Modelo estreia no Brasil em duas versões, traz suspensão multilink e autonomia de até 289 km pelo Inmetro; Mário Bandeira analisa pontos técnicos e manutenção
texto Felipe Salomão fotos Diego Cesilio
O Geely EX2 chega ao mercado brasileiro como um elétrico compacto voltado para deslocamentos urbanos e uso profissional, assim como o principal rival, o BYD Dolphin, já analisado pela Revista O Mecânico. Desta vez, para acompanhar o tradicional Raio X Mecânico, contamos com a avaliação técnica de Mário Bandeira, especialista da Oficina Escuderia Car Service, que apontou características importantes para o reparador independente.
Todavia, antes de subir o modelo no elevador, é preciso informar sobre o Geely EX2, que é vendido em duas versões: Pro, que sai por R$ 123,8 mil e Max com preço de R$ 136,8 mil. Ambas trazem motor elétrico de 116 cv, 15 kgfm de torque e bateria de 40 kWh, que oferece 410 km de autonomia no ciclo CLTC e 289 km pelo padrão do Inmetro.
Com 4.135 mm de comprimento, 1.805 mm de largura, 1.570 mm de altura e 2.650 mm de entre-eixos, o EX2 é 2 cm mais longo que o Dolphin. O porta-malas comporta 375 litros (ou 1.320 litros com bancos rebatidos) e há um frunk de 70 litros sob o capô.
Impressões visuais do EX2
A proposta do EX2 foca em mobilidade diária e operação urbana. “O design dele me agrada”, afirmou Mário Bandeira ao avaliar o conjunto visual e proporções. Ele comparou o modelo aos principais elétricos compactos: “Eu acho ele mais bonito que o Dolphin”. Para efeito de referência, o mecânico disse que, entre os pequenos, prefere o Ora, “mas o EX2 tem uma proposta interessante”.
Cofre: acesso rápido aos sistemas de baixa tensão
O cofre do motor parece com o Volkswagen Fusca, só que segue padrão dos elétricos de entrada, com todos os componentes de alta tensão vedados. Entre os itens visíveis no Geely EX2 e acessíveis ao mecânico, Bandeira destacou a bateria auxiliar. “A bateria de baixa tensão é de fácil acesso”, avaliou. O modelo usa uma bateria 12 V de 32 Ah, posicionada em área aberta.
Bandeira também identificou a chave de serviço e o ponto de corte de emergência, indicado por um pictograma no cofre: “Esse acesso rápido faz diferença em emergências”, explicou.
No compartimento também estão o reservatório de fluido de freio DOT 4, a tampa do sistema de arrefecimento e o reservatório do limpador. O EX2 utiliza gás refrigerante R-134a, com carga indicada em etiqueta de 450 g com tolerância de 20 g. “Essa etiqueta ajuda muito na rotina da oficina”, pontuou Bandeira.
Suspensão dianteira: arquitetura simples e funcional
O sistema dianteiro segue um conjunto conhecido nas oficinas: McPherson com bandeja, manga de eixo, mola helicoidal e amortecedor pressurizado. Os freios usam pinça de pistão simples e pinos flutuantes. “É um conjunto fácil de trabalhar no dia a dia”, avaliou o especialista. A barra estabilizadora chamou atenção pela boa dimensão para o tamanho do veículo. Além disso, toda a área inferior do assoalho dianteiro é coberta por protetores, sem acesso direto aos conversores e módulos de alta tensão.
Suspensão traseira: multilink incomum no segmento
A maior surpresa técnica do Geely EX2 está na traseira. Mesmo sendo um compacto de entrada, o modelo utiliza suspensão independente multilink. “Nem o Toyota Corolla Cross de entrada tem suspensão independente na traseira”, observou Bandeira. Para ele, a solução tende a contribuir para o conforto. “No padrão das nossas estradas, isso às vezes tira um pouco da estabilidade, mas o projeto aqui é interessante”, comentou. Assim como na dianteira, o conjunto inferior é totalmente fechado por capas plásticas, sem acesso a módulos e chicotes.
Manutenção e expectativa de oficina
Para Bandeira, o que pôde ser analisado sugere manutenção simples nos sistemas mecânicos tradicionais. “A parte de suspensão é tranquila”, afirmou. “A traseira foge um pouco do padrão por ser multilink, mas nada complexo.”
Por ser um lançamento recente, o especialista observa que o conteúdo técnico disponível deve aumentar conforme o modelo ganhar presença nas oficinas e nos cursos de capacitação.
Uso ideal, autonomia e perfil do consumidor
Com autonomia homologada pelo Inmetro de 289 km, o EX2 se encaixa no uso urbano. “É um carro para casa-trabalho ou para quem faz Uber”, avaliou Bandeira, citando que a proposta segue a mesma lógica de outros elétricos compactos. O EX2 chega ao mercado buscando espaço entre Dolphin, Dolphin Mini e Ora, mas com dimensões ligeiramente maiores e porta-malas superior.
Mercado e estratégia da marca
O EX2 integra a nova fase da Geely no Brasil. A marca, que assumiu parte das operações da Renault do Brasil, tem movimentado o mercado de elétricos com foco em custo operacional e ampliação de portfólio para produção futura no país. Lembrando, durante o Salão do Automóvel de São Paulo, a montadora anunciou que irá produzir em São José dos Pinhais, no Paraná, o híbrido Geely EX5 EM-i. Atualmente, a empresa também vende por aqui o EX5.
The post o que o mecânico precisa saber sobre o rival do Dolphin appeared first on Revista O Mecânico.
o que o mecânico precisa saber sobre o rival do Dolphin Publicado primeiro em http://omecanico.com.br/feed/

















Nenhum comentário:
Postar um comentário