SUV 100% elétrico da montadora japonesa revela arquitetura de alta tensão, dupla motorização e soluções que exigem domínio técnico em sistemas eletrificados
Mesmo fora dos planos comerciais para o Brasil, o Nissan Ariya expõe um conjunto técnico que antecipa o que chegará às oficinas nos próximos anos, que são os sistemas dos carros elétricos. Por isso, a Revista O Mecânico, que ao longo da sua história sempre esteve na vanguarda dos assuntos do cotidiano do universo mecânico, traz no YouTube um Raio X completo do SUV 100% elétrico, que jamais pisará no Brasil, mas revela como é a tecnologia global da marca japonesa.
Construído sobre a plataforma CMF-EV, o utilitário adota versão com dois motores elétricos, um em cada eixo, entregando 394 cv e tração integral. Sob o capô, a organização dos componentes evidencia a lógica dos veículos de alta tensão: inversor em destaque, cabos laranja identificando circuitos energizados, bateria auxiliar de 12 V para alimentação dos módulos e dois sistemas independentes de arrefecimento, um dedicado ao conjunto motor/inversor e outro à bateria de 91 kWh. “Cabo laranja e etiqueta de alta tensão não estão ali por estética. São alertas claros de que existe energia potencial mesmo com o veículo desligado”, explica Mauricio Marcelino, Coordenador Técnico da Revista O Mecânico.
Na parte inferior, a bateria de níquel, manganês e cobalto ocupa praticamente toda a base estrutural, contribuindo para o centro de gravidade baixo e exigindo cuidado redobrado em intervenções estruturais. O sistema mantém o radiador frontal para controle térmico, contrariando a percepção de que elétricos dispensam dissipação de calor. A arquitetura inclui ainda freio hidráulico convencional com fluido DOT 4, já que a atuação elétrica regenerativa não elimina a necessidade de um sistema incompressível para frenagens imediatas. “Mesmo em veículo elétrico, o fluido de freio continua sendo item crítico e higroscópico, com necessidade de substituição periódica”, reforça Marcelino.
A suspensão dianteira segue o conceito McPherson, com bandeja inferior e manga de eixo em liga leve, enquanto o pivô é prensado na bandeja, o que implica substituição do conjunto em caso de folga. Na traseira, o segundo motor elétrico trabalha acoplado a semieixos com juntas homocinéticas e coifas, mantendo componentes já conhecidos da mecânica tradicional. O peso adicional do conjunto elétrico impõe maior solicitação a pneus e elementos de suspensão. “O carro elétrico é mais pesado e isso impacta diretamente no desgaste de pneus, bieletas e articulações”, destaca Marcelino.
Outro ponto relevante está na acessibilidade. O inversor possui fixação que favorece a remoção, mas o amortecedor traseiro exige desmontagem de acabamentos inferiores, o que pode elevar o tempo de serviço com o envelhecimento dos plásticos. O padrão de recarga segue o sistema japonês CHAdeMO, com potência de até 130 kW, evidenciando a diversidade de conectores no mercado global. Para Marcelino, o Ariya sintetiza o momento de transição tecnológica: “A base mecânica ainda dialoga com o que já conhecemos, mas a gestão eletrônica e os sistemas de alta tensão exigem capacitação contínua e leitura técnica aprofundada”.
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