A escolha do lubrificante adequado para o motor ainda está entre os temas que mais geram questionamentos no setor automotivo. Dúvidas envolvendo a viscosidade ideal, o período correto para substituição, a mudança na cor do óleo e sua influência no funcionamento do motor seguem frequentes tanto nas oficinas quanto em debates nas plataformas digitais. Para Wellington Santos, especialista em tecnologia de produto da Castrol, informações incorretas ou interpretações equivocadas podem contribuir diretamente para falhas e desgaste antecipado dos componentes internos do motor.
Óleo lubrificante: mitos e erros afetam vida do motor
Escolher o óleo lubrificante correto ainda gera dúvidas entre motoristas e profissionais da reparação. Questões sobre viscosidade, prazo de troca, coloração do produto e desempenho continuam presentes no ambiente das oficinas e também nas redes sociais. Segundo Wellington Santos, especialista em tecnologia de produto da Castrol, parte dos problemas relacionados ao desgaste prematuro do motor está associada à desinformação.
“O óleo é um componente de engenharia. Ele é formulado com óleos básicos, pacote de aditivos e focados em especificações técnicas da indústria e de montadoras. Não é tudo igual e não pode ser escolhido apenas pelo preço”, afirma o especialista.
Cinco mitos sobre óleo lubrificante
Algumas informações disseminadas ao longo dos anos ainda são repetidas como regras técnicas, mas não encontram respaldo nas recomendações dos fabricantes.
“Óleo mais grosso protege mais o motor”: mito
A viscosidade deve seguir a recomendação definida pela montadora. Um lubrificante mais espesso pode apresentar maior dificuldade de circulação, principalmente durante a partida a frio.
“A viscosidade não é sinônimo de proteção extra. Se o motor foi projetado para 5W-30, usar 20W-50 pode prejudicar circulação, desempenho, consumo de combustível e emissões”, explica Wellington.
O primeiro número da classificação indica o comportamento do óleo em baixas temperaturas, enquanto o segundo representa sua viscosidade em temperaturas elevadas.
“Se o carro roda pouco, não precisa trocar o óleo”: mito
Mesmo com baixa quilometragem, o lubrificante sofre degradação química. Oxidação, absorção de umidade e contaminação por combustível podem comprometer o desempenho do produto.
Além disso, trajetos curtos são considerados uso severo, já que o motor muitas vezes não atinge sua temperatura ideal de funcionamento.
“Todo óleo sintético é igual”: mito
O tipo de base do óleo não é o único fator que define sua aplicação. O pacote de aditivos e as normas técnicas também influenciam diretamente no desempenho.
“A informação da base sintética no rótulo é só uma parte do perfil do produto. É preciso observar também as normas como SAE, API e ACEA, além das especificações dos fabricantes de veículos que são classificações técnicas que indicam o nível de desempenho e qualidade dos óleos lubrificantes para motores”, destaca Wellington.
“Óleo escuro perdeu a validade”: mito
A alteração de cor não é, isoladamente, um indicativo técnico de perda de eficiência. O escurecimento pode representar justamente a atuação do lubrificante na retenção de resíduos e partículas.
Completar com qualquer óleo da mesma viscosidade: mito parcial
Segundo o especialista, produtos com a mesma viscosidade podem apresentar formulações e pacotes de aditivos diferentes.
“Em emergências, é possível completar com óleo da mesma especificação. Mas o ideal é manter o produto até a troca para preservar a performance original da formulação”, orienta.
Verdades sobre óleo e manutenção do motor
Além dos equívocos mais comuns, algumas condições de uso exigem atenção especial de reparadores e proprietários.
Partida concentra desgaste do motor
De acordo com a análise apresentada, cerca de 75% do desgaste ocorre no momento da partida, período em que o lubrificante ainda não circulou completamente.
Em trânsito urbano, com sucessivos ciclos de para e anda, essa condição se repete diversas vezes ao longo do dia.
Lubrificante influencia no consumo
Reduzir atrito interno também pode contribuir para a eficiência do motor.
“Quando há menos contato metal-metal, o motor trabalha de forma mais eficiente. Isso pode refletir em economia de combustível, dependendo do veículo e das condições de uso”, afirma Wellington.
Uso urbano exige atenção
Trânsito intenso, trajetos curtos e partidas frequentes fazem com que muitos veículos operem em condição considerada severa.
Nesses casos, o intervalo de troca deve seguir a recomendação prevista no manual.
“O óleo lubrificante não é apenas um fluido, mas sim parte estrutural da engenharia do motor. Ele controla atrito, ajuda na limpeza interna, contribui para a eficiência térmica, durabilidade, economia de combustível e emissões mais limpas”, conclui o técnico da Castrol.
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