terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Substituição da bandeja de suspensão do Volkswagen Fox

As verificações a cada 10 mil km podem evitar desgastes acelerados dos componentes de suspensão. Confira detalhes de diagnóstico e boas práticas de manutenção 

texto Vitor Lima   fotos Diego Cesilio  

A análise criteriosa do sistema de suspensão é uma das etapas mais importantes da manutenção automotiva, sobretudo quando o objetivo é preservar a segurança, o conforto e a durabilidade dos demais componentes do veículo. De acordo com o consultor de assistência técnica da Nakata, Eduardo Guimarães, no Volkswagen Fox 2010, modelo amplamente presente nas oficinas brasileiras, a suspensão dianteira segue um conceito relativamente simples, porém altamente sensível à falta de manutenção preventiva. A negligência nesse sistema pode resultar não apenas em desgastes acelerados, mas também em falhas graves de dirigibilidade. 

Do ponto de vista técnico, a suspensão pode ser entendida como um conjunto dinâmico responsável por unir o monobloco às rodas, mantendo os pneus em contato permanente com o solo e absorvendo as irregularidades da via. É esse sistema que garante estabilidade em curvas, conforto em pisos irregulares e controle direcional em frenagens e acelerações. 

 

Arquitetura e funcionamento do sistema de suspensão 

O sistema de suspensão é composto por diferentes componentes que trabalham de forma integrada. As molas são responsáveis por suportar o peso do veículo e absorver a energia dos impactos. Os amortecedores controlam o movimento das molas, impedindo oscilações excessivas após a passagem por irregularidades. Os pivôs permitem o movimento rotacional e angular da roda, enquanto as buchas de borracha atuam como elementos elásticos de ligação, reduzindo vibrações e ruídos metálicos. Complementando o conjunto, a barra estabilizadora limita a rolagem da carroceria em curvas, sendo conectada à suspensão por meio das bieletas.

Dentro desse conjunto, a bandeja de suspensão, também conhecida como braço oscilante, exerce papel estrutural fundamental. 

A bandeja pode ser comparada ao “joelho” da suspensão dianteira. Fabricada em aço estampado ou forjado, geralmente com formato triangular, ela conecta o conjunto da roda ao chassi por meio de buchas de borracha e, na extremidade oposta, à manga de eixo através do pivô. Essa configuração permite o movimento vertical controlado da roda, sem que haja deslocamentos longitudinais ou laterais indesejados. 

Na prática, a bandeja é responsável por manter estáveis os ângulos de caster e camber durante a condução. Ao transpor um buraco ou valeta, ela oscila para cima e para baixo, absorvendo parte do impacto e preservando o alinhamento da suspensão. Quando essa peça apresenta empenamento, fadiga estrutural ou buchas rompidas, ocorre perda de precisão geométrica, resultando em desgaste irregular de pneus e sensação de instabilidade, frequentemente descrita pelo cliente como “carro solto”. 

 

Integração com o terminal de direção 

Embora pertença ao sistema de direção, o terminal trabalha diretamente acoplado à suspensão. Trata-se de uma articulação esférica de alta precisão, responsável por transmitir às rodas o movimento gerado no volante. Ao girar o volante, a força percorre a caixa de direção, a barra axial e chega ao terminal, que converte o movimento linear em rotação da roda. 

O pino esférico interno do terminal permite que esse movimento seja mantido mesmo quando a roda sobe e desce constantemente em função da suspensão. Em situações reais de uso, como ao fazer uma curva sobre um piso irregular, o terminal mantém o ângulo de esterçamento enquanto a bandeja absorve o impacto vertical, demonstrando a interdependência desses componentes. 

 

Diagnóstico e identificação de desgastes 

O diagnóstico começa sempre pela escuta atenta do relato do cliente, seguida de inspeção visual e testes práticos. No Volkswagen Fox, é comum a ocorrência de falhas com baixa quilometragem, especialmente em condições severas de rodagem. A durabilidade dos componentes não é fixa e depende de fatores como estado das vias, carga transportada, manutenção da geometria e integridade das coifas protetoras. 

A ruptura das coifas é um dos principais gatilhos para falhas em pivôs e terminais. Com a entrada de água e sujeira, ocorre a contaminação ou perda da graxa, acelerando o desgaste do pino esférico. Além disso, a fadiga natural do aço estampado da bandeja pode gerar trincas ou deformações ao longo do tempo. 

Outro ponto crítico é a interdependência do sistema. Uma bucha rompida gera movimentações anômalas que sobrecarregam amortecedores, pneus e demais articulações. A ausência de inspeções periódicas transforma falhas simples em problemas complexos e perigosos. 

Entre os sinais mais comuns de alerta estão o desgaste irregular dos pneus, especialmente nas bordas internas, indicando alteração de cambagem ou convergência; instabilidade direcional, com o veículo puxando para um dos lados; ruídos metálicos ao transpor irregularidades; e variação perceptível de caster durante acelerações e frenagens. “A bucha traseira da bandeja, se estiver rompida, permite essa variação de caster, deixando o carro totalmente impreciso”, destaca o consultor. 

Durante a inspeção, devem ser avaliadas a integridade das buchas da bandeja, a presença de folga e o estado da coifa do pivô, a folga axial do terminal de direção e axial e as condições das bieletas e buchas da barra estabilizadora. Em condições normais, pivôs e terminais costumam durar entre 60 e 70 mil quilômetros, mas esse intervalo pode ser drasticamente reduzido quando há falhas de vedação ou uso severo. 

A folga no pino esférico do terminal compromete diretamente a precisão da direção e pode causar o fenômeno conhecido como shimmy, caracterizado por vibrações sentidas no volante. Esse sintoma é frequentemente confundido com desbalanceamento de rodas, quando na realidade tem origem no sistema de direção. 

 

Procedimento de desmontagem 

 

1) Antes de iniciar o serviço, o veículo deve estar corretamente apoiado e as ferramentas adequadas separadas. Comece retirando as rodas do veículo.  

 

2) Na bandeja de suspensão, inicia-se pela soltura do pivô, liberando-o da manga de eixo.  

3) Em seguida, remove-se o parafuso principal de fixação da bandeja ao agregado, permitindo a retirada completa da peça.  

 

4) No caso do terminal de direção, recomenda-se marcar a posição original ou contar o número de voltas da rosca antes da remoção, garantindo um pré-alinhamento na montagem. Utilize uma chave 22 mm para afrouxar a contraporca da barra axial.  

 

5) A porca autotravante do pino esférico deve ser solta com auxílio de uma chave Allen para travar o pino e uma chave estriada 19 mm para soltar a porca.  

 

6) O uso de um extrator é indispensável para desencaixar o terminal sem danificar o montante. Porém, neste caso, o pino esférico saiu com pouca interferência, assim, demonstrando que o componente já não apresentava boas condições de uso.  

 

Análise dos componentes e comparativo entre peças novas e usadas 

 

7) Ao analisar o terminal removido, foi encontrando a coifa totalmente rompida e ausência de graxa, resultando em folga excessiva.  

8) Já a peça nova apresenta pré-carga perceptível, garantindo precisão no funcionamento. Os sistemas modernos utilizam porcas autotravantes do tipo Parlock, eliminando a necessidade de cupilhas. Verifique se o novo componente está correto para aplicação, pois, qualquer alteração de ângulo que o terminal possa ter, compromete o trabalho do conjunto.  

9) Verifique as bandejas de suspensão. No caso da bandeja aplicada pela Nakata, o componente já vem com o novo pivô de suspensão instalado.  

Montagem 

 

10) A montagem deve seguir a ordem inversa da desmontagem, com atenção rigorosa aos detalhes. Instale o novo terminal de direção e aperte a porca que prende o pino esférico a manga de eixo.  

11) No terminal de direção, o rosqueamento deve respeitar a marcação original, seguido do aperto da porca autotravante e da contraporca da barra axial.  

12) É fundamental identificar corretamente o lado da bandeja. Com a bucha traseira da bandeja de suspensão instalada, passe uma fina camada de vaselina neutra para facilitar o encaixe e evita ressecamento precoce.  

13) O pivô deve ser encaixado cuidadosamente na manga de eixo, preservando a integridade da coifa. Aperte a porca que prende o pivô à manga de eixo.  

Obs.: O torque final dos parafusos das buchas de suspensão deve ser aplicado somente com o veículo apoiado no solo ou em rampa de alinhamento. Esse procedimento evita que a bucha trabalhe torcida, o que levaria à falha prematura. De o torque especificado pelo fabricante na porca que prende o pivô a manga de eixo. 

 

Alinhamento e orientação ao cliente 

Após qualquer intervenção na suspensão ou direção, o alinhamento é obrigatório. A substituição da bandeja e do terminal altera diretamente os ângulos de convergência, divergência e caster. “O pneu é caro, a bandeja é barata”, informa Eduardo Guimarães. Orientar o cliente sobre manutenção preventiva é uma medida que preserva a segurança, reduz custos e valoriza o serviço técnico realizado na oficina. 

 

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Fras-le amplia portfólio e reforça cobertura dos modelos mais vendidos do Brasil

A Fras-le acelera o lançamento de novas aplicações para garantir ampla cobertura da frota dos veículos mais vendidos do País. A fabricante já soma mais de 20 aplicações de pastilhas de freio dianteiras e traseiras nas linhas Advanced e Ceramaxx, com foco nos líderes de emplacamento.

Cobertura para os principais modelos

Entre os destaques da Fiat, a Fras-le atende Argo, Fastback, Pulse, Toro e o líder de vendas em 2025, Strada, com aplicações nas linhas Advanced e Ceramaxx.

Para a Chevrolet, há pastilhas para Onix e Tracker. Já na Volkswagen, a cobertura contempla Nivus, Polo, T-Cross e Tera.

O portfólio também inclui aplicações para modelos da Caoa Chery (Tiggo), Honda (HR-V), Hyundai (Creta e HB20), Jeep (Compass), Nissan (Kicks) e Toyota (Corolla Cross).

Foco também nos eletrificados

Atenta ao crescimento dos eletrificados no Brasil, a Fras-le também oferece pastilhas para o BYD Dolphin Mini e para modelos da GWM, como o Haval, ampliando a cobertura em segmentos que ganham cada vez mais participação na frota nacional.

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Randon vence Prêmio Lótus Campeão de Vendas pelo segundo ano consecutivo

Foto: Fernanda Freixosa

A Randon conquistou, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Lótus Campeão de Vendas como líder em vendas no mercado brasileiro de implementos rodoviários. Em 2025, a companhia recebeu oito certificações, incluindo o principal reconhecimento como Marca de Implemento Rebocado, pela liderança geral no país.

O levantamento considera o volume de implementos licenciados no Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), com dados divulgados pela Fenabrave.

Além da liderança geral, a fabricante também ficou em primeiro lugar em sete famílias de produtos:

  • Basculante
  • Graneleiro/Carga Seca
  • Dolly
  • Tanque de Produtos Perigosos
  • Baú Frigorífico
  • Silo
  • Tanque de Aço Carbono

Segundo o diretor-superintendente Eduardo Dalla Nora, o reconhecimento reforça o compromisso da empresa com qualidade, segurança, eficiência operacional e rentabilidade para clientes e parceiros.

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LEAPMOTOR C10: Quais são os desafios de manutenção do “Ultra Híbrido” da Stellantis?

Aspectos de manutenção do híbrido de alcance estendido da Stellantis 

texto Vitor Lima   fotos Diego Cesilio  / Stellantis Divulgação 

Leapmotor C10 marca uma nova fase da eletrificação no mercado brasileiro. Sob o guarda-chuva do grupo Stellantis, o modelo chega com uma proposta técnica pouco comum no país: trata-se de um veículo elétrico de alcance estendido, conhecido internacionalmente como EREV (Range Extended Electric Vehicle). Embora seja classificado comercialmente como híbrido, sua arquitetura mecânica e elétrica se distancia completamente dos híbridos tradicionais já conhecidos pelo reparador nacional. 

Nesse conceito, o veículo é sempre tracionado por um motor elétrico. O motor a combustão não possui ligação mecânica com as rodas, não existe câmbio convencional, embreagem ou conversor de torque. Toda a função do motor térmico é gerar energia elétrica para recarregar o pack de baterias de alta tensão. 

Segundo o especialista em manutenção automotiva Mário Bandeira, proprietário da Escuderia Car Service, localizada em São Paulo/SP, o conceito é simples, porém extremamente eficiente. “Temos aqui um motor que trabalha exclusivamente como gerador. Ele não traciona o carro em nenhum momento. Toda a movimentação é feita pelo motor elétrico”. 

Essa mudança de filosofia impacta diretamente a forma como o mecânico deve enxergar o veículo, principalmente no diagnóstico e na manutenção preventiva. 

 

Arquitetura geral do sistema híbrido 

O Leapmotor C10 é composto por quatro conjuntos principais que trabalham de forma integrada. O primeiro deles é o motor elétrico traseiro, responsável por toda a tração do veículo. Associado a ele está o conjunto redutor de marcha única, responsável por transmitir o torque às rodas traseiras. 

O segundo grande conjunto é o pack de baterias de alta tensão, instalado sob o assoalho do veículo. Esse conjunto armazena a energia responsável pela propulsão e também recebe carga tanto pela tomada externa quanto pelo motor a combustão. 

O terceiro sistema é justamente o motor térmico 1.5 aspirado, que atua exclusivamente como gerador. Por fim, o quarto conjunto é o sistema eletrônico de gerenciamento, responsável por controlar fluxo de energia, temperaturas, modos de condução e estratégias de carregamento. 

O resultado prático é que o condutor tem a sensação de dirigir um veículo totalmente elétrico, com torque imediato, aceleração linear e ausência total de trocas de marcha. 

 

Motor a combustão: construção e características 

O motor térmico do Leapmotor C10 é o H15R, um quatro cilindros 1.5 aspirado com injeção direta de 88 cv de potência e 12,7 kgfm de torque, que trabalha em ciclo Atkinson. Esse tipo de ciclo prioriza eficiência térmica, reduz consumo e é especialmente indicado para aplicações estacionárias. 

Por não atuar na tração, o motor não sofre picos de carga, variações bruscas de rotação ou esforço mecânico elevado. Sua operação é controlada eletronicamente conforme a necessidade de geração de energia.  Mário Bandeira destaca que, apesar do nível tecnológico do veículo, o coração mecânico permanece extremamente conhecido. “A manutenção desse motor é muito tranquila. Não tem nada de bicho de sete cabeças. É um motor convencional”.  O comando de válvulas utiliza corrente, eliminando a necessidade de substituições periódicas de correia dentada, o que reforça o foco em durabilidade. 

Capô aberto 

Do ponto de vista do mecânico, o motor apresenta acesso simples aos principais componentes. As quatro bobinas individuais (1) estão posicionadas na parte superior do cabeçote, assim como as velas de ignição, permitindo substituição rápida e sem desmontagens complexas. 

A central eletrônica do sistema de injeção também se encontra em posição acessível no cofre do motor (2), facilitando testes elétricos, medições e diagnóstico via scanner. 

Para realizar leituras de parâmetros ou testes ativos, é necessário habilitar o funcionamento do motor gerador por meio do menu de manutenção disponível na central multimídia do veículo. 

Mesmo não sendo responsável pela tração, o motor térmico do C10 atende integralmente às normas ambientais. O sistema conta com válvula EGR (3), trocador de calor dedicado, catalisador e duas sondas lambda, uma antes e outra após o catalisador (4). “O sistema EGR é bem projetado, bem dimensionado e de fácil manutenção”, comenta o mecânico. 

O posicionamento dos componentes permite inspeção e substituição sem grandes intervenções estruturais, algo positivo para a rotina de oficina. 

Um dos pontos técnicos mais relevantes do Leapmotor C10 é sua arquitetura tripla de arrefecimento. Diferentemente de veículos convencionais, o modelo possui três circuitos completamente independentes. 

O primeiro circuito é responsável pela refrigeração do motor de tração e gerador (5). O segundo circuito é dedicado ao motor e sistema de ar-condicionado (6) 

Já o terceiro circuito (7) é dedicado ao pack de baterias de alta tensão. Nesse sistema, o fluido refrigerante percorre todos os módulos internos da bateria, dissipando o calor gerado pelas reações químicas e retornando ao reservatório em um ciclo contínuo. 

Cada reservatório possui identificação própria, o que facilita o diagnóstico e evita erros durante manutenções. Porém, o líquido do sistema de arrefecimento deve ser substituído a cada 40 mil km ou 4 anos, o que ocorrer primeiro. O produto homologado é o OAT-25°C/ OAT-40°C e, para cada sistema, são diferentes capacidades volumétricas. 

Para o sistema de arrefecimento do motor a combustão e ar-condicionado são 8,4L com variação para mais ou menos de 0,4 litros. Já o sistema de arrefecimento do motor elétrico e do gerador são 7,9L com variação para mais ou menos de 0,4 litros. Por fim, o sistema de arrefecimento da bateria tem capacidade de 3L com variação para mais ou menos de 0,3 litros. 

Um dos aspectos que mais chamaram a atenção do profissional foi a escolha do fluido refrigerante. Apesar de ser um veículo eletrificado, o Leapmotor C10 utiliza o gás R134a, amplamente conhecido pelo mecânico brasileiro. “Enquanto uma carga de gás em híbridos modernos pode chegar a três mil reais, aqui estamos falando de um gás barato e fácil de encontrar”, destaca Mário Bandeira. 

O compressor do sistema, porém, é elétrico e alimentado por alta tensão. Ele é identificado pelos cabos laranja e exige procedimentos específicos de segurança. Qualquer intervenção nesse sistema requer a desativação do circuito de alta tensão por meio da chave de serviço, também conhecida como interlock. 

O Leapmotor C10 não utiliza servo-freio convencional a vácuo. No lugar da tradicional “panelona”, o sistema conta com um módulo eletro-hidráulico composto por motor elétrico e atuador hidráulico (8). 

Esse conjunto é responsável por gerar a pressão necessária para o sistema de freios, independentemente do funcionamento do motor térmico. 

O fluido utilizado é DOT 4, amplamente conhecido, e o reservatório possui grande capacidade (9). A substituição deve ocorrer a cada 40 mil km ou 2 anos, o que ocorrer primeiro. Porém, em caso de utilização severa do veículo, deve-se reduzir os períodos de troca pela metade. As pinças dianteiras contam com dois pistões e sistema flutuante, sem qualquer complexidade adicional para manutenção. 

 

Undercar 

Como citado acima, os itens do sistema de frenagem não trazem dificuldades ao mecânico e, para as pastilhas de freio, deve-se verificar a espessura do material de fricção. Caso seja inferior a 2 mm, é recomendável a substituição. Já o disco de freio, deve apresentar espessura superior a 26 mm para o conjunto dianteiro e 16 mm para o traseiro. Caso apresentem espessura inferior, devem ser substituídos. 

Na dianteira, o C10 utiliza suspensão McPherson, com bandejas triangulares, barra estabilizadora e manga de eixo em liga de alumínio (10). Na traseira, a suspensão é independente do tipo multi-link (11), com braços oscilantes, facão estrutural e bieletas. 

Para substituição do filtro de óleo do motor (12) e escoamento por meio do bujão no cárter, o mecânico não encontra nenhum tipo de dificuldade. Em manual, a Leapmotor informa que o óleo homologado atende as especificações 5W-30 API SN. 

A direção é elétrica, fornecida pela Bosch (13), e opera em baixa tensão, não oferecendo riscos adicionais ao mecânico. 

Todo o conjunto segue padrões amplamente conhecidos, permitindo alinhamento, substituição de componentes e reparos estruturais sem particularidades complexas. 

Na parte inferior do veículo encontram-se o pack de baterias de íons de lítio de alta tensão, com capacidade de total de armazenamento de 28,4 kWh, os dutos de arrefecimento e os cabos laranja protegidos por carenagens estruturais (14). 

Na traseira está instalado o motor elétrico de tração TZ220XY009, capaz de atingir 215 cv de potência e 32,6 kgfm de torque, responsável por mover aproximadamente duas toneladas de veículo (15). Acoplado a ele encontra-se o redutor de marcha única (16). 

Assim como ocorre nos modelos da Tesla, esse conjunto possui sistema próprio de lubrificação e filtro de óleo dedicado, o que exige manutenção periódica (17). É utilizado o lubrificante Idemitsu LP EDF-01, são 2 litros de capacidade para o sistema, que devem ser substituídos a cada 60 mil km, junto com o filtro. 

A bateria convencional de 12 volts não está localizada no cofre do motor. Seguindo tendência adotada por marcas como Volvo e BMW, ela fica posicionada sob o assoalho do porta-malas (18). Trata-se de uma bateria AGM, cuja substituição exige a remoção dos acabamentos internos traseiros. 

Considerações finais 

O Leapmotor C10 representa uma nova interpretação da eletrificação automotiva. Apesar do alto nível tecnológico, sua manutenção mecânica permanece acessível e extremamente próxima da realidade das oficinas independentes. “Você mecânico está deixando dinheiro na mesa se não trabalhar com esse carro. A mecânica básica continua sendo a mesma”, alerta Mário.

O modelo combina o melhor dos dois mundos: a dirigibilidade de um elétrico com a segurança operacional de um motor a combustão atuando como gerador. Para o mecânico, isso significa oportunidade de negócio, desde que haja capacitação, leitura técnica correta e respeito aos procedimentos de segurança. Diferente do que muitos imaginam, o futuro da mobilidade automotiva continua passando pela oficina mecânica. 

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