Passo a passo mostra a retirada dos principais componentes do motor EA211, com orientações sobre diagnóstico, vedação, lubrificação e arrefecimento
texto Felipe Salomão fotos Diego Cesilio
A desmontagem do motor 1.4 TSI da Volkswagen, da família EA211, revela a arquitetura dos sistemas de alimentação, sobrealimentação e arrefecimento. Em conteúdo gravado na fábrica de São Carlos (SP), técnicos detalham o processo de retirada dos periféricos e destacam cuidados com vedação, lubrificação e funcionamento dos componentes. Ademais, essa primeira parte pode ser vista no YouTube. Inclusive, no vídeo há uma explicação exclusiva, além das informações que estão nas próximas páginas, focada no passo a passo da desmontagem dos periféricos.
O motor
O motor 1.4 TSI equipa modelos como T-Cross, Taos e Virtus, utilizando injeção direta, turbocompressor e comando de válvulas variável. A proposta da desmontagem é apresentar os componentes, identificar pontos de desgaste e orientar procedimentos.
“O motor 1.4 TSI equipa modelos como Taos, T-Cross e Virtus. É um motor de quatro cilindros com injeção direta, turbocompressor e bom rendimento”, explica Ronaldo Luiz Belini, inspetor de Qualidade técnico da Volkswagen.
Entre os destaques do conjunto estão o turbocompressor, o intercooler integrado ao coletor de admissão, a bomba de alta pressão e o sistema de comando variável nos dois eixos.
“Aqui temos o turbocompressor, responsável por admitir o ar de forma forçada. Também temos comando variável nos dois eixos e injeção direta para otimizar desempenho e consumo”, completa Diego Rafael de Mello, inspetor de Qualidade, técnico da Volkswagen.
1) Remoção do tubo de pressão
Desconectar o sensor MAP Soltar fixações e retirar o tubo
Observação: O tubo de pressão é responsável por conduzir o ar pressurizado do turbocompressor até o corpo de borboleta. Sua fixação ocorre por meio de presilhas e abraçadeiras distribuídas ao longo do conjunto, que devem ser liberadas para a remoção do componente.
Durante o procedimento, é necessário observar os anéis de vedação (O-rings) presentes nas conexões. Danos, ressecamento ou má acomodação desses anéis podem provocar vazamento de ar, perda de pressão e falhas de desempenho, condição identificada pelo sensor MAP.
“Se houver dano nos anéis de vedação, pode ocorrer vazamento de ar e perda de pressão”, alerta Mello.
2) Retirada do duto de admissão (entrada de ar)
Remover o duto entre filtro e turbocompressor
Soltar dois parafusos de fixação
Ferramenta:
Chave TorxT30 com haste alongada
3) Desconexão do sistema do turbocompressor
Desligar chicote do atuador
de pressão
Iniciar acesso às linhas de óleo
e arrefecimento
4) Remoção das linhas de óleo do turbo
Soltar parafusos na carcaça, abraçadeira e bloco
Retirar tubo de alimentação e retorno
Ferramentas:
Chaves para fixadores Torx T30
Observação: presença de óleo no momento da remoção e estado dos O-rings. Esses elementos garantem a vedação do sistema de lubrificação. Qualquer falha pode gerar vazamento e queda de pressão de óleo no turbocompressor.
5) Retirada da tubulação de arrefecimento da turbina
Soltar abraçadeiras das mangueiras
Remover fixações do conjunto
Ferramentas:
Chave Torx T30
Ferramenta para abraçadeiras
Observação: O sistema possui circuito de ida e retorno do fluido de arrefecimento, responsável por controlar a temperatura do turbocompressor.
6) Remoção da proteção térmica
Retirar cinco parafusos da capa
Ferramentas:
Torx E10 (estrela)
Chave 10 mm
Observação: A proteção térmica evita a transferência de calor da região do escape para componentes sensíveis posicionados na parte superior do motor.
7) Retirada do duto de recirculação de gases
Desconectar nas extremidades
Remover o componente
“Esse sistema reaproveita gases do motor, evitando emissão direta”, explica Belini.
8) Remoção do turbocompressor
Soltar quatro porcas em sequência cruzada (X)
Retirar o conjunto
Ferramentas:
Soquete 12 mm
Chave 12 mm
“O turbo possui lado frio, lado quente e corpo intermediário com lubrificação e arrefecimento”, detalha Mello.
Cuidados com o turbocompressor
O turbocompressor trabalha com rotação elevada e depende diretamente da lubrificação e do arrefecimento para sua durabilidade. O conjunto possui:
Lado quente (gases de escape)
Lado frio (admissão de ar)
Corpo central com passagem de óleo e fluido de arrefecimento
“O uso do lubrificante correto e do fluido de arrefecimento adequado é essencial para evitar falhas”, orienta Mello.
Observação: Um ponto crítico está no desligamento do motor após aceleração. Quando o motor é desligado imediatamente após alta rotação, o eixo do turbocompressor permanece girando sem lubrificação, pois a circulação de óleo é interrompida. Essa condição pode causar desgaste prematuro, folga no eixo e até travamento do conjunto.
Por isso, recomenda-se manter o motor em marcha lenta por alguns segundos antes do desligamento, permitindo a redução da rotação do rotor e a estabilização térmica do sistema.
9) Remoção do corpo de borboleta
Desconectar chicote
Soltar parafusos de fixação
Ferramenta:
Chave Torx T30
Observação: O componente controla a quantidade de ar admitido pelo motor. Entre o corpo de borboleta e o coletor de admissão há O-rings responsáveis pela vedação. Falhas nesses anéis podem gerar entrada falsa de ar e comprometer o funcionamento do motor.
10) Retirada do coletor de admissão
Desconectar mangueiras e sensores
Soltar fixações inferiores e superiores
Ferramentas:
Chave Torx (especificação
não informada)
Ferramenta para abraçadeiras
11) Remoção do chicote elétrico
Desconectar sensores e atuadores
Soltar presilhas e suportes
Remover cabo de aterramento
Ferramentas:
Espátula ou chave pequena
Chave 10 mm
Observação: O chicote é responsável pela comunicação entre sensores, atuadores e a unidade de controle do motor.
Para evitar danos, a remoção dos conectores deve seguir um procedimento: pressionar levemente o conector no sentido de encaixe para aliviar a trava e, em seguida, destravar e puxar. A remoção direta sem esse alívio pode quebrar as travas plásticas.
Durante a desmontagem, é necessário remover o cabo de aterramento (massa) localizado na parte superior, fixado com parafuso de 10 mm. Além disso, outro ponto relevante está na região do escape, onde há maior carga térmica. Nessa área, o chicote possui proteções térmicas e capas adicionais nos conectores para evitar danos por temperatura elevada.
12) Retirada das bobinas de ignição
Soltar fixação
Remover bobinas individuais
Ferramenta:
Chave 10 mm
Observação: Cada cilindro possui uma bobina dedicada, posicionada diretamente sobre a vela.
13) Sistema de combustível (bomba de alta pressão)
“A bomba de alta é acionada por um came e controla a pressão do combustível para os injetores”, detalha Mello.
O acionamento ocorre mecanicamente pelo eixo de comando, que movimenta um tucho interno responsável pela compressão do combustível. Além disso, o sistema conta com um solenoide que atua como válvula de controle, regulando a quantidade de combustível admitida na bomba conforme a demanda do motor. Isso permite ajustar a pressão na galeria e garantir o funcionamento correto da injeção direta.
14) Remoção da bomba d’água
Retirar capa da correia
Soltar cinco parafusos
Remover bomba
Ferramenta:
Chave Torx T30
Observação: sistema com dois circuitos de arrefecimento. Já que o motor utiliza dois circuitos distintos, um para o bloco e outro para o cabeçote, controlados por válvulas termostáticas. Essa configuração permite aquecimento mais rápido do motor em fase fria e melhor controle térmico em diferentes condições de funcionamento.
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