Procedimento exige bloqueio preciso do virabrequim e dos comandos para garantir alinhamento e funcionamento adequado
Modelos da Peugeot fabricados entre 2007 e 2013 equipados com motor 1.6 16V (TU5JP4) entregam até 113 cv no etanol e torque máximo de 15,8 kgfm a 4.000 rpm. Trata-se de um conjunto que depende diretamente do sincronismo exato entre virabrequim e comandos de válvulas. Qualquer desalinhamento compromete desempenho, consumo e pode provocar danos internos. Por isso, a substituição da correia de distribuição deve seguir procedimento técnico rigoroso.
Desmontagem
O início do serviço requer a elevação da parte dianteira do veículo em elevador ou com apoio seguro em cavaletes, mantendo as rodas suspensas. Em seguida, a bateria deve ser desligada, respeitando um intervalo mínimo de cinco minutos após o desligamento da ignição para permitir o adormecimento completo da rede elétrica.
Na sequência, é necessário remover a roda dianteira direita, o para-barro do para-lama, o protetor de cárter, a correia de acessórios e a polia do virabrequim, fixada por três parafusos. Com esses componentes fora de posição, o motor precisa ser sustentado pela parte superior com barra transversal adequada ou apoiado por baixo com equipamento compatível, garantindo estabilidade durante o processo.
O próximo passo consiste em retirar a unidade de controle do motor com seu suporte, remover o batente indicado, desacoplar e afastar o chicote elétrico e extrair os suportes do motor envolvidos na área de trabalho. Depois disso, são removidas as tampas superior e inferior da correia de distribuição, liberando acesso completo ao sistema.
Com o conjunto exposto, realiza-se o travamento do virabrequim no ponto morto superior do primeiro cilindro, inserindo a haste de posicionamento no orifício lateral do bloco, próximo ao filtro de óleo. Em seguida, devem ser instalados os pinos de sincronização nos comandos de admissão e escape, alinhando os furos das polias com os do cabeçote para garantir o posicionamento correto.
Com o motor devidamente calado, afrouxa-se a porca de fixação do tensor para eliminar a carga aplicada sobre a correia. A correia usada é então retirada. Nesse momento, é fundamental examinar o tensor, o rolamento auxiliar e a bomba d’água quanto a desgaste, folga ou ruído, além de verificar possíveis vazamentos nos retentores.
Montagem
A instalação da nova correia deve obedecer ao sentido de rotação indicado pelo fabricante e seguir uma sequência lógica de encaixe: inicia-se pela engrenagem do virabrequim, passa-se pelo rolamento de apoio, engrenagem do comando de admissão, engrenagem do comando de escape, polia da bomba d’água e, por fim, o rolete tensor.
Após o encaixe, os pinos de posicionamento dos comandos são removidos. O tensionamento inicial é feito girando o tensor no sentido anti-horário com chave Allen aplicada no sextavado correspondente, até que o ponteiro atinja sua marca de referência máxima. A porca de fixação é então apertada com torque de 2,1 kgfm.
Retira-se a haste de bloqueio do virabrequim e executam-se quatro giros completos no sentido horário utilizando o parafuso da engrenagem. Esse procedimento permite o assentamento da correia. Em seguida, reinstalam-se a haste e os pinos de sincronização para confirmar o alinhamento do conjunto.
Para o ajuste final, a fixação do tensor é novamente afrouxada e, com auxílio da chave Allen, posiciona-se o ponteiro na marca de trabalho indicada. Realizam-se mais duas voltas completas no virabrequim, afrouxa-se a porca e corrige-se a tensão até que o indicador permaneça na posição especificada.
Confirmado o sincronismo e a tensão correta, os demais componentes, tampas e suportes são reinstalados seguindo a ordem inversa da desmontagem.
Esse procedimento evidencia que a troca da correia de distribuição não se resume à substituição de um componente. Trata-se de uma operação que exige controle de fase, precisão no bloqueio mecânico e ajuste correto de tensão, fatores determinantes para o funcionamento uniforme do motor 1.6 16V.
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