sexta-feira, 24 de abril de 2026

Desmontagem do motor Volkswagen 1.4 TSI: análise técnica dos periféricos e pontos de atenção – Parte 1

Passo a passo mostra a retirada dos principais componentes do motor EA211, com orientações sobre diagnóstico, vedação, lubrificação e arrefecimento 

 

 

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texto Felipe Salomão    fotos Diego Cesilio 

 

A desmontagem do motor 1.4 TSI da Volkswagen, da família EA211, revela a arquitetura dos sistemas de alimentação, sobrealimentação e arrefecimento. Em conteúdo gravado na fábrica de São Carlos (SP), técnicos detalham o processo de retirada dos periféricos e destacam cuidados com vedação, lubrificação e funcionamento dos componentes. Ademais, essa primeira parte pode ser vista no YouTube. Inclusive, no vídeo há uma explicação exclusiva, além das informações que estão nas próximas páginas, focada no passo a passo da desmontagem dos periféricos. 

 

O motor 

O motor 1.4 TSI equipa modelos como T-Cross, Taos e Virtus, utilizando injeção direta, turbocompressor e comando de válvulas variável. A proposta da desmontagem é apresentar os componentes, identificar pontos de desgaste e orientar procedimentos. 

“O motor 1.4 TSI equipa modelos como Taos, T-Cross e Virtus. É um motor de quatro cilindros com injeção direta, turbocompressor e bom rendimento”, explica Ronaldo Luiz Belini, inspetor de Qualidade técnico da Volkswagen. 

Entre os destaques do conjunto estão o turbocompressor, o intercooler integrado ao coletor de admissão, a bomba de alta pressão e o sistema de comando variável nos dois eixos. 

 

“Aqui temos o turbocompressor, responsável por admitir o ar de forma forçada. Também temos comando variável nos dois eixos e injeção direta para otimizar desempenho e consumo”, completa Diego Rafael de Mello, inspetor de Qualidade, técnico da Volkswagen. 

 

1) Remoção do tubo de pressão 

Desconectar o sensor MAP Soltar fixações e retirar o tubo 

Observação: O tubo de pressão é responsável por conduzir o ar pressurizado do turbocompressor até o corpo de borboleta. Sua fixação ocorre por meio de presilhas e abraçadeiras distribuídas ao longo do conjunto, que devem ser liberadas para a remoção do componente. 

 

Durante o procedimento, é necessário observar os anéis de vedação (O-rings) presentes nas conexões. Danos, ressecamento ou má acomodação desses anéis podem provocar vazamento de ar, perda de pressão e falhas de desempenho, condição identificada pelo sensor MAP. 

“Se houver dano nos anéis de vedação, pode ocorrer vazamento de ar e perda de pressão”, alerta Mello. 

 

2) Retirada do duto de admissão  (entrada de ar) 

Remover o duto entre filtro  e turbocompressor 

Soltar dois parafusos de fixação 

 Ferramenta:  

Chave TorxT30 com haste alongada 

3) Desconexão do sistema do  turbocompressor 

Desligar chicote do atuador 
de pressão 

Iniciar acesso às linhas de óleo 
e arrefecimento 

4) Remoção das linhas de óleo do turbo 

Soltar parafusos na carcaça, abraçadeira e bloco 

Retirar tubo de alimentação e retorno 

Ferramentas:  

Chaves para fixadores Torx T30 

Observação: presença de óleo no momento da remoção e estado dos O-rings. Esses elementos garantem a vedação do sistema de lubrificação. Qualquer falha pode gerar vazamento e queda de pressão de óleo no turbocompressor. 

5) Retirada da tubulação de arrefecimento da turbina 

Soltar abraçadeiras das mangueiras 

Remover fixações do conjunto 

Ferramentas: 

Chave Torx T30 

Ferramenta para abraçadeiras 

Observação: O sistema possui circuito de ida e retorno do fluido de arrefecimento, responsável por controlar a temperatura do turbocompressor. 

6) Remoção da proteção térmica 

Retirar cinco parafusos da capa 

Ferramentas: 

Torx E10 (estrela) 

Chave 10 mm 

Observação: A proteção térmica evita a transferência de calor da região do escape para componentes sensíveis posicionados na parte superior do motor. 

7) Retirada do duto de recirculação de gases 

Desconectar nas extremidades 

Remover o componente 

 “Esse sistema reaproveita gases do motor, evitando emissão direta”, explica Belini. 

8) Remoção do turbocompressor 

Soltar quatro porcas em sequência cruzada (X) 

Retirar o conjunto 

Ferramentas: 

Soquete 12 mm 

Chave 12 mm 

 “O turbo possui lado frio, lado quente e corpo intermediário com lubrificação e arrefecimento”, detalha Mello. 

Cuidados com o turbocompressor 

O turbocompressor trabalha com rotação elevada e depende diretamente da lubrificação e do arrefecimento para sua durabilidade. O conjunto possui: 

Lado quente (gases de escape) 

Lado frio (admissão de ar) 

Corpo central com passagem de óleo e fluido de arrefecimento 

 “O uso do lubrificante correto e do fluido de arrefecimento adequado é essencial para evitar falhas”, orienta Mello. 

Observação: Um ponto crítico está no desligamento do motor após aceleração. Quando o motor é desligado imediatamente após alta rotação, o eixo do turbocompressor permanece girando sem lubrificação, pois a circulação de óleo é interrompida. Essa condição pode causar desgaste prematuro, folga no eixo e até travamento do conjunto. 

Por isso, recomenda-se manter o motor em marcha lenta por alguns segundos antes do desligamento, permitindo a redução da rotação do rotor e a estabilização térmica do sistema. 

 

9) Remoção do corpo de borboleta 

Desconectar chicote 

Soltar parafusos de fixação 

 

Ferramenta: 

Chave Torx T30 

 

Observação: O componente controla a quantidade de ar admitido pelo motor. Entre o corpo de borboleta e o coletor de admissão há O-rings responsáveis pela vedação. Falhas nesses anéis podem gerar entrada falsa de ar e comprometer o funcionamento do motor. 

 

10) Retirada do coletor de admissão 

Desconectar mangueiras e sensores 

Soltar fixações inferiores e superiores 

 

Ferramentas: 

Chave Torx (especificação 
não informada) 

Ferramenta para abraçadeiras 

11) Remoção do chicote elétrico 

Desconectar sensores e atuadores 

Soltar presilhas e suportes 

Remover cabo de aterramento 

 

Ferramentas: 

Espátula ou chave pequena 

Chave 10 mm 

 

Observação: O chicote é responsável pela comunicação entre sensores, atuadores e a unidade de controle do motor. 

Para evitar danos, a remoção dos conectores deve seguir um procedimento: pressionar levemente o conector no sentido de encaixe para aliviar a trava e, em seguida, destravar e puxar. A remoção direta sem esse alívio pode quebrar as travas plásticas.  

Durante a desmontagem, é necessário remover o cabo de aterramento (massa) localizado na parte superior, fixado com parafuso de 10 mm. Além disso, outro ponto relevante está na região do escape, onde há maior carga térmica. Nessa área, o chicote possui proteções térmicas e capas adicionais nos conectores para evitar danos por temperatura elevada. 

12) Retirada das bobinas de ignição 

Soltar fixação 

Remover bobinas individuais 

 

Ferramenta: 

Chave 10 mm 

 

Observação: Cada cilindro possui uma bobina dedicada, posicionada diretamente sobre a vela. 

13) Sistema de combustível (bomba de alta pressão) 

“A bomba de alta é acionada por um came e controla a pressão do combustível para os injetores”, detalha Mello. 

O acionamento ocorre mecanicamente pelo eixo de comando, que movimenta um tucho interno responsável pela compressão do combustível. Além disso, o sistema conta com um solenoide que atua como válvula de controle, regulando a quantidade de combustível admitida na bomba conforme a demanda do motor. Isso permite ajustar a pressão na galeria e garantir o funcionamento correto da injeção direta. 

14) Remoção da bomba d’água 

Retirar capa da correia 

Soltar cinco parafusos 

Remover bomba 

 

Ferramenta: 

Chave Torx T30 

Observação: sistema com dois circuitos de arrefecimento. Já que o motor utiliza dois circuitos distintos, um para o bloco e outro para o cabeçote, controlados por válvulas termostáticas. Essa configuração permite aquecimento mais rápido do motor em fase fria e melhor controle térmico em diferentes condições de funcionamento. 

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quinta-feira, 23 de abril de 2026

ZF reforça portfólio para o agronegócio na Agrishow 2026

Empresa destaca soluções de reposição, embreagens e sistemas hidráulicos

A ZF Aftermarket amplia sua atuação no agronegócio e apresenta, durante a Agrishow 2026, um portfólio completo de reposição voltado à produtividade, rentabilidade e confiabilidade das operações no campo.

Com a crescente modernização do setor, a empresa leva à feira soluções aplicadas a eixos, transmissões e sistemas utilizados por grandes montadoras de máquinas agrícolas, reforçando a importância da manutenção preventiva.

Novas embreagens para tratores agrícolas

Entre os lançamentos, destaque para a nova linha de embreagens desenvolvida para tratores de marcas como Massey, Valtra e CNH. O conjunto inclui disco cerametálico, indicado para operações severas, e disco orgânico, voltado ao conforto operacional, além de rolamento e platô.

A solução amplia a cobertura da marca no segmento agrícola e entrega maior resistência térmica e robustez, atendendo às exigências do trabalho no campo.

Bombas hidráulicas

Outra novidade é a nova bomba hidráulica, compatível com tratores Valtra, Valmet, CNH e Massey. O componente foi projetado para aplicações como direção, levantamento de cargas e acionamento de implementos.

Componentes para eixos e aplicações severas

Durante o evento, a ZF também destaca peças de reposição para eixos das famílias APL, AS, TSA e MT-L, incluindo engrenagens, rolamentos, coroas, pinhões e outros componentes essenciais para transmissão de torque.

Esses itens são fundamentais para operações como preparo do solo, pulverização e transporte, impactando diretamente a durabilidade e a eficiência energética dos equipamentos.

Eixo TSA 09 e transmissão Ergopower

O eixo TSA 09, indicado para tratores de até 90 cv, será um dos destaques no estande. Desenvolvido no Brasil, o componente foi projetado para ser mais robusto e manter o desempenho em condições severas, como terrenos alagados.

Já a transmissão ZF Ergopower, reconhecida pelo design modular, também estará em exposição, reforçando a atuação da marca em máquinas de construção e sua estratégia de expansão no mercado de reposição.

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Marelli revela novas tecnologias de iluminação automotiva na Auto China 2026

Foco está em faróis inteligentes, LEDs digitais e design interativo

A Marelli apresentou suas mais recentes soluções de iluminação durante a Auto China 2026, realizada em Pequim entre 24 de abril e 3 de maio. As novidades mostram como a iluminação automotiva evolui para uma plataforma definida por software.

Segundo Frank Huber, presidente da divisão de Lighting da empresa, a iluminação será elemento central nos veículos do futuro. Entre os destaques estão o farol Thin Corner-to-Corner e a lanterna traseira digital Flat Lit Surface, além da tecnologia h-Digi MicroLED que, segundo a fabricante, melhora visibilidade.

A estratégia da Marelli, baseada no conceito “Rooted in innovation, everywhere”, reforça a integração entre atuação global e expertise local, com foco em acelerar o lançamento de tecnologias e atender montadoras em diferentes mercados.

Farol Thin Corner-to-Corner

O novo farol frontal integra iluminação, comunicação e interação em uma única peça de largura total. Com dimensões 15 mm x 20 mm, o sistema permite animações dinâmicas e até comandos por toque ou voz, como abertura do porta-malas dianteiro.

Flat Lit Surface

A tecnologia Flat Lit Surface combina LEDs, guias ópticas e painéis OLED para criar superfícies iluminadas uniformes com efeito tridimensional. O sistema integra funções traseiras e permite maior personalização visual, além de novas possibilidades de comunicação externa.

h-Digi MicroLED

A solução h-Digi MicroLED oferece alta resolução e controle do feixe de luz. Disponível em diferentes configurações, a tecnologia também permite projeções dinâmicas e interação com o ambiente externo.

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Horse Powertrain desenvolve V6 híbrido de 544 cv com nova arquitetura híbrida

A Horse Powertrain apresentou um novo conjunto V6 eletrificado que amplia sua atuação para aplicações de maior desempenho dentro do portfólio global. Identificado como W30, o motor 3.0 biturbo foi concebido desde a origem para integração com sistemas híbridos, com potência combinada que pode alcançar até 544 cv, dependendo da configuração elétrica associada.

O projeto reforça a estratégia da empresa — joint venture entre Renault e Geely — de fornecer soluções modulares de propulsão para diferentes plataformas e mercados.

Arquitetura e soluções de engenharia

O V6 adota configuração a 90°, com dois turbocompressores e soluções voltadas à compactação do conjunto e ganho de eficiência térmica. Um dos pontos centrais é a integração dos coletores de escape ao cabeçote, reduzindo perdas energéticas e melhorando a resposta térmica do sistema, especialmente em regimes de carga parcial — condição crítica para motores híbridos.

Outro destaque é o desenvolvimento focado em redução de massa. O conjunto tem cerca de 160 kg, valor baixo para um V6 biturbo dessa categoria, o que contribui diretamente para eficiência energética e distribuição de peso no veículo.

 

O motor também foi projetado para ampla flexibilidade de instalação, podendo ser montado tanto em posição transversal quanto longitudinal. Isso permite sua aplicação em diferentes arquiteturas veiculares, de SUVs médios e grandes a modelos de perfil mais esportivo.

Integração com sistema híbrido dedicado

Diferente de soluções adaptadas, o W30 foi concebido para operar em conjunto com sistemas eletrificados desde o início do desenvolvimento. A integração ocorre com uma transmissão híbrida dedicada de quatro marchas (4LDHT), que incorpora dois motores elétricos.

Na prática, o sistema pode operar em diferentes modos. Funciona com tração elétrica em baixas velocidades, tem atuação combinada em acelerações e uso do motor a combustão como gerador em determinadas condições.

Essa configuração permite otimizar o funcionamento do motor térmico em faixas de maior eficiência, reduzindo consumo e emissões sem comprometer desempenho.

Aplicação global e modularidade

A proposta da Horse Powertrain é oferecer um conjunto escalável, capaz de atender diferentes níveis de eletrificação — de híbridos convencionais a sistemas mais avançados.

A modularidade também facilita a adaptação a diferentes mercados, considerando exigências de emissões e características de uso. O motor foi projetado para trabalhar com diferentes calibrações e arquiteturas elétricas, ampliando sua aplicação dentro de grupos automotivos globais.

Nova fase para motores híbridos de alta potência

O desenvolvimento do V6 W30 indica uma mudança de abordagem no setor: a eletrificação deixa de ser restrita a motores menores e passa a integrar também projetos de maior desempenho.

Nesse contexto, a Horse Powertrain busca ocupar um espaço estratégico ao combinar motores térmicos de alta eficiência com sistemas híbridos dedicados, criando soluções que equilibram potência, consumo e emissões em escala global.

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