domingo, 26 de abril de 2026

Reguladores de Tensão Eletrônicos Como funcionam?

artigo por Diego Riquero Tournier   fotos Arquivo Bosch 

gestão da energia elétrica de um veículo moderno, tem se tornado um dos grandes desafios dos fabricantes  de automóveis. Neste sentido, dois aspectos ganharam grande relevância a partir do incremento constante dos consumidores elétricos; por um lado, existe a necessidade de incrementar significativamente a capacidade de geração de corrente (papel do alternador), mas, junto com esta elevada geração de corrente, torna-se mandatório a existência de um controle, no sentido da modulação dos momentos de carga mecânica do alternador (freio motor), com relação a sua própria entrega de corrente. 

Esta capacidade de administrar um esforço mecânico com relação a uma demanda de corrente, no poderia ser realizada por médio dos sistemas convencionais de regulagem de tensão (reguladores de tensão mecânicos); desta forma, surgiram os reguladores de tensão de modulagem eletrônica, também conhecidos como Reguladores de Tensão Eletrônicos, ou como Reguladores Multifunção. 

Na figura 1, podemos ver uma configuração típica de um regulador de tensão do tipo Multifunção, aplicado em um alternador que trabalha sobre o princípio de geração de corrente modulada. 

A primeira vista, podemos identificar um incremento significativo na quantidade de pinos de conexão elétricos, se comparados com um alternador com regulador de tensão convencional, os quais para funcionar, contavam apenas com uma conexão direta da corrente de bateria (B+), uma conexão para excitação das bobinas de campo (D+), e uma conexão a negativo. 

Já o conexionado de um regulador Multifunção (figura acima), pode receber um borne de conexão com 4,5 ou 6 pinos, conforme o fabricante e/ou aplicações específicas. 

No exemplo acima, vemos um conexionado de um regulador Multifunção com 6 entradas, das quais 5 estão localizadas no conetor elétrico do chicote, e outra conexão que recebe a corrente diretamente da bateria (B+), se encontra diretamente parafusada em uma conexão reforçada para este fim. 

A principal diferença conceitual de uma regulador Multifunção, radica no fato de contar com um circuito eletrônico integrado no mesmo (figura 2); esta caraterística, torna necessária, a comunicação do regulador de tensão com uma unidade de controle eletrônico, função a qual, estará a cargo para a maioria dos casos, por uma unidade de controle eletrônico central (Body Control, controle de carroceria, unidade ZE), ou em outros casos, pela própria unidade de controle do motor (ECU). 

Voltando ao conexionado do exemplo da figura 1, podemos identificar a presença das conexões tradicionais de qualquer alternador como o (B+), correspondente à alimentação direta da bateria; o (D+/L), correspondente à lâmpada de aviso de geração de carga para a bateria no painel; o borne (W), utilizado como sinal de referência das RPM (giro do alternador o qual pode ser referenciado a partir de um cálculo, como RPM do motor); assim como, a conexão (D-), para fechar o circuito a negativo. 

A novidade estará por conta de conexões como; o pino (15), quem recebe a alimentação a partir, da chave de ignição, alimentado desta forma o circuito eletrônico integrado; o pino (BS), o qual se encarrega de monitorar a tensão da bateria em tempo real, sendo este valor processado pela eletrônica integrada no regulador de tensão; e por último, o pino de conexão (DFM), que responde à sigla Drive Field Monitoring, quem será o encarregado de modular a partir de pulsos elétricos, a corrente de excitação das bobinas de campo. 

A partir deste monitoramento eletrônico do campo magnético, a corrente gerada pelo alternador, passará a ser controlada de forma muito precisa. 

Na figura 3, podemos ver muitas das funções que atualmente passaram a ser controladas por uma lógica eletrônica (controle via software), as quais foram desenvolvidas, a partir da interação dos reguladores Multifunção, com unidades de controle eletrônico. 

LRS (Load Response start) 

Esta estratégia de funcionamento, permite modular a geração de carga elétrica do alternador, em sintonia com a demanda de carga do motor (torque); 
por exemplo: 

No momento da partida a frio, é provocada uma descarga de corrente muito violenta na bateria (fenômeno diretamente relacionado ao consumo do motor de partida), esta condição demanda do alternador, uma rápida e elevada reposição da corrente, para permitir que a bateria volte ao seu nível normal de carga e tensão de trabalho. 

Mas, se considerarmos o momento no qual todo este desequilíbrio de cargas elétricas está acontecendo (momento da partida a frio), vamos compreender que, o momento no qual o motor inicia seu funcionamento, e procura estabilizar a sua marcha lenta, coordenando atuadores como borboleta de aceleração, tempo de injeção, tempo de ignição etc., trata-se do pior momento para colocar uma carga adicional ao motor (carga mecânica gerada por um alternador gerando elevados valores de corrente). 

Desta forma, a estratégia LRS, determina um retraso no momento da geração da corrente por parte do alternador (retraso de alguns segundo ou minutos), estabelecendo um posterior restabelecimento da geração da corrente, de forma gradativa e modulada; estando esta função, controlada diretamente, através do pulso do DFM. 

 

LRD (Load Response Drive) 

Trata-se de uma estratégia que segue uma lógica similar à função LRS, só que neste caso, o controle da geração da carga do alternador, será modulada, a partir de outro tipo de sinal de entrada; neste caso, o que determinará a modulação do pulso DFM, será um sinal de alta demanda de torque do motor. 

Como exemplo, podemos tomar uma condição mediante a qual, um motorista está prestes a realizar uma ultrapassagem na estrada, e para este fim, pisa no acelerador gerando um sinal para a ECU de alta demanda de carga do motor; diante desta situação, o regulador de tensão, através da entrada DFM, recebe uma nova condição de carga (excitação dos campos), através da qual, o alternador deixará de gerar corrente por alguns segundos, retirando o freio mecânico que todo alternador provoca em condição de carga, outorgando-lhe ao motor, uma incremento da potência e torque especifico por alguns segundos, facilitando a manobra de ultrapassagem. Outras estratégias como as descritas acima, passam a ser integradas via eletrônica de controle. 

Desta forma, vemos funções como o controle da temperatura do circuito integrado (Overtemperature protection), controle da integridade da conexão (B+), (Emergency control), controle da tensão presente na bateria e possíveis quedas de tensão no circuito (Battery Sense), assim como, a geração de códigos DTC por parte do circuito integrado do alternador, os quais passam a ser armazenados nas unidades eletrônicas de controle do veículo (Following faults Detection). 

Adicionalmente, e como evolução deste controle eletrônico do alternador, muitos veículos passaram a controlar a demanda de carga e geração elétrica do alternador, a partir de redes de comunicação, incorporando cada vez mais, funções eletrônicas programadas em software. 

A rede de comunicação mais utilizada para este fim, é a rede LIN (Local Interconnect Network). 

Na figura acima, podemos ver um exemplo da regulação de carga de uma alternador eletrônico, comandado através do pulso DFM do regulador de tensão. 

Por tratar-se de um pulso modulado, a relação de ativação do campo magnético, estará determinada por uma ciclo útil de trabalho (Duty Cycle). 

No oscilograma acima, podemos ver na linha azul a medição de tensão, e na linha vermelha o pulso modulado recebido no terminal DFM. 

Na parte superior do gráfico, vemos os sinais correspondentes à condição de marcha lenta sem o acionamento de consumidores elétricos (menor demanda de carga elétrica do alternador). 

Nesta condição, aparece um pequeno pulso de tensão de monitoramento (condição normal de muitos sistemas eletrônicos, para controlar a integridade dos circuitos), representado na imagem, pelo traço da linha na cor azul. 

Seguindo a linha inferior na cor vermelha, vemos um pulso PWM, correspondente ao ciclo de ativação do DFM. 

Reparem que na condição de marcha lenta, este exemplo mostra um pulso de ativação aparentemente maior, se comparamos os mesmo, com o oscilograma inferior da imagem (condição de consumidores ligados), este fenômeno responde ao tipo de conexionado de ativação, o qual pode estar sendo feito internamente através de forma inversa, determinado que, um pulso de menor duração em tempo, corresponda a uma maior condição de carga, ou vice-versa. 

Na condição de motor ligado e consumidores em condição de carga, vemos que o ciclo útil de trabalho passou para uma atuação de 84%, determinando desta forma, uma condição de carga elevada do alternador (em amperes), e uma tensão que chega em condição operacional, aos 15 volts. 

A tabela ao lado, mostra dados referenciais (os quais devem ser confirmados, conforme cada especificação de veículo), deixando em evidencia, a existência de uma relação direta, entre o pulso de modulação do DFM, e geração de tensão do alternador. 

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sábado, 25 de abril de 2026

Novo Honda WR-V é o “City SUV” que promete vida fácil na oficina

Construído sobre a plataforma do City, o novo SUV de entrada da Honda aposta em mecânica conhecida e amplo espaço para manutenção 

 

texto Vitor Lima   fotos Diego Cesilio 

Honda amplia sua ofensiva no mercado brasileiro com o lançamento do novo WR-V, posicionado como o SUV de entrada da marca. Utilizando a plataforma do Honda City (Honda Global Small Car), o modelo chega para brigar no concorrido segmento de SUVs compactos, como Fiat Pulse e Renault Kardian, com preços partindo de R$ 147.100, chegando a R$ 152.100 na versão EXL, analisada nesta matéria. 

Sob o capô, o WR-V traz o tradicional conjunto 1.5 DOHC i-VTEC de injeção direta, capaz de entregar 126 cv de potência e torque máximo de 15,8 kgfm (Etanol). Para analisar as particularidades deste projeto, a Revista O Mecânico contou com o auxílio de André Foratori, proprietário da oficina Red Car, localizada na capital de São Paulo e, comenta que “é um carro novo, porém com uma fórmula da casa já conhecida”. 

Cofre do motor 

Ao abrir o capô, a primeira impressão positiva é o espaço generoso para o mecânico. Diferente de muitos rivais modernos, o WR-V não sofre com componentes excessivamente apertados, facilitando intervenções em periféricos (1). “O espaço para você mexer conta muito, facilita bastante para nós mecânicos”, pontua André.  

Já no sistema de arrefecimento, devido à herança da plataforma do City, o radiador está posicionado em um nível mais baixo. O especialista alerta para a tampa do radiador, que possui uma válvula interna (2), na qual a recomendação é a substituição preventiva aos 80.000 km, pois, o ressecamento da borracha pode causar superaquecimento. Outro ponto crucial é a conferência do nível diretamente no radiador (com o motor frio), já que o reservatório de expansão pode indicar nível cheio mesmo com o sistema principal vazio, ocasionando a queima da junta do cabeçote.  

Para substituição do líquido de arrefecimento, é utilizado o fluido de arrefecimento Pro Honda que é pré-misturado com 40% de aditivos e 60% de água desmineralizada. O intervalo indicado no manual de manutenção é a cada 200 mil km ou 10 anos, o que ocorrer primeiro. 

Entre os componentes do sistema de injeção direta, a bomba de alta pressão está localizada no topo do motor (3), protegida por uma capa que auxilia na absorção do ruído característico 
de funcionamento.  

O módulo do ABS está em uma localização privilegiada e elevada, o que facilita a manutenção sem riscos de espanar as roscas finas na base de alumínio, um problema comum em locais de difícil acesso (4). O fluido de freio DOT 3 ou DOT 4 deve ser substituído a cada 36 meses, independente da quilometragem, segundo a Honda (5) 

De acordo com André, a Honda corrigiu um problema crônico de gerações passadas (motores 1.8 e 2.0) com o filtro de ar (6). Agora, a carcaça é de plástico fixo, eliminando o antigo mangote de borracha que costumava rasgar e causar entrada de ar falsa.  

Para a lubrificação do motor, o óleo homologado é o Pro Honda 0W-20 API-SP. A recomendação é a troca a cada 10.000 km ou 1 ano, reduzindo para 5.000 km ou 6 meses em uso severo. O filtro de óleo do motor também deve seguir a mesma recomendação, sendo necessária à sua substituição junto com o óleo de motor.   

 

UNDERCAR 

Na parte inferior, o WR-V revela uma estrutura robusta, mas com escolhas voltadas à redução de custo em relação ao “irmão maior” HR-V. 

O veículo utiliza uma chapa protetora de plástico com função aerodinâmica (7). O ponto negativo são os parafusos de fixação de plástico, que espanam com facilidade. André recomenda evitar ferramentas pneumáticas ou elétricas. “Vai ter que ser na mão mesmo, com muito cuidado”.  

Na suspensão dianteira, o SUV utiliza o sistema McPherson com bandejas e buchas idênticas às do HR-V (8). A dica técnica é substituir a bandeja completa em caso de folga no pivô, que é prensado, evitando o risco de desencaixe ou o uso indevido de pontos de solda.  

O câmbio CVT simula 7 marchas e utiliza conversor de torque. Sobre o polêmico assunto de fluido vitalício, o especialista reforça a necessidade de troca do óleo da transmissão a cada 40.000 km para garantir a longevidade, assim como a Honda indica a mesma quilometragem para a substituição. O fluido utilizado deve ser o Pro Honda para transmissão CVT – HCF-2.  

Enquanto o sistema de freios das rodas dianteiras conta com discos ventilados, a traseira utiliza tambor (9). Nas pastilhas dianteiras, há um novo sistema de travas externas e internas que exige atenção na montagem. Sobre as rodas (215/55 R17), a recomendação é o aperto manual com torquímetro, pois os prisioneiros da Honda são propensos a espanar se submetidos ao torque bruto de máquinas pneumáticas.  

O conjunto de suspensão traseira é composto por eixo de torção com barra estabilizadora integrada (10). Os amortecedores contam com a tecnologia de “stop hidráulico”, com intuito de proporcionar dirigibilidade confortável e evitando batidas secas.  

Considerações Finais 

O Honda WR-V prova ser um projeto equilibrado para o mercado nacional. Apesar de algumas simplificações, como a ausência do sistema Magic Seat e o uso de freios traseiros a tambor, o SUV compensa com um porta-malas de 458 litros (maior que o do HR-V) e o pacote de segurança Honda Sensing de série. 

Para o mecânico independente, o WR-V representa uma excelente oportunidade de serviço. Com arquitetura que prioriza o acesso aos componentes, o modelo deve se tornar figura frequente e rentável nas oficinas. “É a mesma fórmula com pequenas diferenças, um carro bem bacana e vai vender bastante”, conclui André. 

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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Disco de freio: sinais de desgaste, riscos e quando fazer a substituição

Empenamento, trincas e superaquecimento comprometem a frenagem; manutenção preventiva evita falhas e acidentes

A Fremax alerta para a importância da inspeção periódica do disco de freio, componente essencial para a segurança veicular. Responsável por dissipar energia e permitir a desaceleração do veículo, o disco atua em conjunto com as pastilhas, transformando energia cinética em calor por meio do atrito.

Segundo a fabricante, qualquer anormalidade nesse conjunto pode comprometer diretamente a eficiência da frenagem. Por isso, identificar sinais de desgaste é fundamental para evitar falhas e aumentar a segurança ao dirigir.

Entre os principais problemas que podem afetar o disco de freio estão:

Empenamento: causado por superaquecimento ou choque térmico, gera vibrações no volante ou no pedal durante a frenagem.

Trincas: resultado de estresse térmico extremo, podendo levar à quebra do disco.

Sulcos e riscos profundos: provocados por pastilhas desgastadas ou sujeira, aumentam a distância de parada e aceleram o desgaste de novos componentes.

Azulamento: indica superaquecimento constante, com perda de eficiência e possível geração de ruídos.

Oxidação excessiva: comum em regiões litorâneas ou exposição a agentes corrosivos, causa irregularidades na frenagem.

Espessura abaixo do limite: reduz a capacidade de dissipação de calor e compromete o desempenho.

A recomendação é realizar a inspeção dos discos a cada 10 mil quilômetros ou sempre que houver troca das pastilhas. A substituição deve ocorrer quando a espessura mínima indicada pelo fabricante for atingida ou na presença de danos como empenamento, trincas ou desgaste irregular.

Para garantir segurança, a troca deve ser feita sempre em pares (eixo dianteiro ou traseiro). Após a instalação, é necessário realizar o procedimento de assentamento, com frenagens progressivas para melhorar o contato entre disco e pastilha e assegurar o desempenho ideal.

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Excesso de carga em caminhões reduz vida útil e aumenta risco de acidentes

Rodar acima da capacidade compromete suspensão, freios e motor, eleva custos de manutenção e coloca a segurança viária em risco

Operar caminhões com sobrecarga é um dos principais fatores de desgaste prematuro e aumento de custos no transporte de cargas. Além de infração, o excesso de peso submete os componentes mecânicos a esforços acima do limite de projeto, comprometendo a durabilidade do veículo e a segurança nas estradas.

De acordo com especialista da Nakata, rodar acima da capacidade máxima de tração leva as peças ao limite do estresse material, gerando um ciclo constante de manutenção corretiva e prejuízos financeiros para frotistas.

Entre os sistemas mais afetados está a suspensão. Molas podem perder a curvatura original, trincar ou até quebrar. Amortecedores também sofrem com o excesso de trabalho, podendo apresentar vazamentos devido à degradação do fluido interno e danos aos retentores.

O sistema de freios é outro ponto crítico. Com mais peso, há maior geração de calor durante as frenagens, o que acelera o desgaste de lonas e pastilhas. Discos e tambores podem deformar ou apresentar microfissuras, enquanto o fluido de freio pode superaquecer, reduzindo a eficiência do sistema.

A sobrecarga também impacta transmissão, motor e chassi. Componentes como embreagem, diferencial e cardan sofrem desgaste acelerado, enquanto o motor opera em condições mais severas, com aumento de temperatura e degradação do óleo lubrificante. Já o chassi pode sofrer empenamentos, e os pneus apresentam desgaste irregular ou até risco de estouro.

Além dos custos elevados de manutenção, o excesso de carga compromete a dirigibilidade. O aumento do centro de gravidade amplia a distância de frenagem e eleva o risco de acidentes, como tombamentos em curvas.

Para evitar prejuízos e melhorar a segurança, especialistas recomendam controle rigoroso de peso na origem, correta distribuição da carga, treinamento das equipes e uso de telemetria para monitoramento das operações.

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Desmontagem do motor Volkswagen 1.4 TSI: análise técnica dos periféricos e pontos de atenção – Parte 1

Passo a passo mostra a retirada dos principais componentes do motor EA211, com orientações sobre diagnóstico, vedação, lubrificação e arrefecimento 

 

 

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texto Felipe Salomão    fotos Diego Cesilio 

 

A desmontagem do motor 1.4 TSI da Volkswagen, da família EA211, revela a arquitetura dos sistemas de alimentação, sobrealimentação e arrefecimento. Em conteúdo gravado na fábrica de São Carlos (SP), técnicos detalham o processo de retirada dos periféricos e destacam cuidados com vedação, lubrificação e funcionamento dos componentes. Ademais, essa primeira parte pode ser vista no YouTube. Inclusive, no vídeo há uma explicação exclusiva, além das informações que estão nas próximas páginas, focada no passo a passo da desmontagem dos periféricos. 

 

O motor 

O motor 1.4 TSI equipa modelos como T-Cross, Taos e Virtus, utilizando injeção direta, turbocompressor e comando de válvulas variável. A proposta da desmontagem é apresentar os componentes, identificar pontos de desgaste e orientar procedimentos. 

“O motor 1.4 TSI equipa modelos como Taos, T-Cross e Virtus. É um motor de quatro cilindros com injeção direta, turbocompressor e bom rendimento”, explica Ronaldo Luiz Belini, inspetor de Qualidade técnico da Volkswagen. 

Entre os destaques do conjunto estão o turbocompressor, o intercooler integrado ao coletor de admissão, a bomba de alta pressão e o sistema de comando variável nos dois eixos. 

 

“Aqui temos o turbocompressor, responsável por admitir o ar de forma forçada. Também temos comando variável nos dois eixos e injeção direta para otimizar desempenho e consumo”, completa Diego Rafael de Mello, inspetor de Qualidade, técnico da Volkswagen. 

 

1) Remoção do tubo de pressão 

Desconectar o sensor MAP Soltar fixações e retirar o tubo 

Observação: O tubo de pressão é responsável por conduzir o ar pressurizado do turbocompressor até o corpo de borboleta. Sua fixação ocorre por meio de presilhas e abraçadeiras distribuídas ao longo do conjunto, que devem ser liberadas para a remoção do componente. 

 

Durante o procedimento, é necessário observar os anéis de vedação (O-rings) presentes nas conexões. Danos, ressecamento ou má acomodação desses anéis podem provocar vazamento de ar, perda de pressão e falhas de desempenho, condição identificada pelo sensor MAP. 

“Se houver dano nos anéis de vedação, pode ocorrer vazamento de ar e perda de pressão”, alerta Mello. 

 

2) Retirada do duto de admissão  (entrada de ar) 

Remover o duto entre filtro  e turbocompressor 

Soltar dois parafusos de fixação 

 Ferramenta:  

Chave TorxT30 com haste alongada 

3) Desconexão do sistema do  turbocompressor 

Desligar chicote do atuador 
de pressão 

Iniciar acesso às linhas de óleo 
e arrefecimento 

4) Remoção das linhas de óleo do turbo 

Soltar parafusos na carcaça, abraçadeira e bloco 

Retirar tubo de alimentação e retorno 

Ferramentas:  

Chaves para fixadores Torx T30 

Observação: presença de óleo no momento da remoção e estado dos O-rings. Esses elementos garantem a vedação do sistema de lubrificação. Qualquer falha pode gerar vazamento e queda de pressão de óleo no turbocompressor. 

5) Retirada da tubulação de arrefecimento da turbina 

Soltar abraçadeiras das mangueiras 

Remover fixações do conjunto 

Ferramentas: 

Chave Torx T30 

Ferramenta para abraçadeiras 

Observação: O sistema possui circuito de ida e retorno do fluido de arrefecimento, responsável por controlar a temperatura do turbocompressor. 

6) Remoção da proteção térmica 

Retirar cinco parafusos da capa 

Ferramentas: 

Torx E10 (estrela) 

Chave 10 mm 

Observação: A proteção térmica evita a transferência de calor da região do escape para componentes sensíveis posicionados na parte superior do motor. 

7) Retirada do duto de recirculação de gases 

Desconectar nas extremidades 

Remover o componente 

 “Esse sistema reaproveita gases do motor, evitando emissão direta”, explica Belini. 

8) Remoção do turbocompressor 

Soltar quatro porcas em sequência cruzada (X) 

Retirar o conjunto 

Ferramentas: 

Soquete 12 mm 

Chave 12 mm 

 “O turbo possui lado frio, lado quente e corpo intermediário com lubrificação e arrefecimento”, detalha Mello. 

Cuidados com o turbocompressor 

O turbocompressor trabalha com rotação elevada e depende diretamente da lubrificação e do arrefecimento para sua durabilidade. O conjunto possui: 

Lado quente (gases de escape) 

Lado frio (admissão de ar) 

Corpo central com passagem de óleo e fluido de arrefecimento 

 “O uso do lubrificante correto e do fluido de arrefecimento adequado é essencial para evitar falhas”, orienta Mello. 

Observação: Um ponto crítico está no desligamento do motor após aceleração. Quando o motor é desligado imediatamente após alta rotação, o eixo do turbocompressor permanece girando sem lubrificação, pois a circulação de óleo é interrompida. Essa condição pode causar desgaste prematuro, folga no eixo e até travamento do conjunto. 

Por isso, recomenda-se manter o motor em marcha lenta por alguns segundos antes do desligamento, permitindo a redução da rotação do rotor e a estabilização térmica do sistema. 

 

9) Remoção do corpo de borboleta 

Desconectar chicote 

Soltar parafusos de fixação 

 

Ferramenta: 

Chave Torx T30 

 

Observação: O componente controla a quantidade de ar admitido pelo motor. Entre o corpo de borboleta e o coletor de admissão há O-rings responsáveis pela vedação. Falhas nesses anéis podem gerar entrada falsa de ar e comprometer o funcionamento do motor. 

 

10) Retirada do coletor de admissão 

Desconectar mangueiras e sensores 

Soltar fixações inferiores e superiores 

 

Ferramentas: 

Chave Torx (especificação 
não informada) 

Ferramenta para abraçadeiras 

11) Remoção do chicote elétrico 

Desconectar sensores e atuadores 

Soltar presilhas e suportes 

Remover cabo de aterramento 

 

Ferramentas: 

Espátula ou chave pequena 

Chave 10 mm 

 

Observação: O chicote é responsável pela comunicação entre sensores, atuadores e a unidade de controle do motor. 

Para evitar danos, a remoção dos conectores deve seguir um procedimento: pressionar levemente o conector no sentido de encaixe para aliviar a trava e, em seguida, destravar e puxar. A remoção direta sem esse alívio pode quebrar as travas plásticas.  

Durante a desmontagem, é necessário remover o cabo de aterramento (massa) localizado na parte superior, fixado com parafuso de 10 mm. Além disso, outro ponto relevante está na região do escape, onde há maior carga térmica. Nessa área, o chicote possui proteções térmicas e capas adicionais nos conectores para evitar danos por temperatura elevada. 

12) Retirada das bobinas de ignição 

Soltar fixação 

Remover bobinas individuais 

 

Ferramenta: 

Chave 10 mm 

 

Observação: Cada cilindro possui uma bobina dedicada, posicionada diretamente sobre a vela. 

13) Sistema de combustível (bomba de alta pressão) 

“A bomba de alta é acionada por um came e controla a pressão do combustível para os injetores”, detalha Mello. 

O acionamento ocorre mecanicamente pelo eixo de comando, que movimenta um tucho interno responsável pela compressão do combustível. Além disso, o sistema conta com um solenoide que atua como válvula de controle, regulando a quantidade de combustível admitida na bomba conforme a demanda do motor. Isso permite ajustar a pressão na galeria e garantir o funcionamento correto da injeção direta. 

14) Remoção da bomba d’água 

Retirar capa da correia 

Soltar cinco parafusos 

Remover bomba 

 

Ferramenta: 

Chave Torx T30 

Observação: sistema com dois circuitos de arrefecimento. Já que o motor utiliza dois circuitos distintos, um para o bloco e outro para o cabeçote, controlados por válvulas termostáticas. Essa configuração permite aquecimento mais rápido do motor em fase fria e melhor controle térmico em diferentes condições de funcionamento. 

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