Projeto desenvolvido no Brasil em parceria com a FPT Industrial combina dois biocombustíveis e amplia alternativas para a descarbonização do transporte
A busca por soluções de baixo carbono continua impulsionando o desenvolvimento de novas tecnologias para veículos comerciais. Nesse cenário, um projeto liderado no Brasil colocou a MAHLE América do Sul entre os destaques do setor automotivo nacional.
A empresa conquistou o Prêmio ESG da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) na categoria Inovação Tecnológica graças ao desenvolvimento de um motor multifuel capaz de operar simultaneamente com etanol e biometano. A solução foi criada em parceria com a FPT Industrial e tem como foco aplicações em que a eletrificação ainda encontra limitações.
O reconhecimento foi concedido ao projeto do motor FPT F1C, desenvolvido pelo Centro Tecnológico da MAHLE em Jundiaí (SP), com participação de pesquisadores da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), da Unesp e da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Segundo a empresa, a proposta é ampliar as alternativas para a redução das emissões de gases de efeito estufa aproveitando combustíveis renováveis amplamente disponíveis no Brasil.
Motor multifuel passou por mais de 900 horas de testes
Antes de chegar à fase de validação, o motor bicombustível passou por um extenso processo de desenvolvimento. Ao todo, foram mais de 600 horas dedicadas à criação de protótipos de componentes e simulações computacionais.
Além disso, outros 300 horas de ensaios em dinamômetros foram realizadas para comprovar a viabilidade técnica da solução, bem como sua conformidade com as normas de emissões.
De acordo com a MAHLE, os testes também permitiram verificar a eficiência energética e a confiabilidade necessárias para futuras aplicações em veículos.
O projeto teve como objetivo criar uma alternativa para reduzir a pegada de carbono em segmentos em que a eletrificação ainda enfrenta desafios relacionados à infraestrutura e à autonomia.
Centro tecnológico em Jundiaí reúne 220 especialistas
Fundado em 2008, o Centro Tecnológico da MAHLE em Jundiaí tornou-se um dos principais polos de desenvolvimento de mobilidade da América do Sul. Atualmente, a estrutura reúne cerca de 220 profissionais especializados em áreas como termodinâmica, materiais, química, design e análise de fadiga.
Além do desenvolvimento de motores de combustão interna e estudos com combustíveis sustentáveis, a unidade realiza ensaios de durabilidade, vibração, resistência térmica, corrosão e eficiência de filtragem.
A digitalização também faz parte da estratégia do centro de engenharia, que utiliza recursos de simulação virtual para otimizar projetos voltados para motores mais eficientes e alinhados às metas globais de sustentabilidade.
Com o reconhecimento da AEA, a MAHLE reforça a importância da colaboração entre indústria e universidades brasileiras para acelerar a transição energética e ampliar as opções tecnológicas voltadas à descarbonização do transporte.
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