segunda-feira, 16 de março de 2026

PHINIA nomeia Camila Rocha como nova gerente global de marketing da Delphi

A PHINIA anunciou a nomeação de Camila Rocha como nova Gerente Global de Marketing da marca Delphi. A executiva passa a liderar as estratégias de comunicação e posicionamento da marca em nível mundial, com foco no fortalecimento da presença da Delphi tanto no mercado de reposição quanto no fornecimento de equipamentos originais.

Na nova função, Camila será responsável por coordenar as iniciativas de marketing e comunicação da Delphi em diferentes mercados, atuando na promoção do portfólio de produtos e no reforço do posicionamento da marca junto a distribuidores, oficinas e fabricantes de veículos.

A executiva também assumirá a gestão das comunicações institucionais e comerciais da Delphi em diversos canais, incluindo mídia impressa, plataformas digitais, comunicação eletrônica e redes sociais. O objetivo é ampliar a visibilidade global da marca e apoiar a estratégia de crescimento da empresa no setor automotivo.

Antes da nova nomeação, Camila Rocha atuava como Gerente Global de Eventos da PHINIA. Nessa função, foi responsável por liderar a participação da empresa em alguns dos principais eventos da indústria automotiva mundial. Entre eles estão o IAA (International Motor Show) e a Automechanika, em Frankfurt, na Alemanha, a AAPEX (Automotive Aftermarket Products Expo), em Las Vegas, nos Estados Unidos, e a Automec, realizada em São Paulo, um dos principais encontros do mercado de reposição da América Latina.

Com experiência em marketing estratégico e gestão de eventos globais, a executiva tem contribuído para ampliar a presença institucional da Delphi em mercados-chave do setor automotivo.

“Sou verdadeiramente apaixonada pelo que faço e orgulhosa de ter contribuído para o desenvolvimento da marca Delphi no Brasil nos últimos anos. Meu foco agora é fortalecê-la globalmente, conectando equipes, mercados e clientes por meio de uma visão integrada e colaborativa”, afirma Camila Rocha.

Segundo a executiva, a estratégia passa por ampliar o alinhamento entre os diferentes mercados e reforçar uma comunicação consistente baseada no conhecimento das demandas do setor e na proximidade com os profissionais da cadeia automotiva.

A Delphi é uma das principais marcas do portfólio da PHINIA no segmento de reposição automotiva, com atuação em sistemas de combustível, componentes elétricos e soluções voltadas à manutenção e reparação de veículos.

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GAC prepara produção no Brasil com uso da planta da Mitsubishi em Catalão (GO)

A GAC anunciou que utilizará a estrutura industrial da HPE Automotores, responsável pela operação da Mitsubishi Motors no Brasil, para iniciar sua produção local no país. A fabricação ocorrerá no complexo industrial de Catalão (GO), um dos principais polos automotivos do Centro-Oeste brasileiro. O anúncio será feito ao longo dessa sem a segundo apuração exclusiva do jornalista Jorge Moraes do portal UOL e site Autoranking.

O movimento faz parte da estratégia da montadora chinesa para acelerar a nacionalização de veículos e ampliar sua presença no mercado brasileiro. A empresa pretende aproveitar parte da infraestrutura já instalada na unidade goiana para iniciar a montagem de modelos no país, reduzindo o tempo de implantação industrial.

O projeto integra um plano de investimento estimado em R$ 6 bilhões, com meta de atingir produção anual próxima de 100 mil veículos em até cinco anos, conforme informações divulgadas por fontes do setor automotivo.

Estrutura industrial consolidada

A planta de Catalão foi inaugurada em 1998 e passou por sucessivas expansões ao longo das últimas décadas. O complexo industrial conta atualmente com cerca de 247 mil m² de área construída dentro de um terreno com mais de 2 milhões de m².

A unidade possui linhas completas de produção automotiva, incluindo estamparia, soldagem de carroceria, pintura, montagem final e inspeção e controle de qualidade

A capacidade instalada da unidade supera 120 mil veículos por ano, o que permite absorver novos projetos industriais sem necessidade imediata de expansão estrutural significativa.

Produção atual da Mitsubishi no Brasil

A planta de Catalão é a principal base industrial da Mitsubishi na América Latina e concentra a produção de modelos estratégicos da marca no mercado brasileiro.

Entre os veículos atualmente fabricados na unidade estão Mitsubishi Triton e Eclipse Cross

Historicamente, a produção da Mitsubishi no Brasil começou com a picape L200, modelo que inaugurou a operação industrial da marca no país no final dos anos 1990.

O primeiro modelo da GAC previsto para produção no Brasil é o SUV compacto GAC GS3, que será adaptado para as condições do mercado nacional.

Entre as principais alterações esperadas está a adoção de motor 1.5 turbo com tecnologia flex, compatível com gasolina e etanol, solução considerada essencial para competitividade no país.

A montadora também avalia introduzir futuramente veículos híbridos flex, combinando motores a combustão adaptados ao etanol com sistemas eletrificados — abordagem que começa a ganhar espaço entre fabricantes que operam no Brasil.

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Tecnologia BRM: como funciona e o que muda na manutenção de híbridos 48V

Sistema da SEG Automotive substitui alternador e motor de partida, recupera energia em desaceleração, injeta torque, mas exige diagnóstico cuidadoso  

por Felipe Salomão   fotos Diego Cesilio & SEG Automotive  

Com a ampliação das exigências de emissões, as montadoras aceleram a adoção de downsizing e eletrificação para atender aos limites regulatórios. Além disso, a chegada dos carros híbridos e elétricos chineses têm pressionado as fabricantes já estabelecidas no Brasil a lançarem novos modelos para entrar nessa competitiva categoria, que somou cerca de 223,9 mil unidades vendidas em 2025, alta de 26% em relação a 2024, enquanto os modelos híbridos cresceram 44,6% no mesmo período, consolidando a eletromobilidade como segmento de volume no país. Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico – ABVE. 

Todavia, a SEG Automotive já desenvolve o sistema BRM (Boost Recuperation Machine) no Brasil, tecnologia aplicada a veículos híbridos leves de 48V, que serão lançados no mercado brasileiro em breve, inclusive, muito provavelmente ainda em 2026 por uma importante fabricante estabelecida no território nacional. A empresa não divulgou qual modelo utilizará a tecnologia BRM.  

O componente substitui alternador e motor de partida, atua como gerador e motor elétrico, recupera energia durante desaceleração e fornece torque auxiliar ao motor a combustão. Deste modo, esse tradicional passo a passo da Revista O Mecânico vai abordar os procedimentos de diagnóstico, manutenção e treinamento nas oficinas mecânicas, além de mostrar como o BRM funciona. Lembrando, a Revista já falou sobre esse sistema no passado em uma Live, além de fazer todo o diagnóstico no canal do YouTube. 

 

 

 

 

 

Descubra como a eletrificação vai impactar na indústria e no setor de reposição |O MECÂNICO AO VIVO. VEJA O VÍDEO!

Segundo Daniel Amaral, especialista em eletrificação da SEG Automotive, a tecnologia de 48V surgiu para elevar a eficiência sem alterar a arquitetura do veículo. “Essas tecnologias de hibridização leve surgiram pela necessidade de aumentar a eficiência veicular sem quebrar a arquitetura do veículo”, afirmou. 

O conceito de mild hybrid permite reduzir consumo e emissões por meio da recuperação de energia e suporte elétrico ao motor térmico, sem necessidade de sistemas híbridos completos de alta tensão. 

 

Eficiência energética e recuperação de energia 

O BRM converte energia mecânica em elétrica com eficiência superior à dos alternadores convencionais. “Um alternador tradicional chega perto de 70% de eficiência, enquanto essa máquina trabalha na faixa de 82% a 84%”, disse Amaral. 

A recuperação de energia ocorre principalmente em desaceleração e frenagem. “A energia que seria desperdiçada no freio motor é coletada e armazenada na bateria para uso posterior”, explicou. Com isso, esse processo permite reutilizar energia em acelerações, partidas e demandas elétricas, reduzindo consumo de combustível. 

 

Função motora e suporte  ao powertrain 

Além de gerador, o BRM, da SEG Automotive, atua como motor elétrico acoplado ao virabrequim via correia. Ele substitui o motor de partida convencional e fornece torque auxiliar. “Quando o sistema entra em modo motor, ele devolve a energia ao veículo sem injetar combustível, o que contribui para redução de consumo”, afirmou Amaral. 

O sistema injeta torque nas fases de maior demanda, como arrancadas e retomadas, reduzindo o atraso do turbo e a necessidade de reduções de marcha. “O motor elétrico injeta torque no momento em que o motor mais precisa, mantendo a rotação mais baixa e mais eficiente”, disse. Portanto, em ultrapassagens, o torque elétrico pode reduzir a necessidade de downshift, mantendo o motor em regimes mais eficientes. 

Arquitetura elétrica, estator, rotor e inversor 

O BRM utiliza estator com maior fator de preenchimento de cobre, rotor com ímãs de terras raras e inversor no lugar do retificador convencional. “No alternador temos diodos. Aqui usamos MOSFETs, que permitem controlar o chaveamento e transformar o gerador em motor”, explicou Amaral. 

O inversor controla a rotação, o torque e o modo de operação da máquina elétrica. O componente integra microprocessador, memória e software embarcado, que definem estratégias de geração, tração elétrica e recuperação de energia. 

Partida a frio, controle de emissões e Aplicações veiculares 

A tecnologia altera o processo de partida do motor. “O BRM gira o motor mais rápido, pré aquece a câmara de combustão e melhora a primeira queima, reduzindo emissões na partida a frio”, disse Amaral. Além disso, o aumento da rotação inicial, junto ao pré aquecimento melhora a atomização do combustível e a eficiência da combustão, reduzindo emissões no ciclo urbano. 

A tecnologia pode ser aplicada em veículos de diferentes categorias, com maior eficiência em veículos de menor massa para deslocamento elétrico em baixas velocidades. Em veículos maiores, o sistema atua principalmente como gerador e assistente de torque. 

 

Rastreabilidade, controle de qualidade e pós-venda 

O BRM possui rastreabilidade de manufatura da SEG Automotive. “Cada parafuso tem torque registrado e cada peça pode ser rastreada por código de barras, o que reduz a possibilidade de falhas de produção”, afirmou Amaral. Segundo o especialista, o nível de controle é necessário porque o sistema interfere diretamente na dirigibilidade e segurança do veículo. 

Para o mecânico, o BRM amplia a integração entre mecânica e eletrônica. “Em sistemas mecatrônicos é necessário sincronizar mecânica e eletrônica, e pode ser preciso atualizar software do inversor após o período de garantia”, disse Amaral. 

A SEG Automotive prevê disponibilizar ferramentas de diagnóstico, códigos de falha e treinamento técnico. “Vamos ter que fornecer ferramentas, ensinar a interpretar mensagens e códigos de erro para ajudar o mecânico na manutenção”, afirmou Amaral.  Após o período de garantia, pode ser necessária atualização de software para pareamento correto da nova peça para reparo fora da rede autorizada, respeitando a arquitetura de segurança das montadoras. 

 

Simulação prática e arquitetura de diagnóstico 

Nivaldo Orágio, da AFR Motorsport, demonstrou um protótipo com bateria de 48V, motor gerador, placa eletrônica e controle via software. “A melhor bancada de testes é o próprio veículo, porque o sistema é interligado e o problema pode estar em software, chicote, bateria ou comunicação”, afirmou. 

Segundo Orágio, medições elétricas isoladas não são suficientes. “Não adianta só usar multímetro. É preciso analisar dados via scanner, interpretar a rede e usar osciloscópio para identificar falhas de comunicação”, disse. 

O BRM se comunica com módulos do veículo por meio de redes automotivas, como CAN. “O sistema conversa com a unidade de controle da injeção, gateway e outros módulos, que definem a estratégia de geração e tração elétrica”, explicou Orágio. 

As estratégias são definidas por software da montadora, que controla quando o sistema atua como motor ou gerador, conforme demanda da bateria e do sistema elétrico. 

 

Estratégias de geração e torque elétrico 

O sistema fornece torque elétrico em aceleração e retomada, e gera energia em desaceleração conforme a leitura do sistema. “Conforme a demanda, o gerador vai produzir mais ou menos corrente e tensão”, afirmou Orágio. Por sua vez, a transição entre modo motor e gerador depende do perfil de condução, estratégia de software e estado da bateria de 48 V. 

Diagnóstico na oficina e manutenção preventiva 

O diagnóstico segue lógica de sistemas eletrônicos integrados. “O problema pode estar em software, chicote, oxidação, bateria ou comunicação. O diagnóstico é um quebra-cabeça que exige interpretação de scanner e osciloscópio”, disse Orágio. 

Ele alertou que retirar o componente para teste em bancada pode não resolver o problema. “Muitas vezes o alternador ou o motor-gerador funciona na bancada, mas o defeito está na comunicação ou no sistema”, afirmou. 

 

Formação técnica  do mecânico 

Orágio destacou a necessidade de formação técnica gradual. “Quem não sabe testar um alternador convencional vai ter dificuldade aqui. É preciso aprender os sistemas básicos antes de avançar para BRM”, disse. 

A chegada de sistemas BRM, da SEG Automotive, ao mercado brasileiro amplia a demanda por capacitação técnica e equipamentos de diagnóstico avançados nas oficinas. Ademais, a integração entre mecânica, eletrônica e software tende a aumentar, exigindo atualização contínua do reparador. 

O especialista ressaltou a importância de treinamento em multímetro, osciloscópio, redes automotivas, interpretação de esquemas e software de diagnóstico. “O mecânico precisa dominar diagnóstico e comunicação de redes automotivas para trabalhar com esse tipo de sistema”, afirmou. Ademais, amigo mecânico, se busca formação técnica, basta clicar neste link e ter acesso ao Mecânico Pro, que é uma plataforma da Revista O Mecânico, voltada à mecânicos e oficinas independentes, com apoio técnico de empresas da indústria automotiva.  

 

 

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domingo, 15 de março de 2026

Audi Q3 1.4 TFSI: sequência de torque é etapa essencial na manutenção do motor

Procedimento de aperto do cabeçote e de outros componentes garante a fixação correta do conjunto no SUV equipado com motor 1.4 turbo

O Audi Q3 1.4 TFSI utiliza motor turbo de 150 cv de potência e 25,5 kgfm de torque. Durante intervenções mecânicas no conjunto, principalmente em serviços que envolvem desmontagem do cabeçote ou componentes internos do motor, seguir a sequência correta de torque é fundamental para garantir vedação, alinhamento e funcionamento adequado.

Equipado com o motor 1.4 TFSI, o Audi Q3 exige atenção aos procedimentos de montagem durante manutenções mais profundas. A fixação do cabeçote, por exemplo, deve ser realizada em etapas progressivas para distribuir a carga de aperto de forma uniforme entre os parafusos e evitar deformações ou falhas de vedação entre o bloco e o cabeçote. No procedimento, o torque inicial do cabeçote é de 40 Nm, seguido por três etapas adicionais de aperto angular de 90 graus cada. Esse método é utilizado para garantir a pressão correta na junta e manter a estabilidade do conjunto durante o funcionamento do motor.

Outros componentes do motor também exigem valores específicos de aperto. A engrenagem do comando de admissão deve receber torque inicial de 55 Nm, seguido por aperto adicional de 135 graus, enquanto a engrenagem do comando de escape deve ser apertada inicialmente com 50 Nm e depois receber um ângulo de 90 graus. Já a fixação da capa da biela é realizada com torque inicial de 30 Nm, seguido por mais 90 graus de aperto.

Durante a remontagem do conjunto, outros pontos também devem ser observados. A tampa de válvulas recebe torque inicial de 10 Nm com complemento de 180 graus, enquanto o cárter de óleo deve ser apertado com 12 Nm. As velas de ignição, por sua vez, devem ser instaladas com torque de 25 Nm. Seguir essas especificações durante a manutenção contribui para o funcionamento correto do motor e evita problemas relacionados à fixação dos componentes.

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Meu conselho para as mulheres é direto: invistam em formação e conhecimento, diz Sabrina Carbone

Gerente Global da Frasle Mobility falou sobre liderança, carreira, resultados e desafios estratégicos da Fras-le, Fremax, Controil, Moresa, Fritec, Juratek e Nakata 

por Felipe Salomão   fotos Frasle Mobility/Divulgação 

 

No mês das mulheres, a Revista O Mecânico faz um especial nesta edição e, também, nas nossas redes sociais. Portanto, começamos com uma entrevista exclusiva com Sabrina Carbone, Gerente Global da Frasle Mobility. A executiva, com mais de 25 anos de atuação em marketing no setor automotivo, falou sobre liderança, carreira, resultados e desafios estratégicos das marcas Fras-leFremaxControil, Moresa, Fritec, Juratek e Nakata, além de dar conselhos para outras mulheres que querem entrar nesse competitivo segmento. 

Para Carbone, o diferencial está na combinação entre preparo técnico, visão estratégica e vivência prática de mercado. Ao falar sobre desenvolvimento profissional, especialmente para mulheres que desejam crescer no segmento, ela reforçou a importância da capacitação e da autoconfiança. “Meu primeiro conselho é direto: invistam em formação e conhecimento. Construir carreira em um setor tão técnico e competitivo como o automotivo exige preparo, visão estratégica e capacidade de gerar resultados. Fazer marketing é entender profundamente o produto, o mercado e o comportamento do cliente, especialmente em segmentos industriais. É essencial compreender a jornada completa, da escolha à recompra. É nesse percurso que surgem as oportunidades de diferenciação”, destacou.

 

Quem é Sabrina? 

Casada e mãe, Sabrina Carbone acumula mais de 25 anos de experiência em marketing no setor automotivo, com atuação em todas as frentes estratégicas da área. Atualmente, lidera uma equipe com mais de 20 profissionais na Frasle Mobility, sendo responsável pelas marcas Fras-le, Fremax, Controil e Nakata, que compõem um amplo portfólio de produtos voltados aos sistemas de freios, suspensão, transmissão e direção. Veja a entrevista exclusiva nas próximas páginas da Revista O Mecânico.

O Mecânico: Sabrina, você construiu mais de 25 anos de carreira no marketing automotivo. Qual foi a principal decisão que definiu sua trajetória até a posição de liderança global da Frasle Mobility? 

Sabrina Carbone: O desafio de construir marcas vem sempre acompanhado de muito reconhecimento do mercado e dos profissionais da cadeia automotiva. No momento em que a decisão foi realmente abrir escuta e diálogo genuínos com nossos distribuidores, varejos, frotas e oficinas mecânicas, e entender os desafios que enfrentam. A partir dessa escuta, começamos a desenvolver serviços e diálogos com eles de forma muito proprietária, e essa foi a decisão mais acertada que tivemos. Gosto das disrupções, das quebras de paradigmas e dos desafios. Isso sempre me moveu. Assim, se eu tivesse que apontar a principal decisão da minha trajetória, foi escolher nunca me acomodar e sempre buscar o próximo nível. Ao longo do tempo, percebi que, quando você se compromete a fazer bem-feito, com foco e responsabilidade, os talentos aparecem e os resultados vêm. 

Tenho muita vontade de aprender, mais ainda de ensinar. Para isso, estudar é parte deste desafio de fazer diferente, inovar, ganhar percepção positiva com a construção de marcas e de relacionamento com o canal. E, estudar tem a ver com formação acadêmica, mas também tem a ver com a curiosidade de estudar o mercado, os hábitos de compra e decisão de marcas, as boas e más experiencias do cliente, as dores e desafios da cadeia, as tendências do mercado, pricing (estratégia de precificação), concorrentes, análise de clientes, dados e mais dados que tanto nos dizem e nos orientam o caminho. Na formação acadêmica sou formada em Comunicação Social, com ênfase em Marketing, fiz pós-graduação em Marketing, na UCI, nos Estados Unidos, e um MBA em Gestão Empresarial pela Business School de São Paulo. Ao longo dos anos, também busquei cursos em Marketing Digital, Conteúdo, Planejamento Estratégico, Comportamento do Consumidor, entre outros, sempre conectados ao marketing e às suas frentes estratégicas. 

Mas, no fim, tudo volta para aquela decisão inicial de entender profundamente o mercado para poder inovar e estar cada vez mais perto dos profissionais de toda a cadeia e de suas decisões e escolhas de marcas. Foi isso que, de forma consistente, pavimentou o meu caminho até a posição que ocupo hoje. 

O Mecânico: Como você desenvolveu sua autoridade em um setor historicamente técnico e majoritariamente masculino? 

Sabrina Carbone: Autoridade se constrói com consistência, preparo e entrega de resultados. Em um setor técnico como o automotivo, não basta ter opinião; é preciso ter embasamento e performance para sustentar cada posicionamento. 

O mercado automotivo tende a investir no resultado a curto prazo, no resultado de vendas aqui e agora. Em geral, temos sempre dois grandes desafios, promover o máximo do nosso selling out, atingindo os objetivos estratégicos de vendas, margem e rentabilidade. Porém, a construção de marcas fortes, não apresenta resultados tão imediatos. É um processo de construção onde o prestígio da marca vai sendo construído paulatinamente na cabeça dos consumidores. Temos aí uma grande dicotomia: investir em ações no aqui e agora para promover a venda e apresentar resultados imediatos, por um lado, e por outro lado, investir em agregar valor à uma marca e ao longo do tempo, aumentar o seu valor agregado e prestígio, de forma a ter maior rentabilidade. O balanço perfeito destes dois escopos de investimentos e estratégias foi o que, ao longo dos anos, construiu minha especialidade e autoridade diante de um setor que ainda é sim, muito masculino. Equilibrar estas duas forças na estratégia e, ao longo do tempo, provar que fazem sentido, se trabalhadas combinadas, agregando valor à marca e também investindo na venda, foi o ponto de virada. Aprendi também que o respeito vem, principalmente, quando você demonstra conhecimento, responsabilidade e capacidade de execução. Resultado gera credibilidade, e credibilidade constrói autoridade. 

Já estamos vendo, hoje, um cenário muito mais diverso, com mulheres ocupando posições de liderança em diferentes áreas. Essa evolução é fruto de muitas trajetórias que, com competência e resiliência, foram abrindo espaço e mostrando que liderança não tem gênero, tem preparo, entrega e consistência. 

 

O Mecânico: Liderar uma equipe global com mais de 17 profissionais exige consistência. Qual é o seu principal valor como gestora? 

Sabrina Carbone: Liderar é algo, para mim, que está em constante evolução. Acredito que todo mundo que lidera equipes passa constantemente por novos desafios, porque o ser humano é complexo e a gente está sempre aprendendo um com o outro. Mas, hoje, já com uma jornada longa de liderança construída, acho que a escuta do outro, o interesse genuíno e a vontade de contribuir para a evolução profissional e pessoal do outro é o que mais me direciona para ir me superando na arte de liderar. É uma dedicação diária. 

A base dessa construção é a confiança, construída a partir do respeito mútuo. Quando existe confiança de verdade, as relações ficam mais leves, colaborativas e produtivas. A partir disso, conseguimos unir talentos, experiências e diferentes pontos fortes para construir um trabalho alinhado, consistente e com impacto real. 

Como líder, tenho um propósito de ensinar que é muito genuíno. Quero que meu time aprenda a pensar estrategicamente, criar, planejar, implementar e mensurar, conseguindo construir para si mesmo uma jornada profissional e de forma consistente. Foco muito em enxergar não apenas para o que eles podem entregar hoje, mas para o que eles podem vir a ser, para onde querem chegar e quais são suas necessidades de desenvolvimento. Entendo meu papel como um caminho de apoio e evolução para cada integrante da equipe. 

Para que isso aconteça, é preciso franqueza, abertura, confiança e, principalmente, vontade de se desenvolver diariamente. Liderança não é só gestão de tarefas; é cuidado com as pessoas, com suas expectativas e com seu futuro. 

 

O Mecânico: Ao longo da sua jornada, o que mudou na forma como você enxerga liderança e resultados? 

Sabrina Carbone: Hoje, os indicadores evoluíram, as ferramentas se sofisticaram e o nível de leitura de dados se tornou muito mais estratégico. A digitalização trouxe uma capacidade exponencial de mensuração, o que elevou o nível de exigência e precisão nas decisões e a inteligência artificial está presente para contribuir ainda mais. Porém, enxergar além dos resultados e dos dados requer uma visão mais estratégica. Atualmente, com a área de inteligência de mercado sob minha responsabilidade, vejo que os cruzamentos de dados são infindáveis, mas que priorizar o que queremos entender e para qual finalidade é mandatório no processo de evolução. Como capturar a evolução de vendas, a performance dos nossos clientes e buscar os motivos sejam em pricing, em potencial de mercado ou em novos hábitos de consumo, é o segredo para evoluirmos nossos negócios. Temos mais dados, temos mais recurso, mas entendo que a nossa capacidade de extrair e avaliar, para a tomada estratégica de decisões ainda está longe de ser perfeita. É isso que foco em desenvolver. Isso nos dará agilidade e assertividade. 

Liderar esse processo de aprendizado contínuo dentro da corporação tem sido muito efetivo para desenvolver nossos talentos e manter antigos talentos atualizados. Nossos resultados, hoje, têm que passar por um processo de informação, mensuração e análise. Conseguimos fazer isso com a inteligência de mercado e com todos os índices digitais, mas ainda há processos dentro do marketing como um todo que precisam evoluir em termos de análise de resultados. Não conseguimos, hoje, por exemplo, mensurar impactos de todas as mídias reunidas, online, offline e eletrônica, em prol do ganho de prestígio e do investimento envolvido. Há muitas evoluções a serem construídas ainda. 

 

O Mecânico: A Frasle Mobility atua em mais de 125 países. Qual é o desafio estratégico de posicionar marcas como Fras-le, Fremax, Controil, Moresa, Fritec, Juratek e Nakata, marcas globais, em mercados tão distintos? 

Sabrina Carbone: O grande desafio é equilibrar estratégia global com sensibilidade local. Estamos presentes em regiões como Estados Unidos, América Latina, Índia, Europa e Ásia, e cada mercado tem sua própria dinâmica, seja no perfil da frota, na maturidade do aftermarket ou na estratégia dos pontos mercadológicos como, comercial, preço, serviço ao cliente, comunicação, preço. 

Não é possível aplicar uma estratégia única para todos. O que gera valor em um país pode não ter o mesmo impacto em outro. Por isso, o trabalho exige inteligência de mercado, clareza de posicionamento e leitura estratégica constante. 

Claro que em termos de posicionamento de marca, há uma proteção e em cada marketing local há um trabalho muito forte de construção das marcas respeitando cada um desses posicionamentos. Frasle será em todos os lugares “Pensou Freios. Frasle”, Nakata será sempre a marca “Pode contar”, Fremax, “O Máximo em Movimento”, e assim por diante. Toda a estratégia de construção local respeita esses posicionamentos e, muitas vezes, também o posicionamento central de pricing . Mas, os negócios em cada geografia acompanham a lógica das dinâmicas de negócios locais e, então, nosso papel é muito mais consultivo e de apoio, com uma importante missão de levar benchmarkings de processos e estratégias que estão dando certo em outras geografias. 

Minha vivência internacional contribuiu muito para ampliar essa visão. Ter contato direto com diferentes culturas de negócio e níveis de maturidade de mercado trazem uma compreensão mais ampla sobre como adaptar estratégia sem perder consistência de marca. Essa experiência ajuda a tomar decisões mais equilibradas entre padronização global e relevância local. 

No fim, o crescimento sustentável em mercados tão distintos depende justamente do equilíbrio de manter identidade e força institucional ao mesmo tempo em que se respeita a realidade de cada região. 

 

O Mecânico: Dentro do ecossistema da Randoncorp, qual é o papel da Frasle Mobility na construção de soluções integradas para mobilidade? 

Sabrina Carbone: Dentro do ecossistema da Randoncorp, a Frasle Mobility tem o papel de consolidar e potencializar um conjunto de marcas e negócios sob uma estratégia comum, ampliando sinergias e fortalecendo nossa atuação em soluções para mobilidade ao redor de todo o globo. A marca institucional nasceu justamente para dar unidade a esse ecossistema em expansão, gerar escala e ampliar nossa capacidade de desenvolver e entregar soluções cada vez mais completas, inovadoras e alinhadas às demandas do mercado. 

Hoje, reunimos marcas como Fras-le, Fremax, Nakata, Controil e outras sob uma diretriz comum, com foco claro em inovação, tecnologia, qualidade e compromisso com ESG. Isso nos permite oferecer soluções completas e integradas, conectadas à evolução dos veículos e às novas demandas da mobilidade. Somos uma multinacional brasileira de capital aberto, referência em soluções integradas de produtos e serviços tanto para o mercado de reposição quanto para montadoras, com presença em mais de 125 países e atuação pautada em crescimento sustentável. 

Nossa base técnica é um dos grandes pilares dessa construção. Contamos com centros de tecnologia no Brasil e nos Estados Unidos, como o Movetech, em Caxias do Sul, que integra pesquisa, desenvolvimento e inovação em um ambiente colaborativo voltado ao futuro da mobilidade. No Brasil, também temos o CTR – Centro Tecnológico Randon, um dos mais completos complexos de testes da América Latina. O CTR nos permite realizar validações em condições reais e extremas de uso, assegurando segurança, durabilidade e performance com padrão internacional. 

No caso específico dos discos de freio, nosso envolvimento e patrocínio na Porsche Cup reforçam essa conexão entre engenharia e alta performance. O uso das pistas da categoria como laboratório em condições extremas nos permite submeter os discos a níveis elevados de exigência, validando resistência, estabilidade térmica e performance em cenários de competição. 

E, acima de tudo, mantemos um princípio fundamental: ouvir quem está na ponta. Mecânicos, técnicos e aplicadores são parte essencial do nosso processo porque é na prática que validamos se aquilo que desenvolvemos realmente entrega valor. 

 

O Mecânico: Por fim, qual conselho você daria para jovens mulheres que desejam construir carreira no setor automotivo hoje? 

Sabrina Carbone: Meu primeiro conselho é direto: invistam em formação e conhecimento. Construir carreira em um setor tão técnico e competitivo como o automotivo exige preparo, visão estratégica e capacidade de gerar resultado. Fazer Marketing é entender profundamente o produto, o mercado e o comportamento do cliente, especialmente em segmentos industriais. É essencial compreender a jornada completa, da escolha à recompra. É nesse percurso que surgem as oportunidades de diferenciação 

E, para ter um bom entendimento de todos esses pontos, tem que ser curioso, somar, entender a jornada de cada profissional da cadeia, seus gaps de conhecimento, suas dificuldades e obstáculos que os impedem de crescer seus negócios, seja na distribuição, no varejo ou na reparação. Tão importante quanto estratégia é proximidade com a realidade. É preciso ir a campo, visitar oficinas, conversar com aplicadores, ouvir quem está no balcão e quem está embaixo do carro. É nesse contato que se entende, de fato, a dor do cliente, a percepção de valor da marca e o que realmente gera confiança no mercado. 

Também é importante ter clareza de que marcas sólidas não se constroem da noite para o dia. Esse trabalho exige tempo, investimento consistente e expertise. Nem sempre esse processo é simples e, por isso, resiliência, paciência estratégica e consistência são diferenciais competitivos. 

Para as jovens mulheres que desejam seguir nesse caminho, minha mensagem é clara: confiem no próprio potencial, busquem preparo técnico, ocupem os espaços com segurança e não se deixem limitar por estereótipos. O setor automotivo está em transformação e precisa de profissionais preparadas, analíticas e estratégicas. Temos muitas iniciativas para nos conectarmos umas às outras, gerar sororidade e nos ajudar. A AMMA – Associação da Mulheres do Mercado Automotivo, é uma dessas iniciativas que conecta as mulheres em prol deste desenvolvimento coletivo porque competência não tem gênero, tem dedicação, atitude e entrega de resultados. 

 

O Mecânico: Queria aprofundar um pouquinho mais sobre inteligência artificial. Desde quando vocês passaram a usar no cotidiano de trabalho de vocês e, também, na formação? Pode falar um pouquinho mais sobre como isso é usado e adaptado? 

Sabrina Carbone: Olha, hoje, lá no marketing, a gente usa o tempo todo. Tudo o que a gente produz está sempre passando, de uma forma ou de outra, por inteligência artificial. Você está fazendo uma apresentação, está desenvolvendo um produto, um texto, criando um artigo, fazendo análise de dados de mídia digital, a gente tem usado muito para isso também. A análise da favorabilidade da nossa marca e todo o conteúdo que a gente produz estão sempre pensando nessa nova forma de geração que tem vindo, que são as respostas. Enfim, pesquisas de concorrentes, a gente tem usado no nosso dia a dia muito mais. Quanto mais você usa, parece que está usando 0,01%. Sempre que você começa a usar, depois usa muito, e ainda assim sente que está usando 0,8%. É sempre assim. Então, tem muito campo ainda, tem muita coisa. 

A parte também de geração de imagens: a gente tem usado bastante para representar a nossa formação de cursos. Às vezes a gente coloca alguma coisa, traz esse movimento. Eu usei muito e, ultimamente, apenas nos aniversários das empresas. No ano passado, a Frasle fez 70 anos e, este ano, a Fremax faz 40 anos. Então a gente brinca, pega fotos antigas e traz movimento. Então, é algo muito presente no dia a dia do marketing. As traduções que a gente tem feito nas várias línguas, todo o nosso conteúdo para todos os países. Você vê lá o nosso técnico falando em chinês, em hebraico, em qualquer língua. Então tem sido uma jornada divertida, mas muito eficiente, porque é rápida. 

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sábado, 14 de março de 2026

Renault Duster 1.6 com luz de injeção acesa e falha de potência; veja diagnóstico

SUV equipado com motor K4M também registrou perda de desempenho, apontando possível falha no corpo de borboleta

Uma unidade do Renault Duster equipada com motor 1.6 K4M apresentou perda de potência acompanhada do acendimento da luz de injeção no painel. Durante o diagnóstico, foi identificado o código de falha DTC P061A relacionado à função de controle de torque do motor. A análise dos parâmetros revelou irregularidade nos sinais enviados pelo corpo de borboleta.

Motor e aplicação

O utilitário esportivo é equipado com o motor 1.6 K4M, que entrega 115 cv com etanol e 110 cv com gasolina a 5.750 rpm, com torque de 15,5 kgfm (etanol) e 15,1 kgfm (gasolina). Esse conjunto motriz equipou o SUV compacto entre 2011 e 2016, quando foi substituído pelo motor 1.6 SCe.

Sintoma apresentado

Durante a condução, ao pressionar o acelerador, o veículo apresentava falhas no funcionamento do motor e perda de potência. Ao mesmo tempo, a luz de injeção permanecia acesa no painel. A leitura com scanner registrou o código de falha P061A, relacionado ao controle de torque do sistema de gerenciamento do motor.

Diagnóstico

Com o auxílio do scanner automotivo, foram analisados os valores reais do sistema. Durante a verificação, observou-se que os sinais enviados pelo corpo de borboleta apresentavam comportamento intermitente, indicando inconsistência na leitura da posição da borboleta.

Causa e solução

Após a confirmação da irregularidade nos parâmetros, o corpo de borboleta foi substituído. Com a troca do componente, os sinais voltaram ao padrão esperado e o funcionamento do motor foi normalizado, eliminando a perda de potência e o código de falha registrado na central eletrônica.

*As informações técnicas foram divulgadas pela Revista O Mecânico por meio da plataforma Mecânico Pro, ferramenta de suporte técnico voltada ao diagnóstico e consulta de dados em veículos presentes na frota nacional.

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