Componente atua na redução do atrito, preserva peças mais caras e pode indicar falhas de lubrificação antes de danos graves
Presentes em motores de veículos leves, comerciais, pesados e híbridos, as bronzinas desempenham uma função essencial para a durabilidade do conjunto mecânico. Embora sejam pouco visíveis para o motorista, esses componentes são responsáveis por evitar o contato direto entre partes metálicas móveis, contribuindo para a redução do atrito e para o correto funcionamento do sistema de lubrificação.
Além de favorecer a eficiência do motor, as bronzinas também desempenham outro papel importante: servem como uma espécie de “alerta antecipado” para problemas internos. Segundo a MAHLE, o componente é o primeiro a reagir quando ocorre alguma anomalia relacionada à lubrificação, ajudando a preservar peças mais complexas e de maior valor.
Aplicadas entre componentes como virabrequim e bielas, as bronzinas trabalham em condições severas e, quando corretamente dimensionadas, podem acompanhar toda a vida útil do motor, que em muitos casos supera os 200 mil quilômetros.
Desgaste controlado evita danos maiores ao motor
De acordo com Ednilson Rodrigues, engenheiro de Desenvolvimento de Produto da MAHLE, o desgaste da bronzina funciona como uma proteção para o sistema.
Quando há alguma falha de lubrificação, o componente é projetado para sofrer desgaste antes de peças mais caras, como o virabrequim. Dessa forma, é possível evitar danos de maior complexidade e custos mais elevados de reparação.
Existem diferentes tipos de bronzinas, como as de biela, de mancal e as flangeadas. Estas últimas são responsáveis pelo controle da folga axial do virabrequim. Em condições normais, o desgaste ocorre de forma uniforme, permitindo longa durabilidade.
Para atender às exigências dos motores modernos, a fabricante utiliza ligas metálicas especiais e diferentes tecnologias de revestimento, incluindo deposição galvânica, polímeros e sputter. Também são empregados processos como sinterização, fundição e cladeamento, garantindo precisão dimensional e repetibilidade na fabricação.
Segundo a empresa, os revestimentos poliméricos foram desenvolvidos para suportar situações mais severas, como partidas a frio, sistemas start-stop e ciclos frequentes de acionamento, contribuindo para reduzir o atrito e melhorar a dissipação térmica.
Montagem incorreta está entre as dúvidas mais frequentes
Entre as principais questões recebidas pelo suporte técnico da MAHLE, uma das mais comuns está relacionada à interpretação do ressalto de localização da bronzina.
Conforme explica Flavio Donizete Poloni, engenheiro de Assistência Técnica da companhia, muitos profissionais da reparação interpretam esse recurso como uma trava. Na prática, porém, ele funciona apenas como uma referência para posicionamento durante a montagem.
A fixação da peça ocorre pela interferência dimensional entre a bronzina e o alojamento, e não pelo ressalto. Por isso, compreender as características construtivas do componente é fundamental para evitar erros na instalação.
A operação brasileira da MAHLE conta com fábricas em Itajubá (MG) e São Bernardo do Campo (SP), responsáveis tanto pela produção nacional quanto pelo fornecimento de materiais para outras unidades do grupo ao redor do mundo.
Além do fornecimento para o mercado de reposição, a empresa atua como fabricante original para diversas montadoras, incluindo motores utilizados por Stellantis, Renault, GM, Mercedes-Benz, MAN e MWM. A companhia também mantém programas de treinamento e capacitação técnica em parceria com o SENAI e por meio de plataformas digitais voltadas aos profissionais da reparação.
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