação em excesso inundou os furos já no apoio da peça, gerando risco de calço e falso aperto nos parafusos, o que certamente poderia causar vazamentos de óleo com o motor em uso (6b).

junta líquida

7) Victor soltou o cárter e demonstrou os resultados de cada aplicação. No sub-bloco, onde foi feita a aplicação correta (7a), note que há um pequeno excesso para dentro, mas que ficou firme na remoção do cárter, o que é ideal e não gera risco.

junta líquida

O filme de vedação ficou uniforme e o entorno dos furos, preenchido. No cárter, houve sobra apenas para o lado de fora, o que não é problema (7b).

junta líquida

8) Na aplicação com silicone em demasia, a sobra ficou tanto para o lado externo quanto para o lado interno. O excesso interno, além do tamanho, se soltou em parte na remoção do cárter e poderia se desprender com o motor em funcionamento, invadir as galerias de óleo e causar entupimento.

“O excesso de material muitas vezes parece ser uma coisa positiva para a aplicação, mas não é”, adverte o especialista, ressaltando que esse erro pode causar grande retrabalho em caso de prejuízos à lubrificação do motor.

junta líquida

9) Na aplicação com falta de junta líquida, o filme de vedação entre as peças parece adequado, mas basta um desnivelamento no cárter para haver vazamento. Além disso, no exemplo feito por Victor, não havia material suficiente para garantir a vedação em dois dos três parafusos por onde o cordão passou, e poderiam ser focos de vazamento.

junta líquida

Obs: Para não perder material para as próximas aplicações no tubo de junta líquida, a dica é deixar um pouco de material na ponta do bico aplicador e deixá-lo curar, “como se o produto fosse a própria tampa”, explica Victor. Isso permite que o restante do material dentro do bico aplicador permaneça pronto para uso. Quando for a hora, basta romper essa ponta de material no bico e usar novamente.

 

SAIBA MAIS: Confira o vídeo completo no site Curso do Mecânico

 

Texto & fotos Fernando Lalli

 

 

¹ Com informações do artigo “Montagens com selantes automotivos e travas químicas: mitos e verdades” (LANDULFO, Fernando, Revista O Mecânico ed. 321, janeiro/2021)

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Mobil tem novo curso gratuito sobre lubrificação

Curso Mobil

Segundo curso gratuito da Mobil em parceria com o Curso do Mecânico aborda novas tecnologias de lubrificantes para motores diesel de picapes e SUVs

 

A Mobil lança o segundo módulo do curso online e gratuito para mecânicos sobre lubrificação para novos motores a diesel com a classificação ACEA C2/C3. O curso está disponível na plataforma do Curso do Mecânico, oferecendo capacitação e qualificação profissional, além de gerar um certificado de conclusão.

Composto por duas aulas, o curso abordará as novas tecnologias de óleos lubrificantes, que atendem às especificações ACEA C2 e C3, recomendadas para motores a diesel de picapes e SUVs .

Além disso, o curso apresenta quais são os órgãos classificadores e como funciona a normatização dos lubrificantes, além das características dos novos motores a diesel e como eles demandam óleos mais apropriados. Por fim, você terá os argumentos necessários para poder explicar tudo isso ao seu cliente na hora da troca do óleo.

A apresentação é do Rodrigo Ferrugem, mecânico do Rubinho Barrichello na equipe Mobil Full Time, na Stock Car em parceria com Thiago Correa, consultor técnico da Mobil.

A metodologia do curso consiste em videoaulas e avaliações no formato “quiz” para reforço da memorização do conteúdo ministrado. Há ainda material de apoio que você pode baixar, com conteúdo detalhado e organizado para consulta durante e após as aulas.

Saiba mais sobre cada aula:

Aula 1

A primeira aula apresenta os Órgãos Classificadores, a norma ACEA e o ganho de relevância desta norma no Brasil e a categoria ACEA C, com ênfase nas classes C2 e C3.

Aula 2

A segunda aula detalha as diferenças entre os motores Ciclo Otto e Ciclo Diesel e o porquê do diesel necessitar da aplicação de um lubrificante mais adequado. Também, faz um pequeno resumo das tendências de motorização, adotadas nos propulsores modernos para poder atender às normas ambientais vigentes, além de mostrar os sistemas de pós-tratamento nesses motores. Para concluir, esta aula traz dicas para evitar problemas com o filtro de partículas do diesel (DPF).

O curso é destinado a mecânicos, estudantes de mecânica automotiva, profissionais do setor de manutenção automotiva, proprietários de oficina e centros automotivos e profissionais de autopeças.

CLIQUE AQUI PARA SE INSCREVER NO CURSO GRATUITO

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Rede de oficinas Bosch completa 100 anos

Rede de oficinas Bosch completa 100 anos

Rede Bosch Car Service é a maior rede de oficinas independentes do mundo com mais de 16 mil unidades em 150 países

 

A Bosch celebra os 100 anos da inauguração da primeira oficina de sua rede. Inaugurada em 1921 na cidade de Hamburgo, Alemanha, a oficina nasceu da necessidade que Robert Bosch, fundador da empresa, reconheceu de estabelecer uma rede de centros de reparo para instalar e consertar os seus produtos.

Ali nascia a rede, hoje chamada de Bosch Car Service, que se tornou a maior rede de oficinas independentes do mundo com mais de 16 mil unidades em 150 países, segundo a empresa.

Rede de oficinas Bosch completa 100 anos

No Brasil, as oficinas de serviços Bosch estão presentes desde a década de 50. O conceito Bosch Car Service chegou ao Brasil em 2001, sendo o primeiro país a receber a bandeira depois da Alemanha.

Hoje são mais de 1.430 oficinas no Brasil (950 Bosch Car Service, 390 Bosch Truck Service e Diesel Center e 97 Bosch Centro de Direções, essa última especializada em sistemas de direção para veículos pesados). Até 2028, o objetivo é ter mais de 1.800 oficinas Bosch Service na América Latina.

De acordo com a Bosch, as oficinas recebem apoio por meio de equipamentos para diagnóstico e reparação de ponta, logística eficaz de peças de reposição, estratégias de gestão e marketing, treinamentos técnicos e comerciais, além de suporte de consultoria especializada Bosch.

Rede de oficinas Bosch completa 100 anos

A empresa ressalta que as oficinas estão preparadas para atender as necessidades e exigências dos clientes em um único lugar, dentro do conceito “de para-choque a para-choque”.

Dentre os principais serviços prestados estão: troca de óleo e lubrificantes, alinhamento e balanceamento, sistemas de freios, mecânica geral, suspensão, ar-condicionado, escapamento, direção hidráulica, entre outros. Uma nova modalidade para serviços rápidos em leves, chamada Express, está surgindo neste ano no país e já tem 5 oficinas credenciadas, podendo passar a 20 até dezembro.

Em entrevista à imprensa especializada, o vice-presidente da divisão Automotive Aftermarket da Bosch, Delfim Calixto, declarou que a rede Bosch Car Service é o motor que move o braço da empresa voltado à reposição.

“A oficina é o pilar estratégico mais importante da nossa divisão, por isso a importância de celebrar esses 100 anos. É para mim aquele motor que move nossa divisão, porque a oficina é quem está em contato no dia a dia com a reparação do carro”, apontou o executivo.

Confira o vídeo institucional:

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Abílio Responde: Retífica no motor 1.0 TSI

Retífica no motor 1.0 TSI

Como está a questão da retífica de cilindros do motor VW 1.0 TSI 3-cilindros? É permitida?

Marcelo Valério dos Santos
Via Portal O Mecânico

 

O bloco desse motor não aceita retífica. Uma vez que o bloco necessite de reparo, por ovalização e/ou conicidade, deve ser trocado o motor parcial. O cabeçote também não pode receber retífica.

 


A cada edição da Revista O Mecânico, respondemos dúvidas dos leitores sobre manutenção automotiva e cuidados com o veículo na seção Abílio Responde. Mande sua mensagem para: redacao@omecanico.com.br

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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Por que o módulo de combustível do VW up! TSI tem 5 pinos?

Imersa no tanque, a bomba de combustível de baixa pressão do VW up! não é convencional. O sistema trabalha por demanda de combustível, com um módulo específico chamado DECOS (“Demand Control System”, ou “sistema de controle de demanda”). Confira neste vídeo como o sistema de alimentação trabalha, a que sinal cada pino do módulo DECOS se refere e a análise de sinais.

 

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7 Atitudes Que Fazem de Você um Condutor de Risco

Você se considera um bom condutor ou um condutor de risco? Saiba que existem algumas atitudes que, se cometidas no trânsito, podem incluí-lo no quadro dos condutores “barbeiros” do nosso país – o que, na verdade, é bastante perigoso, uma vez que dirigir com falta de cuidado e desrespeitando as leis de trânsito pode causar graves acidentes. Está começando a sua vida de motorista agora e quer saber os principais cuidados que devem ser tomados na direção para, definitivamente, você não se tornar um condutor de risco? Então, leia este artigo e conheça algumas atitudes que não podem ser cometidas na direção.

Praticar um trânsito consciente não é uma tarefa fácil. Dirigir envolve uma série de questões, e não somente o conhecimento sobre como utilizar o veículo.

Às vezes, você está muito estressado com o trabalho, com pressa de chegar a algum lugar ou, simplesmente, não está em um dia bom e acaba se desligando do trânsito ou descontando seus problemas nos demais condutores que estão trafegando na mesma via que você.

É sempre importante lembrar que o respeito, em todas as circunstâncias, deve ser o fator que permeia as nossas relações, seja com pessoas próximas ou desconhecidas.

No trânsito não é diferente. As atitudes dos condutores devem sempre visar o respeito e a cooperação, fatores que nos ajudam a desenvolver a nossa cidadania no trânsito.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece regras de conduta que motoristas e pedestres devem assumir para que haja segurança nas estradas e rodovias.

Portanto, ser cidadão no trânsito compreende obedecer às normas impostas pelo CTB, tais como não dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência, conforme é estabelecido no art. 165, por exemplo, pois, ao fazer isso, você coloca a sua vida e a de outras pessoas em risco.

Exercer a sua cidadania é pensar não somente na sua segurança, mas também na de seu próximo. E, mais do que isso, é cooperar para que o trânsito seja organizado e tenha um bom funcionamento.

Foi pensando nisso que resolvi ajudá-lo a desenvolver a sua cidadania no trânsito.

Às vezes, dominados pela pressa, por exemplo, acabamos cometendo algumas ações que ferem a legislação de trânsito e colocam em risco a segurança de outras pessoas.

Você pode, inclusive, até não perceber que está cometendo algum erro, o que é absolutamente normal.

Mas, a partir de hoje, você não terá mais desculpas.

Separei 7 erros mais comuns cometidos pelos condutores para que você possa exercer a sua cidadania no trânsito e, dessa maneira, evitar acidentes e desentendimentos.

Acompanhe este artigo até o final e descubra quais dessas infrações você tem cometido e precisa urgentemente abandonar para não ser um condutor de risco.

Boa leitura!

 

Condutor de Risco X Seguro Automotivo Mais Caro: Entenda Essa Relação

Antes de mencionar quais são as 7 atitudes que fazem qualquer motorista se tornar um condutor de risco, é importante que você saiba que uma postura irresponsável no trânsito também pode acarretar outros problemas para o condutor – inclusive financeiros.

Nesse caso, não estou me referindo somente ao pagamento de multas.

Existem alguns parâmetros que são considerados pela seguradora antes de estabelecer qual será a cotação do seguro (claro, se você se preocupa com a sua segurança e a do seu veículo, certamente irá contratar o serviço de seguro, certo?).

Nesse sentido, um dos fatores que são levados em consideração, antes da definição do preço que será cobrado para quem contrata o seguro, é baseado em um questionário de risco, que avalia os hábitos do motorista.

Quesitos como idade, sexo e número de jovens que poderão dirigir o automóvel da casa estão presentes nesse tipo de questionário. Porém, há outra informação que interessa às seguradoras e que vai ao encontro do tema que abordo neste artigo: o histórico de multas e acidentes do condutor.

O que isso quer dizer é que, quanto melhor for o desempenho do motorista (quanto menos infrações e acidentes de trânsito ele tiver cometido, por exemplo), menor será o valor cobrado pelo seguro.

Além disso, o bom comportamento do condutor, em alguns casos, também pode contar pontos para possíveis outras seguradoras (se o cliente resolver trocar de empresa).

Outros quesitos também são levados em conta para a seguradora, além do histórico do condutor, tais como o modelo e a marca do veículo e alguns fatores de risco, como ausência de garagem, o local onde reside o motorista, e o próprio uso do veículo (se para trabalho, lazer etc.).

Portanto, tenha cuidado e procure sempre agir conforme determinam as leis de trânsito, uma vez que essa atitude também pode ser utilizada a favor do seu bolso no momento de contratar uma seguradora.

A seguir, veja quais são as 7 atitudes não devem ser cometidas pelos motoristas a fim de que eles não entrem no temido quadro dos condutores de risco.

 

1.   Ultrapassar Em Linha Contínua Dupla ou Simples na Contramão

Ultrapassar em linha contínua é proibido de acordo com o CTB

Imagine a seguinte situação.

Você está viajando a trabalho, tem hora para chegar ao seu destino e a sua frente tem um motorista trafegando a uma velocidade muito lenta.

O que você faz?

A solução mais rápida e eficiente que encontramos em situações como a que acabei de apresentar a você é a ultrapassagem.

A grande questão é que as estradas apresentam marcações que determinam se a ação é ou não permitida, e muito motoristas parecem não respeitar a sinalização.

As faixas de sinalização apresentam características que determinam o comportamento que o condutor deve adotar naquela pista.

Quando você estiver trafegando em uma estrada com linha contínua dividindo a pista, por exemplo, é importante saber que não pode realizar nenhum tipo de ultrapassagem.

A linha contínua, podendo variar entre simples ou dupla, indica que, naquele trecho da pista, o condutor está proibido de realizar todo e qualquer tipo de ultrapassagem ou desvio.

O CTB prevê, como penalidade, multa para os motoristas que infringem o que está estabelecido no art. 203, inciso V.

Tal inciso aponta que ultrapassar pela contramão onde houver marcação longitudinal de divisão de fluxos opostos (linha dupla ou simples contínua) é uma infração gravíssima com multa com valor multiplicado cinco vezes como penalidade.

O valor da multa, como você pode ver no artigo, é multiplicada por cinco. Logo, se você for flagrado realizando ultrapassagem em trechos que apresentam linha contínua por um agente de trânsito, você deverá pagar o valor de R$ 1.467,35, que corresponde à multiplicação por cinco do valor de R$ 293,47, custo base da multa gravíssima.

Além disso, se você, dentro de 1 ano, voltar a cometer a infração, de acordo com o parágrafo único do artigo, deverá pagar o dobro do valor, ou seja, R$ 2.934,70.

Além da multa, o CTB estabelece, no art. 259, sete pontos em sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação) ao cometer uma infração gravíssima.

Portanto, se você se encontrar em alguma situação como a que apresentei no início deste tópico, veja se a sinalização permite a ultrapassagem. Se não permitir, seja paciente!

 

2.   Trafegar Com o Som Muito Alto

Quem não gosta de sair de um dia estressante de trabalho e ir para casa ouvindo a sua música favorita enquanto trafega em uma via movimentada?

Não há restrição de idade, a música alivia a tensão até dos mais estressados.

A questão é que algumas pessoas, para sentirem a música, utilizam o volume máximo, podendo, dessa forma, atrapalhar o trânsito.

A Resolução nº 624 do CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito), que regulamenta a fiscalização de sons produzidos por equipamentos utilizados em veículos, estabelece, em seu art. 1º, que é considerada infração de trânsito trafegar com som do equipamento audível do lado externo do veículo, perturbando o sossego alheio.

Escutar música, portanto, não é o problema; o CONTRAN só não permite que ele seja audível a ponto de ser escutado pelas pessoas que estão fora do veículo –havendo, assim, perturbação do sossego alheio.

Dessa maneira, se o fiscal de trânsito considerar que o som do seu veículo está incomodando os demais condutores, você estará cometendo uma infração de natureza grave (art. 228 do CTB) e será penalizado com a multa, tendo de arcar com R$ 195,23, além da retenção do veículo para regularização como medida administrativa.

Aliviar um estresse adquirindo outro não vale a pena. Reduza o volume para não arranjar encrencas com o DETRAN (Departamento Nacional de Trânsito).

 

3.   Não Respeitar a Preferência Dos Pedestres na Faixa Sinalizada

Respeite a faixa sinalizada para pedestres

Há dias em que nada dá certo, não é mesmo?

Você acordou atrasado, é dia de levar a sua esposa ao trabalho e a movimentação no tráfego não está cooperando.

Com isso, toda a oportunidade que tem de acelerar, você aproveita, inclusive nas faixas sinalizadas para a travessia de pedestres.

E isso, infelizmente, é uma prática realizada por grande parte dos condutores, não só por você.

A pressa faz com que os motoristas ignorem a sinalização, cometendo, assim, infrações de trânsito.

Saiba que deixar de dar preferência de passagem em interseções com sinalização de regulamentação de “Dê preferência”, conforme estabelece o art. 215 do CTB, é infração, independentemente de sua pressa.

O CTB prevê infração do tipo grave e multa no valor de R$ 195,23 a esses condutores apressadinhos que não dão a preferência nos locais sinalizados.

Além disso, o CTB também estabelece como infração média, no art. 217, a entrada e saída de veículos estacionados que não cedem preferência a pedestres e a outros motoristas.

Portanto, seja um motorista gentil e, sobretudo, consciente.

Dê preferência aos pedestres e respeite a sinalização de trânsito. Os seus compromissos sempre podem esperar alguns minutinhos. A sua vida e a dos demais cidadãos está em primeiro lugar.

 

4.   Dirigir Com o Braço Para Fora do Veículo

O verão chegou, e, infelizmente, o seu carro não tem ar condicionado.

Você entra no veículo após um dia de trabalho e ele está, simplesmente, fervendo. Você abre os vidros para resolver a questão, mas parece não adiantar, o calor é intenso e você não para de transpirar.

É bastante comum vermos motoristas que se encontram nessa situação colocarem o braço para fora do carro a fim de tomarem um ventinho.

O problema é que colocar o braço para fora do carro é infração, de acordo com a legislação de trânsito brasileira.

O art. 252 do CTB, no inciso I, estabelece que dirigir veículo com o braço do lado de fora é infração de classificação média e tem como penalidade a multa.

A intenção não é morrer de calor dentro do seu veículo, mas que nenhum acidente possa acontecer com você.

Muitos casos de condutores e passageiros que perderam o braço em situações como essa já foram registrados.

Obedecer ao regimento de trânsito é sinônimo de proteger-se.

Você consegue aguentar o calor mais um pouquinho, não seja um condutor imprudente. 

 

5.   Trafegar Pelo Acostamento

É a velha e famosa desculpa da pressa, não é mesmo?

Você tem hora para chegar a seu compromisso, não pode e não quer se atrasar, e o trânsito está engarrafado – sim, morar em cidade grande é sempre um caos quando o tema é o trânsito.

Você tem duas opções: driblar o engarrafamento ou esperar até que a via descongestione.

Qual delas você escolhe geralmente?

Se a sua opção é sempre a primeira, fique ligado: o art. 193 do CTB estabelece que  transitar pelo acostamento é uma infração gravíssima com multa (multiplicada três vezes) como penalidade.

O valor da multa para esses infratores fica R$ 880,41, que corresponde à multiplicação por três de R$ 293,47, valor da multa de natureza gravíssima.

Para além do transitar, você também não deve usar o acostamento para ultrapassar outro veículo, estacionar – salvo por motivos de força maior – ou parar o seu carro. A legislação não somente estabelece como infração tais ações, como prevê a multa em todos esses casos.

Dessa maneira, tente sair um pouco mais cedo de casa ou ligue para alguém avisando que chegará atrasado. A imprudência no trânsito pode trazer consequências sérias para a sua vida e para a de outros condutores, além de pesar no seu bolso.

 

6.   Trafegar Pela Faixa Exclusiva de Ônibus

Não trafegue pela faixa de ônibus, seja um condutor prudente!

Os apressadinhos de plantão sempre descobrem uma maneira de chegarem mais rápido a seus destinos.

Você não concorda comigo?

E a faixa de ônibus sempre se torna a saída mais fácil para driblar os veículos que parecem se arrastar a sua frente.

Não é mesmo?

Saiba que transitar na faixa ou via de trânsito exclusiva para ônibus é infração de natureza gravíssima, de acordo com o art. 184, inciso III, do CTB.

Portanto, você está proibido de trafegar por essa via, a menos que as suas razões sejam por força maior e com autorização do poder público competente.

O CTB estabelece a multa de R$ 293,47 e a remoção do veículo aos espertinhos que tentam utilizar a via para fugir do congestionamento.

Dessa maneira, drible a pressa e a ansiedade. Seja um condutor que pratica a cidadania no trânsito.

 

7.   Não Usar as Setas Indicadoras

Há motoristas que parecem nunca terem ouvido falar do famoso “pisca”. Não é mesmo?

Quantas vezes você já não passou pela experiência de ter um veículo a sua frente que, de repente, dobra a rua sem acionar a luz indicadora, atrapalhando, dessa forma, o fluxo do trânsito?

As setas indicadoras são muito importantes para o funcionamento do trânsito, pois sinalizam a intenção do condutor na via.

A legislação de trânsito, no art. 35 do CTB, estabelece que o condutor deve, antes de realizar toda e qualquer manobra, acionar, por meio da luz indicadora de direção do veículo, ou fazendo gesto convencional de braço, seu propósito na via.

Dessa maneira, para praticar um trânsito consciente, você precisa estar atento à via e, assim, avisar com antecedência a sua intenção aos demais condutores.

A sua atitude pode evitar acidentes e, mais importante, salvar a sua e a vida de outras pessoas.

Conclusão

Pratique a cidadania no trânsito e salve a vida de muitas pessoas!

Das 7 infrações que acabei de apresentar neste artigo, você costuma cometer alguma?

Se, antes, você não sabia que configuravam infração e que colocavam a vida de outros condutores em risco, agora não tem mais desculpas.

E, se sabia e, mesmo assim, as cometia, aconselho que busque uma postura mais responsável, uma vez que dirigir é algo sério.

É essencial que você desenvolva a sua cidadania no trânsito e, dessa maneira, proteja a sua vida e a de outros condutores e pedestres.

A paz no trânsito começa com a sua atitude de buscar ser o melhor motorista que puder ser, dando exemplo de respeito e cooperação.

Gostou do texto? Deixe, abaixo, a sua opinião ou comente sobre alguma atitude que você tenha enfrentado no trânsito e que pode motivar alguém a querer mudar os hábitos ao volante.

Da mesma forma, se você ficou com alguma dúvida sobre o tema abordado, deixe seu questionamento abaixo, para que eu o ajude a solucioná-la.

Também é importante que você compartilhe essas informações com seus amigos; quanto mais motoristas bem informados e conscientes, mais seguro será o trânsito do nosso país.

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